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Mostrando postagens de Setembro, 2014

Vegetarianismo não é fácil.

Ervas finas
Erva fina
Maçã
Chocolate
Cerveja barata
Tudo barato
Nem sempre tão bom
Nem sempre dá pra comprar pão
Batata frita.

eu não paguei 2,60 pra isso

O saldo no banco diminuindo quase que diariamente, meu chá verde em cubo na gaveta, papel de seda, comida. Posso tomar um banho e dormir bem e sem fome. Desagradável mesmo é perceber o quanto nada disso pode dar certo. Ou pode. Quantas vezes tropeçarei, terei que abaixar meu nariz normalmente empinado e esperar em crises de choro e espasmos, vendo a fumaça verde sair pela janela e sentir uma saudade imensa de tudo. Tudo. Sem perspectiva de futuro ou sorte. E tendo que ouvir o blá-blá-blá deles todos os dias. Mas poucos sabem que eu já assisti quase todos os filmes do Almodóvar.

maconha é soma e meu pretinho não me ama.

É uma pena que meu pretinho preferido não goste de mim, eu me arrependo sim. Desculpe por ser uma "puta". Então, segue iludido. Como é ruim andar pelas ruas sem rumo e sentir como em 1984, do Orwell, tomando soma sem parar para estar vivendo fora de uma sobrevida de merda. Eles me ofereceram esse remédio e eu não paro. Acabei desse lado do muro. Não quero ninguém se lamentado perto de mim.

Nada como um dia após o outro

Me sinto bem novamente, vivendo com dignidade. Quantas gramas eu quiser, preservativos e remédios. Todos os filmes e livros que eu quiser. Não precisei me prostituir para que meus armários estivessem caindo de tanta comida. E não há nada que me entristeça tanto quanto a vida em si, plena e vazia, yin-yang, e eu doida, desorientada, levando minha sobre-vida numa boa, porque eu sou tão boa, e os quadros se enchem com meu nome escrito com um l apenas. Nem tudo é perfeito.

Anjos também possuem maldade

Ele foi se aproximando de mim, cheio de mistério, gastando minha seda, indo pra capital todo o fim de semana, me deixando completamente sem ar com seus beijos. Pensei que fosse desmaiar, avisei a ele que minha pressão estava extremamente baixa e eu me derreti toda. O mano mais simpático de todos, faz sinal e eu vou, só ele entendeu la santa muerte no meu braço. Deixei-o ir e fui atrás de mais erva, pesadinha na minha frente. Desci devagar pela rua. Ninguém lembrará meu nome. E sim, eu peguei o anjo da minha cor preferida. Não importa quanto chá botem na roda todos os dias eu sempre aceitarei mais. E não interessa se nenhum de vocês vier conversar comigo. Tenho a mim mesma e não preciso que me paguem nada mais.

explorando essa cidade

Completei o ciclo dos pontos cardeais e aproveitei o melhor de cada zona: comecei do centro, sul, leste, norte e hoje, por fim, oeste. Conheci cada um deles. desarmada. Alguns levaram muita coisa de mim, outros me ofereceram. Alguns se importam comigo, os mais simples, mais pobres, pois são realistas. E ele me salvando na madrugada, deixando seu cheiro na minha roupa, sem tentar mais nada, minha mão cheirando a maconha e ele não parou de falar. O vagabundo da zona oeste é o mais inteligente de todos, humilde, quase perfeito. E toda aquela polícia na rua cega meus olhos com suas luzes vermelhas e eu me senti bem ali, mas vazia e faminta. Passei pelas ruas, bares abertos, olhos chineses e nenhum real no bolso. Cheguei e não tinha mais nada na geladeira nem no armário.

O diabinho que domina nossos sonhos

Andávamos caçando a erva por aí e observando onde os melhores se escondem. Diretamente da zona norte, entrando na zona leste, assassinando todas aquelas vagabundas, porque os tivemos depois, mas não queremos abandoná-los assim. Nada melhor do que vê-lo passando com as asinhas vermelhas, seu tritão, todo ele pegando fogo, nos incendiando junto com ele, na melhor cor, a perfeição,  queremos sequestrá-lo e escravizá-lo, morder a barriga dele, queremos que ele cozinhe para nós e faça sexo a hora que quisermos, nosso melhor colírio.

Nunca se preocupem comigo.

