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Mostrando postagens de Setembro, 2016

Parole

Tremores matam. Acredite, neguinha. De várias formas estive optando pela minha morte perante a realidade. Nada a ver com decadentismo, nem com o naturalismo. Não mesmo... Tem mais a ver com realismo. Também tremo de frio, tirito, mas jamais me rendo completamente às minhas loucuras, apenas quando estou ofegante, mas não o bastante para gozar. Não o bastante para querer fazer gozar também, não o suficiente. Mesmo que assistamos filmes nacionais brasileiros tão melodramáticos quanto nós, meus olhos pequenos tentam disfarçar a minha fraqueza. Conseguem de fato. Porém, não me controlo às minhas falas - paroles. Quantas palavras cabem no meu organismo? Às vezes necessito soltá-las. Inúmeras vezes não estou falando sério. Você começa onde eu termino. E não se sinta mal com isso, meu bem. Apenas se preocupe em navegar submerso em meus olhos de cigana oblíqua e dissimulada, e deixa que eu te explico quem é capitu. Nenhuma parte do meu corpo está receptiva. Eu aposto sempre mais do que da vez…

Ebriedade

O mundo que me invade a janela é um mundo que me procura. É demasiado tarde para consertar essas coisas todas que de alguma forma reverberaram péssimas. Quero andar pelas ruas argentinas e perceber que há algo bom em mim, lá no fundo. Bien hondo.

La rosa

Sou a flor. A mulher submissa. O tempo passa bem devagar quando as revoluções inimagináveis começam a se concretizar.
Você me deu uma rosa roubada de um jardim. Nosso amor desabrochou, enfim. E talvez tenha que ser impedido, ainda que momentaneamente. As fronteiras que ultrapassam meu coração deste mundo são infinitas, meu bem. Toda minha loucura seria dificilmente calculada por você. Eu me reservarei a mim mesma, como um presente, não posso deixar de aceitar-me.

Flores, alianças e promessas

Mestre de Cerimônia, mestre de caô. Tu não me emociona, prova que é bom ator. Diria a brisa...
Lembra de quando tu queria ela, isso acabou comigo, e então foi pro hospital, não te vi, ela ficou contigo, eu voltei para o mesmo lugar. E você voltava para por a cabeça no meu colo. Pedia por amor, um amor acabado, eu tinha um resto dentro de mim, cheio de monotonia e euforia. Eu não sei dizer não, não sei quando parar e costumo me lamentar de tudo para fazer com que todas as outras coisas pareçam boas o suficiente para existirem. Suas promessas são realmente imaturas dentro da bolha do teu pensamento, por isso não cabem em meu coração. Minhas flores estão mortas e transparece em meu rosto uma beleza cansada. Um sorriso amarelo. Uma inocência perdida em uma esquina qualquer. Minha cosmovisión de Sin Rumbo é atordoante e repulsiva.

Estrada fria

Aquela senhora, na parada, me contou que sua filha se enforcou. Mostrou-me a foto dela. Conversamos por horas, todas as mulheres adoraram meus dreads! Uma professora de literatura conversou comigo sobre as dificuldades de se dar aula em containers. Estive muito tempo falando sobre a cidade, sobre a vida, os percursos que nos levam à lugares loucos. Houve um acidente e ficamos presos na faixa, então tivemos tempo até mesmo de conversar com um professor de filosofia. Obviamente perdi a aula de literatura hispanoamericana e tudo sobre o modernismo.
Minha leitura de ônibus agora é viajante solitário, de keuroac, a fim de não ficar solitária, e me contentar com o hálito de whiskey dele.
O acaso é um vento que me leva a lugar algum.