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Mostrando postagens de Agosto, 2014

O espanhol argentino é lindo demais.

Depois de subir e descer escadas umas trezentas vezes, acabei abrindo a janela do cubículo que era o quarto que eu tinha alugado e vi, na minha frente, uma medianera.
Estou completamente chapada dentro de um quarto sem nenhum móvel, cheio de caixas e sacolas, coisinhas de gato, malas e livros. Muitos livros. Ainda bem que tenho maconha e estou morando no centro.
Mas quase não converso com ninguém. Briguei com muita gente. Estou insatisfeita demais. Sozinha demais. Mas me tornando forte. Dando esses tropeços e aprendendo instantaneamente. Nem acredito que tenho acesso à internet novamente e tenho alguns cigarros. E eu só tenho um gato por causa da Lana Del Rey. Acho que vou precisar doar minha filha. Alguém quer? Preciso vender meu teclado também, dou o suporte de brinde. Tenho até umas partituras e uns livros de música.
Estou passando fome e preciso de uns cem reais para poder conseguir pagar o aluguel até o dia cinco.

Todos los edifícios, absolutamente todos, tienen una pared inutil…

URGENTE

Estou a ponto de me foder de verdade dessa vez.
Preciso publicar meu livro. Serei despejada com certeza.
Não terei onde morar, me sinto como Camila Jam.
Desculpe se eu não sei usar conectivos direito.
Mas quando o Rasta me impede de fumar nicotina eu fico feliz, e o jeito lindo de ele dançar quando acorda,
seu sorriso e sua voz exclusivos para mim.
E já não importa se a polícia passa e quer te ver morto. Estou a um pé do precipício de incendiar meu coração
com a vida. Eu amo a maneira em que nos encontramos sem querer e em que nos comunicamos tão bem. Nos queremos bem...
S.O.S.: Estou sem teto e amando.

Sem música eu enlouqueceria.

Subindo pelas paredes de desespero, desamor, de preguiça, de sede de alguma coisa. E nada mais conseguia me comover. Meu corpo não se mexia. Eu já não aguentava ter que acender pontas com o fogão, porque ficaria sem isqueiro até segunda. O calor desse agosto me deixou esperançosa, mas nada muito fora do normal. E eu sigo cozinhando e limpando como nunca. E fumando, como todo o santo dia. Mas ainda bem que achei o isqueiro dele embaixo da cama. Nada é tão ruim, mas meus amigos me odeiam.

Todos amam o meu perfume.

Eu sempre como uma louca andando pela casa, me sentindo como Camila Jam, caindo pelas escadas, afixionada por limpeza,
perdida na vida, encontrada na escrita, desiludida, sem muita direção nem dinheiro, com muita raiva em mim,
trepando com todo mundo.
Explorando essa porra de biblioteca enquanto der, evitando todas essas contas, inventando desculpa,
acreditando tanto em mim, que de repente já quase não bebo ou fumo cigarros. Que de repente ultrapasso meus limites
de capacidade intelectual nas Letras, eu, que sempre quis Jornalismo. E que de repente estou aqui, imune a declarações de amor falsas e a todos os descasos que podem vir a ocorrer. E de toda a maconha ruim ou pouca. Quero infinitude.
Meu espanhol está incrível. Minha abilidade de entender os homens não.

O pastel vem da China.

Não queria falar sobre eles, porque eles me fazem mal e eu sigo nesse buraco dos meus sonhos e acordando com ele na cozinha sem saber o que aconteceu. Os que me fazem bem, fazem esse favor me dando orgasmos e eu deixo que roubem meu perfume francês como pagamento. Meus incensos se foram e meu sal também. Mas é assim que eu os pago. Nunca nos cansamos. Ração de gato faz mal. Serei despejada e perdi todo meu dinheiro em cervejas. Mas ficarei com o melhor da cidade. E os que me sufocam com carinho também me machucam, pois nem posso retribuir direito. É o efeito. É o meu vício. É o meu caos e ao mesmo tempo o meu chão.

