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Mostrando postagens de Novembro, 2014

Todo mundo sabe que o lado que o sol nasce é o melhor.

Baguncei meu quarto, tem coisa que não faz falta para ninguém. Escuchando La Mala, con mi pensamiento lento y mi corazón latiendo sutil. O livro Carne trêmula quase terminado.

Todos os nomes das três meninas que tem as iniciais de F. S. são vagabundas.
Libertei meus sentimentos, família é sustento.
Não vou pagar a multa da biblioteca, estou anarquizada.
O jornal não me deixaria publicar.
Eu peço o cigarro de vagabundas que se acham honradas, porque numa sala fechado, cara a cara, ela nem espera perder para mim. Olhe fundo dos meus olhos, pouco verá de perdão. Não tratem meu nego mal, porque eu não gosto quando gritam com ele. Aquele branquelo nunca matou ninguém. Meu amor, temos habilidades e experiências com sangue e facas e medo de exús.Eles chegam devagar e contam tudo para nossos inimigos.
Odeio os prédios bloqueando minha visão dos morros quando estou em casa à tarde.
Dedico meu tempo quase que completamente à ele, porque acho que vale a pena. Não quero ficar aqui nessa cidade pa…

O que vai, volta.

Meu atordoante vizinho liga o som a toda a altura numa noitinha de verão agradável em que eu gostaria de me enrolar nos meus lençóis e ficar deitada em frente ao ventilador descansando. Fumo muitas gramas, não é tão simples assim.
Música eletrônica. Sirvo aquele resto de vodca e ponho muito gelo. É como quando fecho um baseado e estou prestes a acender, preciso ir no banheiro antes. Minha gripe em pleno verão está me matando e eu não queria mais morar aqui e eu não consigo estudar ou fazer nenhum trabalho nesse calor.
Fecho a janela para abafar o som, mas não adianta muito. O escuro invade o quarto, acendo um abajur. Ninguém me vê e eu não cumpro minhas promessas. A confusão me engole e eu tenho muitas mágoas.
Os lixos da casa acumulam, porque fico um tempo sem vir aqui e eu não tenho mais dinheiro e muito menos paciência. E ele passa óleo em mim e me chama de meu amorzinho e eu já não reclamo nem de estar na zona vermelha novamente.

Agora a música parou.
Mas o álcool já meu tirou a …

El poder de la Santa Muerte

A preguiça domina meu corpo. Eu assistindo Karate Kid de novo, dessa vez sem ele. Eu viro um cinzeiro quando ele vai trabalhar.
Ontem a noite, dobramos a esquina e o BOE estava ali, olhou meu rastinha e disse que podíamos ir. Bebida, maconha, ficha. O policial estava cansado dessa situação e deixou meu nego passar. Olhei para a tattoo no meu braço. A polícia sempre sabe o nome nos meus.
Quero que eles se mudem logo, tem algo errado aqui, nessa casa, nesse beco. Nunca pensei que diria isso da Leste.
Estou escrevendo com minha caneta multiuso: ela escreve minha loucuras e aperta baseados. Mas não tem armação. Nada é perfeito.

Sobre minha visão intuitiva

Num primeiro momento, achei que ele fosse roubar meu anel, mas não o fez porque era muito feminino. Ele estava na mesma posição e no mesmo lado da cama que o outro rasta costumava ficar e fez a mesma coisa que ele. Tirou um dread do olho, pegou a minha mão e tirou o anel do meu dedo médio delicadamente. E então, colocou-o de volta no anelar.
O ocasional mau humor dele destrói algumas esperanças dentro de mim. Tem crises de raiva com coisas pequenas e materiais e parece meu pai. Não suporto quando isso acontece, pois fugi a vida inteira desse incômodo.
Ele pegou toda aquela cocaína e colocou na minha bolsa. Me deu um pouco do bom, como da primeira vez que dormimos juntos, e pegou um facão para contar meio quilo. Muitas notas de cinquenta e nossos olhos sempre baixos. Ele está triste e eu também. Mas ainda formamos uma boa dupla, e eu me orgulho de ter te escolhido.
Só para constar, sei que aquele pretinho mexeu na minha gaveta das calcinhas na última vez que esteve aqui.

Colocou no prato, come.

Coloquei batom vermelho, em homenagem à paixão, e aquela noite sabia que o sexo seria forte novamente. O carro estragou e talvez nos mudemos para zona norte, numa casa enorme, perto das bocas, ou morreremos de azar. Ele ficou muito irritado, eu sei como é, já vi tudo isso antes, mesmas atitudes, eu odeio atores na vida real, não adianta, eu senti o cernunnos transbordando nele, e eu preciso dessa dose em mim, porque bem, eu pinto as unhas.
E então na cama ele se soltou, porque eu sou boa mesmo e só pisco quando quero. Ele diz que minha boca é ótima. Eu me esforço ainda mais, passo mal, todos os dias sem parar, eu amo isso.
Pela manhã ele descobriu tudo sobre o meu pretinho e falou alto o nome dele, todos ouviram. Espera aí, então nós frequentamos a casa da tua ex e tu quer trepar comigo e com qualquer gostosa que aparecer e tem mil amigas e ainda fala com aquela vadia e deixa ela tocar no teu cabelo que fiz tão bem e eu não posso ter amigos? Espero que o outro pretinho não me traia as…

