Carnaval fora de época
N o carnaval de fevereiro, não havíamos nos reencontrado ainda. E eu sentia algo como tatear no escuro de quarto onde eu já havia estado antes, há muito tempo. Desta vez, com março chegando ao fim e depois de 12 anos sem carnaval de rua na cidade, andamos pela avenida, e ele estava como uma criança, cantando de cor a música da sua escola de samba e se encantando com as cores, a dança, as batidas dos instrumentos. E eu em êxtase com as beldades sambantes. Ele já havia desfilado nela antes, na bateria. O álcool corria em nosso sangue, mas para ele, fazia muito mais efeito. Ele me pergunta se pode me dar a mão. Eu digo não, mas logo cedo e estou só carinhos. Na rua, garotos enalteciam suas tatuagens. Prestes a amanhecer, um desses caras disse a ele que isso era atitude de quem tem muita personalidade, andar sem camisa, até porque ele estava usando a da seleção brasileira. Essa personalidade é transtornada e está no limite, é extremamente semelhante a minha. Mas está mais quebrada, ainda n...