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Fogo lento

Onde estão os desprotegidos que invalidam tudo? Eu acabei falando verdades dolorosas demais?
Parece que nenhuma música pode traduzir este tipo de sofrimento. Se todos pensam que fiz sem razão, quem poderia me ajudar a pensar que não sou, se justamente fiz tudo isso...
Deve ser impossível consertar esse tipo de caso, se distingue por ter razão sim, porque nada é despossuído de lógica completamente.
Sobre a mesinha de cabeceira de cama restam livros de boa e velha contracultura, além de cartas de amor dentro de os ratos, aquele que te dei na biblioteca, comprei por três reais. Enfim... Sabia que valia a pena a leitura, porque eu conheço bem sobre a literatura em geral, ainda mais gaúcha.
Desprende o lacre. Os meus cofres estão vazios desta vez, e sim, não resta nada além de dinheiro eletrônico e invisível, sem cheiro e sem cor para mim. Novas visões e empreendimentos se lançam e não existirá fronteira alguma entre sonho e realidade.
Entre outros fatos além de míope e distante: não exist…

Caos urbano

Novamente cigarros e leituras de tarot ciganos. A penumbra das noite diz muitas coisas sobre o futuro de quem acredita e sobre o passado de quem não crê com o êxtase do misticismo cigano. Muitas vezes as coisas não saíram claramente, mas obtive visões nítidas dos sentimos que envolvem quaisquer acontecimentos. Em meio as velas e tormentas, vendo em velocidade altamente disparada, chuva e destruição, cidades completamente desoladas. Por que o governo vem nos subvertendo assim, minha corrupção não discrimina nada além do sadismo imposto pelas más posições hierárquicas-sociais-trabalhistas-federais. Acredito que ainda que toda a educação se afunde nas utopias de duplas jornadas e crescimento econômico quantitativos de trabalho eterno e salário pingado. Jovens privados de aprender, a cultura censurada e a privatização friamente calculada. Pinga chuva em mim. Pingam lágrimas em meu rosto frio e rígido, embora palidamente frustado, com olhos oblíquos, com finas linhas, meus traços se trans…

explosivos

Não adianta nenhum de vocês tentarem me convencer de que eu preciso reencontrá-los. Eu mal tenho tempo de escrever, porque tenho inúmeros trabalhos para escrever, inscrever e transcrever foneticamente. Haverá algum tempo de paz, lagoa calma, monotonia? Com certeza, o travesseiro pode trazer este tipo de consequência, meramente inofensiva. Não tirem minha razão, qualquer desentendimento, eu peço perdão. Omissão. Disposição.  Os observei na rua, não há nenhuma manifestação de algo. Espécies raras, em extinção.

Chama

Não é necessário ler nas entrelinhas pra saber que a língua é código, e que eu estou aqui me expressando. Queria escrever em espanhol, tudo, tudinho. Não posso, meu código é português.
Seria perigoso se aquela chama reacendesse? Logicamente sim.
Os gatos miam na rua, enquanto isso, todos esses bairros são longamente explorados por mim. Cachorros ladram ao longe. Você segue me despertando algo, um espanto forte em mim. Quis se afastar, mas antes se aproximou. Até aonde esta estrada nos leva? Elemento endofórico ou exofórico?
A fantasia não existe nós dois, só a realidade extrema e contagiosa, essa vontade de enlouquecer juntos. Seu reflexo me alcança mesmo longe por tanto tempo.

Café com leite

Sinto falta de mim, em meu vazio desconfortável, instável permaneço e desisto de mim.
Eu sou a fonte de minha própria dissolução.
Eu diluo você em mim, subentende-se que fomos feitos para estar assim, constantemente nos encontrando. Açúcar a gosto. Nos misturamos bem. Minhas mãos deslizantes, contagiantes movimentos e pressões. Sem opressão nem amargura!
Corpos pulsantes retomam contatos, reafirmam contratos e renovam votos. Você dentro de mim é suor na carne e arrepio na nuca. Confesso meus pecados e sempre sou perdoada.
Nessas ações ínfimas do cotidiano que se repetem nos gestos automáticos de abrir a janela pela manhã e reascender o baseado várias vezes, gastando a energia do fogo, o elemento forte na contenção.
O vi na rua com seu cabelo black e sua voz grave e ao mesmo tempo suave, naquele tom de protesto. Afinal: ele me viu, ou fingiu delírio abrupto?

Peruana

Gosto do efeito que meus atos de fala me causam. Eu estou pronta para as tempestades, e eu reconheço minha totalidade na possibilidade constante de mudança. Acordei e usei a tesoura para cortar minhas raízes. Você já me dominou alguma vez e fez peruana com a fumaça infinita? Me desperta as melhores fantasias, me corrompe das piores formas, e eu acabo rompendo meu celular e perdendo todos os contatos. Sigo sem compreender sua insistência em minha aterradora monotonia. E choro lendo Limite Branco, do Caio, no ônibus. Oscilo e também sorrio, dessa forma os passageiros se apertam tentando impossivelmente se acomodar, nesse caminho cheio de obras públicas na estrada, construções de pontes, todos nós imersos nessa estranha sensação que a noite traz. Desço e corro amedrontada com a possibilidade de. Ser mulher na rua. À noite. Meu descontrole faz com que os idiomas português e espanhol latinos se misturem, com que eu tenha tonturas. Odeio a forma que aquela professora estúpida fala portunho…

Entorpecida

Desafiei a mim mesma até perceber que não podia simplesmente parar ou desistir de tudo, ainda que sentisse vontade de fazê-lo. Enfrentar a aversão. Preparar-se para a guerra. Tudo isso desponta um final feliz, ninguém deve me desapontar.
Perdi muitas palavras esperando respostas, perdi oportunidades, te perdi no meio da chuva.
Lendo Caio, caminho em caminhos e quase caio nessas estradas e paredes enormes de Santa Maria, bem por onde passa o ônibus. Há mesmo um limite branco que não me contesta, umas palavras que eclodem e jamais somem.
Novo prédio para estudar, muitos abraços apertados de boas vindas. Todas aquelas inaugurações cansativas e repetitivas, horários, disciplinas, falta de disciplina, café, mais cansaço.
Sinto um cheiro de essência de baunilha. Que tipo de subversão me aguarda quando de repente recebo uma mensagem sua e não sei o que dizer, eu sou um desafeto incompleto, uma espécie de poder, uma ilusão, uma miragem, um mito. Minto, você me desmorona, e meio a essa chuva m…