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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Sobre todo o arrependimento advindo da estupidez

Estou com vontade de tomar cerveja desde cedo da tarde como nos velhos tempos e olhar dentro dos teus olhos verdes ao mesmo tempo em que escuto tua risada alta e contagiante por qualquer bobagem nesses teus lábios carnudos e com teu cabelo bagunçado.  E eu te perdôo por uma noite ter jogado minha erva para o outro lado do muro porque tua mãe estava chegando e perdôo por ter lido as cartas erradas para mim e ter me ignorado às vezes e ficado com vergonha quando estava perto de mim.  Ainda lembro-me do teu perfume em minha almofada e dos teus beijos bem dados e do jeito como tocava violão, sempre linda, vestindo tuas camisas grunge e ouvindo Nirvana, Oasis e Aerosmith comigo. Literatura era nosso assunto preferido, mas tu apagaste nossas fotos e eu acabei não publicando um conto com o teu nome e acabei te traindo por ser, como você mesma disse, uma vadia estúpida. Eu ainda o sou, e não é drama não, mas acho que sempre serei, por isso não sou digna de algumas coisas das quais eu gostari…

Grades Brancas

“As borboletas eram tantas! Por que ninguém passava e pegava ao menos uma com as mãos e levava para seu mundo? Pois só assim poderiam ouvi-las cochichando em seus ouvidos e dizendo coisas significativas e reais o bastante para serem refletidas e realizadas.” (Ao som de) Arde el cielo - Maná
Ela olhou para o lado; Uma lágrima escorreu de seus olhos negros, e depois outra, e outra e mais outra. Por quê? Por que ninguém acreditava nela? Tudo era tão falso. Tudo de plástico. Tudo descartável. Mas o pior é que era tudo sem motivo, a não ser no mundinho particular dela. Mas para quê ter sentido o que nem mesmo tem utilidade?          Repressão, repressão. Repressão e ponto final. Ah, mas pelo menos tinha alguns cigarros e nem estava chovendo. Mas estava nublado, muito nublado. Ela tinha visto sim, tinha visto uma borboleta verde. Mas por que ninguém acreditou, se ela nunca mentiu? Se ela sempre fora realista? Bom, nada mais importava mesmo além de seu cheiro, ah, que cheiro de flores do campo.…

Diário de uma submissa

Maldita amiga que um diz te fez entrar pela minha porta. Então coloque tudo em uma caixa, todas as míseras coisinhas que não foram dadas de coração e sim como que para cobrir alguma dívida. Então confabulem sobre mim e digam que eu finjo ser drama queen. Quando se dá tudo, principalmente tempo e não se obtém nada de bom, esperanças quebradas e corações fodidos, se é que você realmente tem um. Parecia tão bom, mas é tão terrivelmente tóxico que eu não aguento mais. Todas as merdas escondidas e mentiras contadas não cabem mais na minha cabeça, e elas ficam lá, martelando e eu ganho e perco tudo como em um jogo de azar, os dias não são iguais. Não há nada que eu faça que baste para tanta falsidade, porque você é uma daquelas pessoas que a gente nem pergunta para quem está mentindo, porque obviamente é para todos, inclusive para si mesmo.
E se choro na rua e caio em teus braços de novo, é porque te amo, essa sim é a maior prova de amor. Não tenho a coragem que preciso, embora queira muito…

Virgínia

Não era bom estar ali, àquela hora, naquele estado. Mas quem disse que a gente precisar estar desse ou daquele jeito? Quem dita as regras? Virgínia levantou-se da poltrona e desligou a televisão porque as notícias não lhe interessavam. A única coisa que a interessava era sua vida. Pensamento egoísta demais, mas verdadeiro. Não era isso que todos buscavam no fundo? Felicidade? Então. Só porque ela queria ser feliz seria chamada de egocêntrica. Não parecia justo. Logo para ela, que saía a rua do mesmo jeito que estava em casa, não usava batom nem mesmo em festas, andava de calças largas e camiseta, ia ao supermercado de pijama, ficava uma semana sem lavar o cabelo e o amarrava de qualquer jeito prendendo-o da maneira mais prática possível. Vaidade é coisa de quem quer impressionar, pensava Virgínia. E ela não queria impressionar ninguém, desde pequena pensava que agradar os outros era renunciar a si mesmo, se colocar em segundo plano e isso estava fora de seus objetivos. Ape…

Vertigem que o marlboro vermelho me causou

Eu sinto o mundo vazio e o meu corpo transbordando de sentimentos contraditórios. Não posso dizer que sou uma escritora, porque sou apenas uma pessoa normal que veio de uma cidade pequena e não poderá nunca se igualar aos homens sem ser julgada e eu perco/ganho muitas coisas com isso. Tenho conversado com o silêncio e estou com um isqueiro na calcinha. Pretendo parar de fumar e cuidar melhor do meu corpo, não sei quanto tempo vou durar, mas sei que estou ficando velha e sim, eu também deveria parar de beber e ficar mais vazia de sentimentos.

¿Quién me va a curar el corazón partío?

