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Entorpecida

Desafiei a mim mesma até perceber que não podia simplesmente parar ou desistir de tudo, ainda que sentisse vontade de fazê-lo. Enfrentar a aversão. Preparar-se para a guerra. Tudo isso desponta um final feliz, ninguém deve me desapontar.
Perdi muitas palavras esperando respostas, perdi oportunidades, te perdi no meio da chuva.
Lendo Caio, caminho em caminhos e quase caio nessas estradas e paredes enormes de Santa Maria, bem por onde passa o ônibus. Há mesmo um limite branco que não me contesta, umas palavras que eclodem e jamais somem.
Novo prédio para estudar, muitos abraços apertados de boas vindas. Todas aquelas inaugurações cansativas e repetitivas, horários, disciplinas, falta de disciplina, café, mais cansaço.
Sinto um cheiro de essência de baunilha. Que tipo de subversão me aguarda quando de repente recebo uma mensagem sua e não sei o que dizer, eu sou um desafeto incompleto, uma espécie de poder, uma ilusão, uma miragem, um mito. Minto, você me desmorona, e meio a essa chuva m…

Sangue de carne

Meu coração é um farol com vista pra um lugar inóspito, devastado, pedregoso.
Uma garrafa de vinho, e então eu lentamente me assemelho à quem não quero ser. Fui afetada pelas inúmeras conversas por dia com pessoas que há tempo não via e pelas palavras trocadas com os colombianos. Tento não machucar ninguém com a realidade que rasga a carne. Eles tentam falar em um português completamente cheio de portunhol em um processo contínuo de aquisição da língua, em uma interlíngua sem nenhuma fronteira real. Eu falo em português, para tentar ajudá-los a aprender mais sobre as coisas daqui. Sinto saudades de falar espanhol.
Todas as pessoas comendo churrasquinho, de todos os tipos que existem, e os inovadores também.
O barulho das teclas seguem sendo minha única bússola, enquanto as cinzas dos cigarros caem sobre o teclado amarelado. A escrita me liberta dos meus próprios fantasmas, posso me recriar através das frases loucas que emergem da minha mente. Eu me reconheço bem em qualquer lugar send…

Futuro distante e irremediável

Peço desculpa pela ausência, mas estive um pouco viciada nos olhos dele e não pude cuspir palavras.
Estive bebendo vinho, catuaba, vodca e cachaça. Ando comendo kiwi, chocolate, pizza de vários sabores, mamão que só há no meu país. Matar as saudades tem gosto de lar. Descontrolada com o cartão de crédito e suas possibilidades, comprei livros de ficção em português.
Estou cansada de barulho, de conversas, do labirinto que virou minha vida em vários sentidos. O frio e a necessidade de escrever resistem, me fazem pulsar unânime no universo. Muitas vezes não desempenho as funções certas, que tipo de liberdade me aprisiona? Pessoas que deveria ver, coisas que deveria fazer, outras que deveriam estar feitas. Queria publicar um livro. Meu escritório de escrita é a solidão do nunca chegar. Qual o limite que o meu potencial pode atingir na vida... quero muito descobrir em cada estação, qual a sua fruta predileta.

A chegada

Gosto de perceber o movimento da fumaçado cigarro para observar a direção do vento. Transviado e sem rumo.
A maneira que as nuvens se acomodam em Buenos Aires e seus prédios e mansões. Porto Alegre permanece suas fábricas, seus casebres, seus trens. Te vi chegar, me vi na origem, reconhecendo as raízes de ser quem sou, do meu lugar no mundo, de tudo que construí nessa viagem que fiz.
Lágrimas de amor: as partidas são veludosas como um cacto.
Eu não tenho vontade de trabalhar no momento, eu quero descansar das vastas emoções.
Como posso estar cômoda?
Sigo com dores e introspectiva.
Ela sente vontade de te beijar, mas jamais vai conseguir, ainda que tenha olhos verdes e prepondere com sua voz de presença.

Escape imediato

As suas regras eu não me aplico. É difícil (trans)crever o jogo da amarelinha no chão. Observar todos os prédios desde um cubo de concreto me paralisou. Escutamos rocks americanos e desenvolvemos diferentes hábitos nesse gris crônico. Eu quero uma boa conversa, não quero desculpas. Não interrompa meus pensamentos com digressões porque eu sempre acabo me escondendo dos teus olhos. Eu não ando muito bem, qual o limite da ansiedade? Há rumores de que não tem fim premeditado.

Queda

Sou ar, você fogo. Sopro e incendeio. Aqui o céu fica laranja por causa dos reflexos das luzes dos prédios pouco antes de anoitecer. O céu a noite é cheio de luzes guiando os aviões, parecem OVNIs. Praticamente não chove. Apenas nos meus olhos.
escuto marchas na rua, batuques incansáveis de luta, gritos de euforia e de exigência.
Não sei porque minha mente desmorona tão facilmente e meus dedos fazem resvalar um cigarro de filtro vermelho. Você é meu precipício, ninguém mais.
Eu me jogo e ninguém me espera neste abismo. Estou só.

O dever da Arte

O clima da cidade é tenso. Policiais nas ruas escoltando os escassos ônibus. A greve de transportes não termina e as coisas não fluem naturalmente, pois a ameaça de violência persiste, nada dissimulada. O dinheiro é destrutivo. Sirenes, reflexos do caos crônico urbano.
Nem Anaïs Nin poderia escrever contos quentes sobre nós, pois se queimaria. Eu dependo de você como a Tristessa depende de heroína, é uma drogadição pesada e não fictícia. É uma desordem total. Aprender os tempos verbais do subjuntivo é simples, só não aguento calcular os dias para voltar à minha terra, ao meu lar, ao meu Rio Grande do Sul. Céu, sol, sul, terra e cor...
A Plaza de la Tejas esteve cheia de curiosos com sede de arte, do imprevisível, de uma ação fascinante, em que o corpo de um homem se suspendia por uma corda em uma ponte, não se sabia que ele era espanhol, não se sabia que as palavras escritas no corpo dele eram tatuagens, todos aqueles nomes e noites, planos insensatos que não podiam ser impedidos pel…