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Sputnik

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Nosso quarto de paredes verdes clamando por qualquer discórdia distração sem competição o cenário é 1960 apague todas as luzes e me sirva mais uma taça a tela em preto e branco pull my daisy na televisão
nós dois dormindo um sobre o outro o surrealismo faz sentido deveria eu utilizar a técnica revolucionária do cut-up para escrever? garrafas vazias, dezenas delas converso com os quadros há um de mulheres dançando do lado de fora de uma casa qualquer pull my daisy na televisão
os poetas beatniks bebem tanto que fiquei bêbada também as janelas mostram tudo que eu não quero ver vestidos baratos e sapatos velhos nós nunca fomos ao cinema juntos pull my daisy na televisão
as palavras dançam na minha mente  exatamente como um baile de baratas cockroaches, cockroaches, cockroaches... escuto as baratas em meu coração que bate num beat frenético pull my daisy na televisão
O beat do coração da música dos pobres abatidos da beatificação meus sonhos lúcidos O beat do jazz e da revolução Incendei…

Bandeira vermelha: mar perigoso

Já não há nenhum espelho na casa, todos eu mesma quebrei com os anos. Os anos nos devoraram, e hoje cortaram nossa luz, eu não pude impedir.
Você me derrubou na areia com uma destreza que me fez acreditar que eu sou pura, mas querido você não sabe de nada. Toda a sujeira que penso quando você não está, parece que você já não é tão inocente. Colocando areia em minha bunda... Quando aprendi a te odiar? Você desencadeou em mim uma vontade tão pública, do jeito que fizemos como cachorros, você nunca encontrará ninguém assim, não há nenhum romantismo entre nós. Queria voar mais longe, renovar emoções, onde eles estão para encontrar-me, você não poderá manter alguém de aquário apaixonado por você para sempre. A lua e as sublimes estrelas nos espionando na noite de vento. Não se preocupe, pois as deslumbrantes dunas jamais contarão nossas obscenidades a ninguém, nem mesmo as corujas dirão nada. As ondas violentas como meus movimentos, ninguém duraria muito tempo aficionado assim. Comparta a …

Reflexos da lua azul

São noites em que meu corpo está com o útero pleno e vermelho, em sintonia com a lua cheia azul entre as nuvens que dançam no céu como o cenário de um ritual de um povo antigo, e talvez exterminado. Muitas de nós não podem sobreviver bem, mas mesmo assim resistimos. Às vezes só as palavras fazem sentido, documentadas por uma rede que permite nossa redenção com a literatura. Como acontece com o acesso livre na internet. Tento em vão despistar meus fantasmas. Você os afasta com um simples abraço, os escombros do meu coração naufragaram em alguma praia poluída, e não posso prender o choro, então desaguo. Esgoto. Me esgoto. Que desgosto... Sabemos que o álcool cai bem com a nicotina, parece mais fácil espantar fantasmas assim. De alguma forma te culpo, blasfemo. Nunca existiu confissões agradáveis saindo da sua boca, e por vezes parece difícil distinguir verdades de mentiras, medir valores, expectativas, limite de aproximação. A próxima ação: transbordar. As vezes as chamas se espalham ráp…

Mobília

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Preparei um café doce demais e me senti pronta para escrever. Quero me movimentar através da arte das palavras, gosto de lidar com elas sem ter nenhum compromisso estético, sequer existe uma escola literária para mim. Cansei de observar a cidade pulsar e apenas ter a consciência de que meu coração segue batendo. As coisas seguem acontecendo, sem interrupção. Existem travas em mim que dificultam uma publicação, mas seria bom assumir-me escritora completamente e ter um livro de autoria minha, comigo sendo a estrela principal. O ônibus com o letreiro vilaleste passa em frente de casa e sei exatamente que horas são. Meus objetos se misturaram com os seus por mais que eu tenha relutado, simplesmente levei alguns embora, mas existem tantos – destruídos também. Há momentos em que somente estar alimentado não basta. O limite da selvageria indômita é ilimitado. Eu sigo aqui, eu pertenço a esta mobília. Você me diz que eu deveria escrever um livro. Que tipo de literatura o mercado editorial ace…

Bem me quer, mal me quer

Não quero lembranças suas, minha pulsação hesita. Você me excita, cala a boca e prende minha respiração como se fôssemos realmente temporários, e não apenas corpos que acreditam ser eternos. Quero esquecer você, minha cabeça pede músicas instrumentais para que a letra não lembre você e minha escrita flua tranquila. Não quero vestígios seus, busco ficar longe do espelho para esquecer de mim também, quem sabe nesse meio tempo minhas assinaturas não sejam tão importantes assim, e eu não seja testemunha de nada. Você me alimenta, é meu suplemento. Não quero pensar em você, quero pensar em mim.
Não experimente me desconcentrar novamente como se fosse uma pequena nuvem de chuva se aproximando, o baseado queimando e o fato complacido de que você nunca voltará. Algumas coisas são definitivas.

Libação

Derramo vodka na pia propositalmente para tentar cessar meu círculo que, verdadeiramente, me detém como mera diversão. Eu não aguento mais perder o controle. Perdeu a graça andar tão trôpega...
Prefiro ver o pôr do sol do seu lado, ou ver um filmes do Walter Salles, ou sei lá, quem sabe Fernando Meirelles para variar um pouco a linha.
Gosto de ver as linhas do teu rosto e fumar contigo, acompanhados de uma cerveja boa.
Resolvo muitos problemas e coisas que dão errado na vida: contas, compras, necessidades, sonhos, gastos, saudades, vazios, insanidades, cano furado, boletos vencidos, consultas e outras coisas do gênero.
Eu acabo adorando e rogando ajuda.

Superstição

As ondas quebravam violentamente, mas com a destreza majestosa que a natureza dispõe. Tu me conduzias até o alto-mar, enquanto eu tentava te explicar que: os conselhos que dei sobre vencer não tem nenhum valor, e supostamente são descartáveis. Depois de desconsiderar todos eles, tu compreenderás logo que tu e eu estamos longe da atmosfera em que deveríamos estar. Tive vontade de gritar por um instante, mas avançávamos rapidamente, e faltavam apenas mais três ondas para completar sete. Sempre faço isso quando vou ao mar pela primeira vez no verão, acho que dá sorte fazer pedidos à Rainha do Mar sempre que nos reencontramos, não só no Ano-novo. Lembro que não via nada mais além de névoa enquanto você esteve perto de mim com os pés na areia. Foi como poesia sussurrada, pois dispersou minha mente do mundo e de sua decadência, além de dispersar minha visão. Sua voz destoa em minha mente e nunca é desagradável. Queria estar sempre com você e pedi à Ela que eu pudesse ver refletir meus olhos…