Postagens

Mostrando postagens de Setembro, 2017

Chama

Não é necessário ler nas entrelinhas pra saber que a língua é código, e que eu estou aqui me expressando. Queria escrever em espanhol, tudo, tudinho. Não posso, meu código é português.
Seria perigoso se aquela chama reacendesse? Logicamente sim.
Os gatos miam na rua, enquanto isso, todos esses bairros são longamente explorados por mim. Cachorros ladram ao longe. Você segue me despertando algo, um espanto forte em mim. Quis se afastar, mas antes se aproximou. Até aonde esta estrada nos leva? Elemento endofórico ou exofórico?
A fantasia não existe nós dois, só a realidade extrema e contagiosa, essa vontade de enlouquecer juntos. Seu reflexo me alcança mesmo longe por tanto tempo.

Café com leite

Sinto falta de mim, em meu vazio desconfortável, instável permaneço e desisto de mim.
Eu sou a fonte de minha própria dissolução.
Eu diluo você em mim, subentende-se que fomos feitos para estar assim, constantemente nos encontrando. Açúcar a gosto. Nos misturamos bem. Minhas mãos deslizantes, contagiantes movimentos e pressões. Sem opressão nem amargura!
Corpos pulsantes retomam contatos, reafirmam contratos e renovam votos. Você dentro de mim é suor na carne e arrepio na nuca. Confesso meus pecados e sempre sou perdoada.
Nessas ações ínfimas do cotidiano que se repetem nos gestos automáticos de abrir a janela pela manhã e reascender o baseado várias vezes, gastando a energia do fogo, o elemento forte na contenção.
O vi na rua com seu cabelo black e sua voz grave e ao mesmo tempo suave, naquele tom de protesto. Afinal: ele me viu, ou fingiu delírio abrupto?