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Escape imediato

As suas regras eu não me aplico. É difícil (trans)crever o jogo da amarelinha no chão. Observar todos os prédios desde um cubo de concreto me paralisou. Escutamos rocks americanos e desenvolvemos diferentes hábitos nesse gris crônico. Eu quero uma boa conversa, não quero desculpas. Não interrompa meus pensamentos com digressões porque eu sempre acabo me escondendo dos teus olhos. Eu não ando muito bem, qual o limite da ansiedade? Há rumores de que não tem fim premeditado.

Queda

Sou ar, você fogo. Sopro e incendeio. Aqui o céu fica laranja por causa dos reflexos das luzes dos prédios pouco antes de anoitecer. O céu a noite é cheio de luzes guiando os aviões, parecem OVNIs. Praticamente não chove. Apenas nos meus olhos.
escuto marchas na rua, batuques incansáveis de luta, gritos de euforia e de exigência.
Não sei porque minha mente desmorona tão facilmente e meus dedos fazem resvalar um cigarro de filtro vermelho. Você é meu precipício, ninguém mais.
Eu me jogo e ninguém me espera neste abismo. Estou só.

O dever da Arte

O clima da cidade é tenso. Policiais nas ruas escoltando os escassos ônibus. A greve de transportes não termina e as coisas não fluem naturalmente, pois a ameaça de violência persiste, nada dissimulada. O dinheiro é destrutivo. Sirenes, reflexos do caos crônico urbano.
Nem Anaïs Nin poderia escrever contos quentes sobre nós, pois se queimaria. Eu dependo de você como a Tristessa depende de heroína, é uma drogadição pesada e não fictícia. É uma desordem total. Aprender os tempos verbais do subjuntivo é simples, só não aguento calcular os dias para voltar à minha terra, ao meu lar, ao meu Rio Grande do Sul. Céu, sol, sul, terra e cor...
A Plaza de la Tejas esteve cheia de curiosos com sede de arte, do imprevisível, de uma ação fascinante, em que o corpo de um homem se suspendia por uma corda em uma ponte, não se sabia que ele era espanhol, não se sabia que as palavras escritas no corpo dele eram tatuagens, todos aqueles nomes e noites, planos insensatos que não podiam ser impedidos pel…

Hoy mi libertad es un silencio pavoroso

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A luz do estacionamento da frente da residência universitária nunca para de piscar. O céu de Córdoba é tão majestoso com seus tons e suas nuvens mutantes, o clima sempre imprevisível e agradável. Quase não chove. Quando ouço tua voz percebo dor e te agrido, eu encontro muitas maneiras de fazer as pessoas facilmente me amarem para logo me odiarem nos meus mínimos detalhes, ofegante, eu amo demais para saber fazê-lo bem. Espero não ofender, mas quando o amor machuca demasiado não é bom insistir. Eu com minhas armas, desarticulada com meu desespero de não pertencer a lugar algum. Desconheço a maneira certa de convencer que amo e não quero deixar de amar. Embora tenha cansado de expor meu ponto de vista, sei o quanto machuco, minha consciência prova cada vez mais que minha sanidade é mais perigosa que a vodca que bebi na noite passada.  Estou o tempo inteiro procurando um jeito de não me sentir mal, de não achar que o amor é isso: dor. Mas estou convicta de que é, porque vejo dor nos olh…

Pequenos grandes conflitos

A uruguaia estava jogando jenga e a brasileira comentou de como a pia estava suja. Ninguém deu a mínima. Alterno entre chá de canela e um fechado, minha voz rouca soa bem, como fogo crepitando.
Eu pareço realmente louca quando dou seis mil pesos ao governo para sentir minha terra nos meus pés.
Acordei cedo, entretanto houve greve de colectivos. Portanto não consegui os três mil pesos, não fui no mercado, não paguei minhas dívidas e outra vez me arrependo de tudo. Tudo que eu já fiz. Enquanto esse monólogo, cada vez mais, adquire traços do discurso oral.
Muitos artistas e poucos cigarros. Os piscianos se apaixonam fortemente o tempo todo e são românticos que não podem viver sem estarem apaixonados. Gosto de lutar, levo violência no amor, levo violência em tudo, misturada com liberdade. Está em áries e está em aquário.
Não sei me defender de mim mesma, talvez eu não me conheça muito bem. Testar meus limites deixa fortes marcas, e minhas batalhas eu costumo perder.

Chá de camomila...

...para acalmar as aflições, reflexões infinitas e nenhuma aprovação sobre mim mesma. Me repreendo e nunca aprendo, eu já não sou a mesma de antes, meu bem. Se alguém soubesse o quão difícil é ser estrangeiro, tudo se transforma em outro, que não é meu, coisas que não me pertencem, autoridade nula.
Decepção no teu olhar que eu já não vejo. Introspecção em minhas revelações. Me desperto e me desespero, onde eu supostamente deveria estar?

Castelo de cartas

Retomando sobre o silêncio: ele nunca foi tão barulhento nestas noites frias em que apenas consigo dormir às cinco da manhã. Rastinha, você me decepciona dia após dia, meu amor se rebela, se revela indócil, clima ameno, tempo pesado. Pesadelos, insônia. Você me desmorona como um castelo de cartas.  Você me arrebata despreocupado com meu sentimento, quem não tem boceta acaba sem argumento. Difunda suas ideias machistas na sua mente insensata, você não é melhor que ninguém por ter tido sexo com muito menos pessoas do que eu. Não sou um puta por isso, e se sou isso tampouco me diminui, você não poderá me ofender pensando no que os outros vão pensar sobre eu estar contigo, eu sou professora, vim para ensinar, língua e sexo, idioma e ação. Você terá que estudar muito para passar no meu exame final. Afinal, somente a prática induz à perfeição, ninguém precisa ser experto para entender que: no amor e na guerra vale tudo. Qual o melhor sexo, o que fiz ou deixei de fazer, à três inúmeras veze…