Postagens

explosivos

Não adianta nenhum de vocês tentarem me convencer de que eu preciso reencontrá-los. Eu mal tenho tempo de escrever, porque tenho inúmeros trabalhos para escrever, inscrever e transcrever foneticamente. Haverá algum tempo de paz, lagoa calma, monotonia? Com certeza, o travesseiro pode trazer este tipo de consequência, meramente inofensiva. Não tirem minha razão, qualquer desentendimento, eu peço perdão. Omissão. Disposição.  Os observei na rua, não há nenhuma manifestação de algo. Espécies raras, em extinção.

Chama

Não é necessário ler nas entrelinhas pra saber que a língua é código, e que eu estou aqui me expressando. Queria escrever em espanhol, tudo, tudinho. Não posso, meu código é português.
Seria perigoso se aquela chama reacendesse? Logicamente sim.
Os gatos miam na rua, enquanto isso, todos esses bairros são longamente explorados por mim. Cachorros ladram ao longe. Você segue me despertando algo, um espanto forte em mim. Quis se afastar, mas antes se aproximou. Até aonde esta estrada nos leva? Elemento endofórico ou exofórico?
A fantasia não existe nós dois, só a realidade extrema e contagiosa, essa vontade de enlouquecer juntos. Seu reflexo me alcança mesmo longe por tanto tempo.

Café com leite

Sinto falta de mim, em meu vazio desconfortável, instável permaneço e desisto de mim.
Eu sou a fonte de minha própria dissolução.
Eu diluo você em mim, subentende-se que fomos feitos para estar assim, constantemente nos encontrando. Açúcar a gosto. Nos misturamos bem. Minhas mãos deslizantes, contagiantes movimentos e pressões. Sem opressão nem amargura!
Corpos pulsantes retomam contatos, reafirmam contratos e renovam votos. Você dentro de mim é suor na carne e arrepio na nuca. Confesso meus pecados e sempre sou perdoada.
Nessas ações ínfimas do cotidiano que se repetem nos gestos automáticos de abrir a janela pela manhã e reascender o baseado várias vezes, gastando a energia do fogo, o elemento forte na contenção.
O vi na rua com seu cabelo black e sua voz grave e ao mesmo tempo suave, naquele tom de protesto. Afinal: ele me viu, ou fingiu delírio abrupto?

Peruana

Gosto do efeito que meus atos de fala me causam. Eu estou pronta para as tempestades, e eu reconheço minha totalidade na possibilidade constante de mudança. Acordei e usei a tesoura para cortar minhas raízes. Você já me dominou alguma vez e fez peruana com a fumaça infinita? Me desperta as melhores fantasias, me corrompe das piores formas, e eu acabo rompendo meu celular e perdendo todos os contatos. Sigo sem compreender sua insistência em minha aterradora monotonia. E choro lendo Limite Branco, do Caio, no ônibus. Oscilo e também sorrio, dessa forma os passageiros se apertam tentando impossivelmente se acomodar, nesse caminho cheio de obras públicas na estrada, construções de pontes, todos nós imersos nessa estranha sensação que a noite traz. Desço e corro amedrontada com a possibilidade de. Ser mulher na rua. À noite. Meu descontrole faz com que os idiomas português e espanhol latinos se misturem, com que eu tenha tonturas. Odeio a forma que aquela professora estúpida fala portunho…

Entorpecida

Desafiei a mim mesma até perceber que não podia simplesmente parar ou desistir de tudo, ainda que sentisse vontade de fazê-lo. Enfrentar a aversão. Preparar-se para a guerra. Tudo isso desponta um final feliz, ninguém deve me desapontar.
Perdi muitas palavras esperando respostas, perdi oportunidades, te perdi no meio da chuva.
Lendo Caio, caminho em caminhos e quase caio nessas estradas e paredes enormes de Santa Maria, bem por onde passa o ônibus. Há mesmo um limite branco que não me contesta, umas palavras que eclodem e jamais somem.
Novo prédio para estudar, muitos abraços apertados de boas vindas. Todas aquelas inaugurações cansativas e repetitivas, horários, disciplinas, falta de disciplina, café, mais cansaço.
Sinto um cheiro de essência de baunilha. Que tipo de subversão me aguarda quando de repente recebo uma mensagem sua e não sei o que dizer, eu sou um desafeto incompleto, uma espécie de poder, uma ilusão, uma miragem, um mito. Minto, você me desmorona, e meio a essa chuva m…

Sangue de carne

Meu coração é um farol com vista pra um lugar inóspito, devastado, pedregoso.
Uma garrafa de vinho, e então eu lentamente me assemelho à quem não quero ser. Fui afetada pelas inúmeras conversas por dia com pessoas que há tempo não via e pelas palavras trocadas com os colombianos. Tento não machucar ninguém com a realidade que rasga a carne. Eles tentam falar em um português completamente cheio de portunhol em um processo contínuo de aquisição da língua, em uma interlíngua sem nenhuma fronteira real. Eu falo em português, para tentar ajudá-los a aprender mais sobre as coisas daqui. Sinto saudades de falar espanhol.
Todas as pessoas comendo churrasquinho, de todos os tipos que existem, e os inovadores também.
O barulho das teclas seguem sendo minha única bússola, enquanto as cinzas dos cigarros caem sobre o teclado amarelado. A escrita me liberta dos meus próprios fantasmas, posso me recriar através das frases loucas que emergem da minha mente. Eu me reconheço bem em qualquer lugar send…

Futuro distante e irremediável

Peço desculpa pela ausência, mas estive um pouco viciada nos olhos dele e não pude cuspir palavras.
Estive bebendo vinho, catuaba, vodca e cachaça. Ando comendo kiwi, chocolate, pizza de vários sabores, mamão que só há no meu país. Matar as saudades tem gosto de lar. Descontrolada com o cartão de crédito e suas possibilidades, comprei livros de ficção em português.
Estou cansada de barulho, de conversas, do labirinto que virou minha vida em vários sentidos. O frio e a necessidade de escrever resistem, me fazem pulsar unânime no universo. Muitas vezes não desempenho as funções certas, que tipo de liberdade me aprisiona? Pessoas que deveria ver, coisas que deveria fazer, outras que deveriam estar feitas. Queria publicar um livro. Meu escritório de escrita é a solidão do nunca chegar. Qual o limite que o meu potencial pode atingir na vida... quero muito descobrir em cada estação, qual a sua fruta predileta.