Noites frias são inesquecíveis

Repeti que ele não conseguiria beijá-la milhares de vezes. Eu estava errada.
Nunca podemos julgar as pessoas nem mesmo pelo que conhecemos delas.
As circunstâncias fazem com que as pessoas mudem de plano rapidamente. Não se pode fugir disso, na maioria das vezes fazemos as mesmas coisas.
Somos iguais, não há porque julgar.
Mas eu fiquei fodida com um branquelo de camisa. Não suporto esse tipo.
Eu não aguento. Parece que nada na vida desse tipo de pessoa faz vibrar.
Os paulistas estão sempre cheios de histórias, aviões... Mas nós duas queríamos um só, e não o tivemos, ficamos com pena dos outros.
Dormimos juntas, perdemos todo nosso dinheiro em táxi e eu não peguei ninguém da t. neves.
Eles não me conseguiram maconha, era óbvio que ninguém me comeria com o humor que eu estava naquela noite.
Vodca apenas não me leva a lugar nenhum além da minha própria cama.
Foi o primeiro beijo triplo dela, espero que ela tenha gostado.

Ying-yang: rasta-gangsta.

Meu pretinho me deixou sem marica, mas deixou seu cheirinho natural de maconha na minha cama.
Dias comendo pouco, só fumando maconha, bebendo água e trepando, sem ver a luz nem do sol, nem da lua.
Suas roupas bagunçadas no meu quarto, diferente do meu branquinho, melhor amigo dele. Seu olhar gangsta me encarando desde cedo da noite, me pedindo cigarro depois de cantar, só alguns outros niggas falando comigo.
E eu só precisava de ti. Bebendo cerveja como se fosse água e fumando uns baseados. E eu fiquei mais de um dia contigo, ouvindo nosso raps e reggaes, falando
sobre a vida, nada muito claro, exceto nossos defeitos, bons e maus. Capricórnio é regido por Saturno, assim como Aquário já foi. O Rasta tem a tribo de Judá marcada na pele, no rosto.
Meu rasta longe da zona leste e perdido na minha cama, me dizendo que queria me ouvir cantar, porque eu cantava bem, mas quem entende de música aqui é tu, meu nego.
Cidade Verde, N.W.A., Marley, olhos vermelhos, dormindo sem parar.
Me dreada! …

Minha bondade é infinita.

Te livrei de um prejuízo de cerca de setessentos reais. E eu tenho o recibo, meu bem.
Estou cheia de coisas para fazer.
Mas já não imploro pelo amor ou pela atenção de ninguém. Quem quer minha companhia tudo bem, senão foda-se.
Eu já não me importo mais.
Estou ansiosa pelo verão. O inverno me deixa com preguiça de viver. E a rua me quer mais presente.
Minha natureza não é essa prisão em que me encontro. Os milhares de remédios que tomo não me fazem bem.
Queria só ela na minha vida. Mas preciso das outras substâncias para (sobre)viver.

Cachorros são tão bons quanto coelhos.

Dez horas da manhã, um amigo me chamando para fumar pertinho da minha casa. Lógico que eu fui, estava racionando fumo há dias.
Só os amigos me salvam. Eu sei que todos eles querem me pegar no fim das contas, mas eu nem me importo mais... Se acontecer tudo bem por mim.
Eu só quero é fumar em paz e conversar com alguém que me entenda ou pelo menos tente me entender sem me julgar, me amarrar demais. Sem sufocar.
Fui ao mesmo lugar de sempre, mas nada aconteceu, o coelho não estava mais lá, só havia um cachorro e ele não parecia gostar de maconha.
Todo eles dividiram comigo, paguei com boa conversa. Ou não. Não falo muito. Pegaram uma king size, cada deu tantos gramas e tacaram fogo. Só falávamos merda.
Estávamos todos perdidos. Eu como sempre, a única mulher no recinto.

O amor é um tipo de prostituição

Como é bom sentir todo meu direito de expressão nessa porra, posso escrever e publicar independentemente!

É ótimo ter um amigo que salva teu dia com um fino do bom quando você não tem mais nada, mas te xinga o dia inteiro mais do que teu próprio pai.

Talvez eles precisem que eu ilustre, eu até desenharia se eu soubesse e tivesse algum tipo de coordenação motora. Só tenho vontade de escrever sobre isso em consideração
aos textos mesmo, que me rendeste.

A única coisa que faço é ficar chapada. Tudo que eu quero é paz. Não é assim na música?
Não sou rica para pagar contas que estão no nome dos outros que costumavam morar aqui, mas quando saíram tudo já estava cortado, pois afinal só se pagou aquela porra por um mês.