Eu tinha sonhado com aquele branquinho que me perturbava, porque de qualquer maneira ele era bom de cama, apesar de ter fodido com a minha vida, parece que não foi em vão, então aceitei encontrá-lo novamente. Mas ele já não era o mesmo, estava cada dia pior, vendendo drogas outra vez e andando pelas ruas como sempre. Ele desenhou em mim, me queimou e me deixou ali sozinha. Mas quem se importa se ele é branco? Então uma cor muito melhor veio em minha direção e eu me lancei como um presente e dei tudo que tinha, qualquer vagabundo que cozinhe para mim, trepe bem, me dê maconha e cigarro eu acompanho. Ele estava querendo me salvar, dizendo que eu parecia a Pitty, cantando e tocando comigo, me oferecendo um lugar para ficar, me ajudando a procurar um emprego e sendo marrento como ninguém. Pague a maior parte do aluguel, que talvez eu vá, mas me deixe longe do teu tráfico, me empreste tua cama, me forneça as tuas drogas, estou me prostituindo por tudo isso, faminta, e sim, sou boa nisso! É…

Fome e caos

E mais uma vez quis morrer. Não havia nada que nos salvasse dessa merda toda e eu fiquei pensando se haveria tempo suficiente para que eu pudesse fazer tudo que tinha que ser feito, mas eu não estava com vontade de fazer nada. Eu precisava que alguém me ajudasse, me levasse à algum lugar pela mão e dissesse que aquele era o caminho certo. Mas ninguém fará isso. Estou fodida. Meu corpo está cansado, lágrimas escorrem dos meus olhos e eu tremo. Já não há nada em mim. Eternamente fodida, faminta, pobre e sem rumo. Não há nada que eu goste, ninguém que eu ame, nada que tenha graça. E esses dias parecem intermináveis e eu queria beber um vinho. Mas queria morrer. Pra quê tudo isso? Me colocaram aqui e nada parece interessante, não há assistência, ninguém suprirá nada, os sorrisos amarelos estão em todos os lugares, os arrependimentos percorrendo minhas veias e meu corpo padecendo. Não há felicidade. Não há pessoas boas. Estamos no meio de uma guerra e eu me sinto ferida. Só há ódio dentro …

E eles nos atropelavam nos seus unicórnios

Andamos semanas inteiras no parque, escutando aquelas rimas, vendo todos aqueles movimentos, cuidando os que estão solteiros, quanto mais niggas em nossas camas, melhor. Cause niggas love bad bitches that be on they grizzly. Não gostamos de trabalhar, temos pouco dinheiro, mas sempre conseguimos um fumo. E não importa o que falem de nós, nenhum filho da puta vai pôr as mãos na minha bunda sem a minha autorização, é a lei, não vão achar nada.
Mesmos horários, mesmos manos, dois anjos, todo dia ao meio-dia, um de cada cor é só chegar que eles fazem o sinal e a fumaça vem em nossa direção... Andamos sem pressa, comemos as melhores comidas, estamos sempre famintas, conseguimos bebida de graça e pagamos quando não estamos querendo homens por perto irritando. Tudo isso porque somos mulheres e podemos. E só usamos seda boa.
E se estávamos com os olhos baixos, irritadas pra caralho, vinham aqueles que eram contra nossos negos e nos atropelavam com seus unicórnios.
Naquela tarde vimos todos eles,…

altas doses de realidade enlouquecem

Já não consigo dormir. Joguem minhas coisas no lixo, eu estou pedindo. Já não haverá nada para mim, pois eu odeio que me cobrem. Todos estão me irritando e nenhum deles fará nada por mim. Eu me odeio. TODOS OS DIAS alguém me chama de puta. Meus amigos me chamam de puta. Mas eu não sou uma. São coisas bem diferentes, mas eles têm a cabeça pequena demais para entender, nenhum deles me vê por dentro, todos eles me julgam. TODOS OS FILHOS DA PUTA. Eu odeio vocês, quero que sejam atropelados por um caminhão de lixo, que aproveite e leve vocês junto. Esse é o lugar de gente assim: bem longe de mim!!!

Andava buscando um lugar para me deixar feliz, mas esse lugar não existe. Toda miséria que há em mim me sufoca e o orgulho é o nosso pior veneno. Estamos todos corrompidos, não me venham com hipocrisias baratas, porque eu já não aguento esses jogos imundos, mas eu vou jogar e vencer, vou vomitar na cara de vocês todas as mentiras que me foram ditas, porque quando se passa por tudo que passei, j…

Consequência das fugas

E então ele veio para perto de mim e eu já não pude evitar de dizer o quanto sinto muito. E ninguém entende direito o que aconteceu, mas as coisas nunca mudarão e continuo servindo para poucas coisas na sociedade. A maioria delas nem vale a pena, somente me escravizam e me cansam. E todos eles dizem que eu sou boa para foder. Já não enxergo ninguém no meio das luzes, tornaram-se todos iguais para mim. E eu vou me deixando levar. Mas o dinheiro não me convence à largar a vadiagem e ter o que comer. E leio todos os clássicos que sempre quis, meu dinheiro se esgota, mas eu comprei minha liberdade.
Minha máquina de escrever faz muito barulho e eu não posso ser despejada novamente. Queria uns móveis, não consigo ficar trancada nesse quarto o tempo todo sentindo as paredes me engolirem como em um livro do Stephen King. Então eu saio... A nicotina destrói minha saúde o tempo inteiro e eu perdi o contato com meu pai.
Mas todas as minhas escritoras fodas sofreram assim: Anais Nïn, Clara Averbu…