Disse-me para não escrever mais sobre ele, escrever sobre outra coisa. Não consigo. O que flui de mim passa antes por ti. Não poderei mais escrever, então. E chora, tropeça bêbado na rua e eu o levo, eu cuido dele, não quero que se machuque. Nada mudou, continuamos os mesmos filhos da puta um com o outro. Mascaramos tudo, finjo que está tudo bem. Eu disse que pararia de fumar, mas não quis. Peguei-me pensando se eu realmente não queria ficar sozinha e percebi que poderia doer muito, porque gosto de estar perto, seria como um filho partindo e eu odeio despedidas, porque sempre choro. Veria chuvas, sóis, estrelas, luas, primaveras, invernos, outonos e verões pela janela. Dime, si tú te vas, dime cariño mio, ¿quién me va a curar el corazón partío? Então fique, dê-me um terço do teu tempo, dê-me orgasmos, dê-me presentes, dê-me sorrisos, dê-me motivos para acreditar que minhas pernas não são tão horríveis assim e que tudo está bem do jeito que está e que daremos soluções às nossas doenças.…

Não tenho tempo para joguinhos

Eu não sei fazer poesia. Não são muito boas, quero dizer. Não estou bem e ainda que estivesse, algo estaria faltando em mim, algum sonho, algum amor, alguma esperança. Meu corpo, pobrezinho, mal cuidado, dá suas respostas ao meu descaso e eu perco todo o interesse na vida, mas ainda assim sinto algo brilhando dentro de mim. É a sede de viver. Sinto-me sozinha e abandonada, é quando a febre me invade e me sinto deslocada do mundo físico até dormir. E sonho. Misturo a realidade com os flashes da minha mente um pouco perturbada. Não penso mais em vinganças, pobres almas aquelas que se prendem a ficam falando sobre coisas que não lhe interessam, os deixarei falando sozinhos, porque minhas aulas de redação não foram em vão e eu começo as frases com o sujeito “ela” e eu sei diferenciar conjunção de oposição de conjunção de explicação, pois pois pois pois! Mas se eu por acaso quiser usar mas e quiser inverter, escrever de trás para frentes, fazer anagramas, eu farei. O blog é meu e eu faço …

Monólogo para dois

Disparei em direção ao nada e fiquei andando de um lado ao outro, sozinha. Enquanto você se entretem com as superficialidades do mundo moderno e deseja se afogar em mares não navegados, pois a emoção de ter alguém que os outros não tiveram antes de você e ser o primeiro é impagável e não há nada que se compare a isso ou que possa te satisfazer completamente a ponto de te fazer mudar de ideia e apenas esquecer essas possibilidades, eu caminho de um lado ao outro, e o pior de tudo: estou sã. Imersa em fumaça e em sensações completamente vazias, pois não tenho aqueles lapsos nem aqueles tremores de quando estou bêbada e acho que tudo pode ser consertado no dia seguinte, mas não pode. E você, vagabunda, que provavelmente está lendo esse texto (não sei porque as pessoas perdem tempo com coisas que não gostam) vá ler um livro ou se masturbar, porque é muito mais construtivo ter prazer do que ficar criticando a vida dos outros, a qual você já não tem nada a ver, mas não percebe porque …

Sem válvula de escape

Das coisas que finjo não perceber

Eu estava precisando relaxar antes de começar a escrever novamente, então coloquei um cd do The Doors para tocar e sentei-me em frente ao ventilador. Precisava de um estímulo para voltar a escrever, por isso comecei a assistir um seriado sobre um escritor libertino que não escrevia nada há anos e me identifiquei com ele. Projetinho de Bukowski. Meus amigos diziam que eu era uma pseudoescritora e que não escrevia porra nenhuma. Bem, confesso que escrevo sobre mim mesma, mas não acho que o mundo gire ao meu redor, assim como não sou uma deprimida nem nada, apenas estou cansada de ter pessoas que dão palpites sobre a minha vida sem nem ao menos conhecer-me e me julgam pelo meu suposto estereótipo.             Eu precisava dormir melhor, pois a paralisia do sono estava se tornando constante. Ele dormia durante o dia e eu durante a noite, ou seja, já não dormíamos juntos como antigamente, um lado da cama sempre estava vazio. Já não fazíamos sexo regularmente e eu estava fumando mais e beben…

Gaiolas antidepressivas

Quando uma menina que tem tudo nas mãos falar algo sobre você, ela está errada. Ela não sabe nada sobre você, ela não sabe pelas coisas que você passou, as dores que sentiu, tanto físicas quando psicológicas, não conhece sua família, seu passado, não pode medir seu caráter, sua cultura, suas capacidades. E mesmo que você tenha roubado uma parte do homem dela, que ainda é dela e que sempre será porque é assim que ele quer e eles falam sobre você, porque você é uma vadia que ninguém nunca defenderá e não, você não é uma pessoa má, você só não tem nenhum amigo verdadeiro. E todos eles te julgarão, porque nenhum sabe admitir a própria vida e são tão hipócritas porque se preocupam com o que podem pensar e não tem a mínima coragem de abrir mão de uma coisa para ter a outra completamente. Eu o arrastei para minha cama, mas essas pretensões eu nunca admitirei, pois não posso tornar-me uma menina que tem tudo nas mãos. Eu não finjo nada, eu sou assim. Eles dizem que forço essas situações e que …