Só direi que com meu olho baixo já não acho motivos pra ter que te aturar, neguinho! Então, se afasta.

E, aproveitando para registrar um momento Jack Torrence:

(Escutem o barulho da máquina de escrever ao lerem)

NÃO VOU PAGAR.
NÃO VOU PAGAR.
NÃO VOU PAGAR.
NÃO VOU PAGAR.
NÃO V…

Nenhum deles merece a minha atenção

Me perdendo nas luzes, já sem movimento, de tanto fumar e me cansar com o meu pretinho na cama, como se eu também fosse criança.
Cheguei no meio da fumaça e ele, branquinho, veio para perto de mim, de banho tomado e o mesmo perfume de sempre, e disse meu nome com a sua voz de rapper.
Acho que vi o meu pretinho com a sua japa, mas agora não tenho ninguém e assusto crianças.
As ruas estão cheias de rimas e escuridão e eu volto sozinha nesse ônibus escutando Eminem e sangrando pelas vias aéreas esfumaçadas.
Meu corpo está com o teu cheiro.
Matem-me e destilem de minha pele a essência dos homens com os quais me deito.
Tenho uma carteira de cigarro.
Acho tatuagem na coxa sexy.
As paradas de ônibus estão cheias de vestígios, que pessoas perdidas e apressadas como eu deixaram, cigarros quase inteiros ou no fim,
moedas de dez e quinze centavos, uma nota de dois, pois as de um já não existem mais.
Hoje eu joguei um cigarro quase inteiro fora, mas nem era eu que tinha pago por ele mesmo.
Cigarr…

Por que ele matou 50 pessoas?

Não sei como diabos ele conseguiu meu número novo depois de quase um ano. Foi engraçado, eu estava muito fora de mim, tinha fumado uma vela. Me sentia com Anaïs Nin e sabia fazer meu negócio. Sei que parei de fumar, mas fumei três cigarros dele. Precisava fazer meu trabalho: escrever. Antes eram os meus negos que roubavam meus cigarros e agora eu que roubo os deles. Eu sou foda. Ele está mais rico e brilhante, mas perdeu um pouco da mágica daquele tempo. Um pretinho por dia! Como eu consigo isso?
 “Por que ele matou 50 pessoas?” Diziam no noticiário... E eu escutava longe e todas as nossas roupas estavam no chão, o sofá sempre foi o melhor lugar, iniciantes!

A bitch is a bitch

Ele sabia exatamente o que fazer apesar de ser tão novo. Não fiquei passiva mesmo depois de ter fumado uns seis baseados e de ele ter ficado longe de mim a tarde inteira. Eu já conhecia aquele lugar, mas não pude acreditar. O diâmetro sempre conta e “a cor” sempre ajuda. Mesma história de sempre: namoradas, blá, blá, blá, minhas armadilhas. Mas do meu pretinho eu não abria mão, porque o meu outro pretinho, a réplica do meu filho da puta preferido, estava com uma japonesa do submundo. Lógico que perdi, queimando meu filme toda semana com aquele merda que quer que eu pague as contas dele, sendo que o pai dele tem dinheiro suficiente pra pagar as deles e as minhas, achando que se ligar para a minha mãe ela irá pagar, sendo que ela não paga nem as minhas e tentando ser um amor para nada, enquanto fode uma por dia. E aquele outro branquinho rapper, embora eu não tenha visto no baralho, mas sentisse falta por duas noites apenas, queria apenas eternizar as noites mais perfeitas.

 Passei a …

Memórias episódicas

Ele ousou confundir o cheiro da minha erva com o de um cigarro nojento, qualquer.
Alucinada e tonta, desprogramada para escrever algo que preste ou faça algum sentido, mas sempre visceral, nadando contra a corrente, discutindo com todos, renunciando e outorgando o quer, quando quer, desprovida de medos insanos. Com saudade remota da infância, tudo como um filme, eles me pegaram, eu já não posso mentir sobre nada. Estou desnuda de hipocrisia barata. Todos eles sabem, meu dinheiro é contado, estou deixando aquele lugar em breve. Salve-se quem puder. De toda a minha loucura. De todo desnivelamento das minhas ideias confusas e de meus raciocínios certeiros.