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Mostrando postagens de Janeiro, 2014
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Não se pode ter tudo...

Eu lamento mentir desse jeito. Parece que eu me tornei o tipo de pessoa que ele é, e eu não quero ser assim, porque ninguém merece alguém tão sem valor. Sinto que valeria muito a pena em outra situação, porque agora eu valho ainda menos.
Eu queria que muitas coisas fossem diferentes, mas são apenas sonhos pedidos que nunca vão se realizar, porque cada um tem um pouco do que eu quero e eu sei que não posso ter os dois...
Eu exploro meus lados mais obscuros e vou de um extremo a outro correndo no escuro e nua. E derrubo muitas coisas deixando o barulho me guiar, com o frio tomando conta de mim e as lembranças me sufocando e me lembrando que eu não tenho do que me arrepender e eu choro e eu não consigo dormir e a disputa de vocês me corrompe profundamente.

Sobre toda sujeira escondida debaixo do tapete

O bar estava praticamente vazio e quase fechando, mas ela continuava ali fumando um cigarro atrás do outro e bebendo whisky com gelo, sozinha. Estava escuro, mas as luzes da cidade alimentavam toda sua decadência e ela não chorava. Há semanas não chorava, porque não parecia adiantar muito, as pessoas continuariam hipócritas e imundas e ninguém conseguia entender o quanto tudo aquilo era miserável e o quanto a cada dia as coisas ficavam piores e ainda mais desumanas. Nina Simone tocava enquanto ela apertava os olhos borrados de lápis, lutando contra o cansaço, bêbada e infeliz, com as pernas doendo e as mãos tremendo. Suas unhas roídas, seus cabelos bagunçados e seus lábios pálidos. Suas dores, suas perdas, suas ilusões e suas incertezas. E lembrou de todos as mentiras, todos os orgasmos, todos os livros, todos os poemas, todas as músicas e todos os filmes. E foi como se estivessem esporrando em sua cara e tudo ressurgiu e ela soube que essas coisas não mudam, as pessoas não muda…

Toda minha subjetividade desnuda

E aqui estou eu exposta a tudo que não gosto e não valorizo. Tudo em troca de coisas irremediavelmente agradáveis. E eu nem acredito nas coisas que suporto, mas em troca de experiências eu sempre busco mais. lamento que ultimamente eu tenha acabado de me tornar uma escritora de merda. Aliás, não consigo mais ter a mesma privacidade de antes, logo me sinto invadida, sufocada, usada e abusada. Mas gosto do papel que empenho e acredito na força do meu personagem. Às vezes parece apenas um sonho esquisito, como se de repente eu acordasse e voltasse à minha vida normal, minha rotina cansativa mas real. Não acredito que esteja vivendo desse jeito, produzindo as coisas tão mal. Mas a verdade é que sou carente, e assim eu caio e qualquer precipício em troca de um pouco de atenção. Qualquer coisa que me faça ter valor, apesar de eu ter escutado ontem que quando se está com alguém, se pensa que é especial. Mas não, não somos tão especiais assim. Ninguém é insubstituível de verdade, por que semp…

Ninguém vive a paixão impunemente.

Eu não costumava considerar isso tão bem quanto agora. Agora quando eu já não consigo dormir, agora quando eu já tão tenho nenhum lugar para fugir. Agora quando eu achava que já tinha o bastante para impressionar alguém com um intelecto não tão bom assim, mas semi-suficiente não para impressionar, mas ao menos para conseguir interagir. Agora quando eu achava que conseguiria ser independente e te vejo entrar aqui, imprevisível, invadindo não só os poros da minha pele e todos os buracos do meu corpo. Já não basta, já não é o bastante e eu estou tomada por toda a loucura que levou minha cama embora e eu não tenho nada além de arrependimento. Porque agora o sexo em si já não basta. O sexo não é nada comparado a toda essa bagunça da minha casa e também de dentro de mim, e me vejo me submetendo a todas as suas vontades sem que você precise dizer nada porque os seus joguinhos são eficientes até para alguém auto-afirmada como eu. Mas mesmo assim, não espere muito de mim. Eu tenho limites int…

Decadência em grande estilo

Coisas que não podem dar certo, não darão certo, mas pelo menos é bom que alguém creia nelas e tente fazê-las funcionar. O problema é que às vezes se está tão afogado em suas próprias mentiras que não existem meios de escapar porque até você mesmo acredita nelas e há coisas que você não pode simplesmente deixar partir sem que se tire o mínimo de proveito disso, porque não há nada pior na vida humana do que o arrependimento, pois ele é crônico e vai te corroendo as entranhas gradativamente e não há, basicamente, nada que você possa fazer porque tudo já se foi e você está sozinho e sem rumo numa correnteza de mijo. Afogando-se e tentando subir degraus que não levam a lugar nenhum e tentando construir torres de babel e sem muita comida na geladeira e expectativas frustradas, abandonos, frutas apodrecidas, pratos sujos, lençóis imundos e corações partidos. Não há futuro nisso, porque só se decai. Não é bom ser explícito com pessoas, porque bem, elas mudam e tudo vai virando pó sem que eu po…

Treinando para escrever livros de auto-ajuda