Postagens

Ponteiros e onomatopeias

Parto no último ônibus da noite. Está vazio. Sou a última a descer.
Quanto tempo demora para que o tempo perdido acabe de uma vez?
Muitas vezes eu choro no meio da madrugada, a rua está fria, no meio da rua está alguém fazendo algo errado, realmente não há paz urbana, porque a paz não faz parte da cidade nem um minuto sequer. Gritos, substâncias venenosas, concordamos todos, gostamos do que nos faz mal. Lixo revirado. Nenhuma transformação pessoal, apenas o transtorno de personalidade de um amigo que é tão inteligente, mas. Isso.
Acendi um incenso de patchouli porque produz um efeito de estimulante mental em meu (in)consciente. O ambiente envolto em fumaça e eu precisando de inspiração. O relógio não para de transcorrer. Segundos, minutos, horas.
Pesquisas, leituras e principalmente escritas. Digitações, tec-tec-tec...
Bebo gim tônica e a névoa envolve completamente a paisagem urbana, tudo está raso. Em meio ao nevoeiro estamos sempre nós, um copo e um isqueiro.
Meus sábados estão to…

En un kiosko cualquier...

Imagem
En 2017. Argentina. Hace un año. De lucha.

Promíscua

Beber vinho e escrever combina com minhas doenças. Então nem me examine para saber que sou perigosa em relação a qualquer vírus que fica localizado por vezes latente no sangue até mesmo na superfície da pele, ninguém estará imune ao meu ar de atmosfera contagiosa.
Tente descrever as coisas que meus poros conhecem e se depare com a ausência de qualquer neurônio em pleno funcionamento. Decorrência recorrente crônica desavisadamente derradeira. Pesadelo pesado impensado no descaso do meu passado. Pesquise bem os artistas que vai escutar, onde estão localizados os heróis que costumavam guiar qualquer ideologia, eu te conto os versos. não declame poesia onde não há canção. Olhei no relógio mil vezes esperando você chegar.

Monólogo subversivo em discurso indireto

Sua voz está perdida em alguma parte da minha cabeça. Está lá escondida, repetida, e às vezes meu coração palpita quando você escreve palavras bonitas e rimas com métrica, completamente diferentes das minhas combinações de palavras. Agradeço a admiração, poucos versos são de desafeto, a maioria é de outono: um pouco frio, mas ainda agradável. Bom saber que meu público é seletivo, intenso, em progresso, em manifesto. Onde está o espaço da arte que eu não encontro o caminho... Não existe nenhum atalho. Chegar até mim é perceber que não valeu a pena. Escrevo para mostrar que vale, mesmo que isso seja inusitado para a maioria das pessoas.
Todo o barulho da cidade não me deixa dormir em paz, parece a vida acontecendo e eu telespectadora. Não te vi, mas te senti. Um arrastar de lembranças, uma certeza de infinitude da arte. As palavras são como a cidade, jamais dormem, jamais deixam de fazer ruídos, de todos os tipos. Elas mobilizam estruturas sociais ininterruptamente. Elas dominam os pens…

Tango, sangue e revolução

Desmotivação e falta de tempo, por isso não estive aqui por dias longos e quentes.
Os passos na areia da praia jamais ficarão intactos, pois tudo muda. Nossos dias eram quentes e as noites frias, arco-íris o tempo inteiro. Disposição para mudanças, falta expressão nas palavras. Ecos e microfones. Ondas não costumam ter controle, não há simetria nesta praia, caramujos, conchinhas e o sol no céu azul, brilhando. A família sempre é ninho.
Nas noites dormi bem, muitos acontecimentos cansam, um monte de informação, vontade de ação, transgressão, revolução. Falo um pouco sobre a pichação feminista diante da câmera daquele rasta, todos transitam na cidade, são obrigados a ouvir as vozes silenciosas. Algumas pessoas quiseram falar comigo sobre isto: machismo.
Estradas longas e sotaques diferentes, vozes contínuas falando e cantando sobre: racismo. Falas inteligentes sobre: Gays. Não se pode ficar pretendendo o sexo do outro, sabemos que não funciona e não tem razão de ser.
Rimas precisas, o c…

Álgebra

Prevalece em mim a vontade de escrever para viver em paz comigo mesma. Há tantas coisas a fazer, aulas a planejar, preciso de inspiração. No entanto, a única coisa que tenho encontrado são problemas. Apesar de tudo, você continua sendo meu problema favorito para resolver, mais instigante que matemática. Não me questione sobre quem eu sou, você deveria tentar desenvolver bons hábitos antes de me recriminar. As coisas acontecem muitas vezes sem pretensão, sempre foi assim.  Você faz o transcorrer das minhas noites mais longas para a diversão e menos atraente para as tarefas necessárias.  Você me leva para um bar, mas ele está fechando e não nos deixam entrar. Depois andamos por toda cidade, calados, discutindo. Rotina. Mas tudo estava diferente, sua voz e seus olhos brilhavam muito, como tudo aquilo que tem valor deve brilhar.  Tento partir, mas hesito. Não sei onde devo estar. Aperto suas mãos e olho dentro dos seus olhos. Você segue conduzindo o carro. Cervejas e comidas junkies. A f…

Pêssegos podres

A luz do dia invade a janela, bem em frente a uma parede sem janelas. É difícil ver algo à noite, mas consigo ver uma estrela que outra. Parece que estou perto do céu, com a cama tão próxima da janela permanentemente aberta, com a brisa adentrando.
Não consigo lidar com o seu desaparecimento, me acusando e julgando: culpada.
Estou perdendo tudo, a cabeça, a hora, as coisas, principalmente o controle. Flutuando e pensando em por quê todas essas coisas aconteceram e toda a responsabilidade ser minha.
Lua minguante, fim próximo. Eu vi nas cartas o esquife.
Sua voz me dizendo que eu sou ruim. Cuidado com o que diz sobre mim, minha mente é um gatilho para minhas palavras. Você faz com que meus textos sejam tristes e minha eternidade seja à sua espera.
Que intimidade despedaçada, como uma eterna tristeza guardada em uma gaveta. Esses lamentos ninguém escutará, pois é difícil falar de si. Nada além de uma fruta podre, que não serve mais.
Jamais seremos aquilo que dizem que somos. Não existo …