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Mostrando postagens de Julho, 2017

Sangue de carne

Meu coração é um farol com vista pra um lugar inóspito, devastado, pedregoso.
Uma garrafa de vinho, e então eu lentamente me assemelho à quem não quero ser. Fui afetada pelas inúmeras conversas por dia com pessoas que há tempo não via e pelas palavras trocadas com os colombianos. Tento não machucar ninguém com a realidade que rasga a carne. Eles tentam falar em um português completamente cheio de portunhol em um processo contínuo de aquisição da língua, em uma interlíngua sem nenhuma fronteira real. Eu falo em português, para tentar ajudá-los a aprender mais sobre as coisas daqui. Sinto saudades de falar espanhol.
Todas as pessoas comendo churrasquinho, de todos os tipos que existem, e os inovadores também.
O barulho das teclas seguem sendo minha única bússola, enquanto as cinzas dos cigarros caem sobre o teclado amarelado. A escrita me liberta dos meus próprios fantasmas, posso me recriar através das frases loucas que emergem da minha mente. Eu me reconheço bem em qualquer lugar send…

Futuro distante e irremediável

Peço desculpa pela ausência, mas estive um pouco viciada nos olhos dele e não pude cuspir palavras.
Estive bebendo vinho, catuaba, vodca e cachaça. Ando comendo kiwi, chocolate, pizza de vários sabores, mamão que só há no meu país. Matar as saudades tem gosto de lar. Descontrolada com o cartão de crédito e suas possibilidades, comprei livros de ficção em português.
Estou cansada de barulho, de conversas, do labirinto que virou minha vida em vários sentidos. O frio e a necessidade de escrever resistem, me fazem pulsar unânime no universo. Muitas vezes não desempenho as funções certas, que tipo de liberdade me aprisiona? Pessoas que deveria ver, coisas que deveria fazer, outras que deveriam estar feitas. Queria publicar um livro. Meu escritório de escrita é a solidão do nunca chegar. Qual o limite que o meu potencial pode atingir na vida... quero muito descobrir em cada estação, qual a sua fruta predileta.

A chegada

Gosto de perceber o movimento da fumaçado cigarro para observar a direção do vento. Transviado e sem rumo.
A maneira que as nuvens se acomodam em Buenos Aires e seus prédios e mansões. Porto Alegre permanece suas fábricas, seus casebres, seus trens. Te vi chegar, me vi na origem, reconhecendo as raízes de ser quem sou, do meu lugar no mundo, de tudo que construí nessa viagem que fiz.
Lágrimas de amor: as partidas são veludosas como um cacto.
Eu não tenho vontade de trabalhar no momento, eu quero descansar das vastas emoções.
Como posso estar cômoda?
Sigo com dores e introspectiva.
Ela sente vontade de te beijar, mas jamais vai conseguir, ainda que tenha olhos verdes e prepondere com sua voz de presença.