Endorfina e as estrelas

Foi quando comecei a ter cuidado com a minha imaginação e com meus desejos a longo prazo, porque um dia todas as pedras acabam rolando, o universo escuta meus pensamentos com atenção e eu escuto toda a natureza dentro e fora de mim.
Ele me levou lá para o alto novamente, e no início olhamos para a cidade, mas não dava para ver o céu. Então viramos para trás, perto do campo, e vimos estrelas, mas a lua já havia se posto. Aquela senzala em ruínas lá no fundo e os ruídos da noite escura. Havia uma nave espacial no céu, parecendo descer, ele disse que sempre acreditou em extraterrestres. Se tiver maconha lá, nós vamos, disse a ele.
Passou da meia-noite, já era dia da consciência negra, ele sentou na frente do carro e eu me abracei nele. Mais lindo que uma música, ele riu, me olhou e perguntou se eu queria namorar com ele. Me engasguei, surpresa, e disse, quero. Mas queria dizer, já estamos namorando, eu acho.
Nada mudou, mas parece que tudo está mais certo para a sociedade agora. Eu obser…

Com o dedo na ferida

Me sentindo bem comigo mesma, com meu corpo, com minha conduta, eu me sinto boa o suficiente e  trato todos igualmente. Ele me disse que o meu cheiro é melhor que o da maconha dele. Que romântico! Atirando na minha mente ouvindo esses raps e estudando essas gramáticas portuguesas.
Meu humor sempre sério, porque o mal ainda prevalece. Do que eu preciso para viver? Quem pode me dizer como devo viver? Eu amo o jeito que ele caminha, encaminha tudo, me encaminha, se dispõe a quase tudo. Cada um tem o que merece.

A metamorfose

Senti estar em um livro do Kafka. Tinha uma barata enorme sobre a cama. Vimos uma estrela cadente no céu. Chuva de leônidas, a maconha nunca acaba.
Olho para o lado ele está me dando uns grama quase todos os dias e seda.
Passo a tarde fumando, estudando e me arrumando.
Como é bom ser diva.
Tentei colocar uma camisinha fire nele, mas não serviu. Que bom, que sorte eu tenho.
Mas funcionou, tudo pegou fogo. Como somos bons nisso, como nunca nos cansamos.
E eu aturo as piadinhas machistas e todo o resto que eu odeio, já estou pré-vingada de qualquer jeito.
Milhões de orgasmos antes de dormir e quando acordo.

Meu calcanhar de Aquiles

Estou curada de todos os amores e praticamente morando nas Dores. Eu tenho comido muito bem, bebido todos os dias, tudo muito bem, bebido todos os dias, tudo muito bem, Ele disse que somos diferentes e eu sei que ele está certo. Estou comprando só coisas boas, não fico um dias sem sexo.
Gosto quando ele fica deitado na cama pela manha lendo, estudando maçonaria e me explicando tudo com as estratégias que ele possui em negócios, sujos ou não.
Só existem elogio sobre meu corpo e eu sou o estereótipo de todos eles, eu não gostei de outros assim. Pequenos. Não aceito a lição de moral de ninguém. Queridos,  já li muito nessa vida, eu sei de tudo, sobre o bem e sobre o mal, sobre tudo que o dinheiro traz e sobre todos os sentimentos humanos. E eu não sou pior do que ninguém.
O melhor som do mundo tem sido a tosse crônica dele causada pela marijuana. É a única hora que ele fica sóbrio, sem raiva de nada e cai sobre meu corpo. Me sinto branca e me sinto paz.
Escutando N.W.A. na leste numa tar…

Não deixo que nada me aflita, foda-se quem me imita

Lógico que eu estava enganada sobre tudo. Aquele preto filho da puta roubou meu dinheiro e outras coisas que preciso muito, ele é um merda mesmo, só pagando comigo agora. Já não basta todos me roubarem...
Estou encurralada. Fodida. Mal paga. Mal decidida.
Não posso gastar muito dinheiro, preciso comprar comida e preciso viajar. Eu não quero trabalhar, eu preciso é escrever.
Estou lendo Virginia Woolf e eu não tenho tempo para joguinhos.
Fui obrigada a ver a ex dele novamente, que coisa desagradável, pelo amor de deus.
Mas vou sorrindo, porque sempre me vingo antes, eles sempre pensam que me enganam, coitados, estão com suas bocas sujas agora. Todos eles. Idiotas. Se eu fosse uma louca ou algo assim iria lá hoje com o resto dessa vodca e tomaria ela na tua frente e depois quebraria ela na tua cabeça e tu nunca mais iria poder rimar. Mas eu tenho mais o que fazer, como por exemplo, foder com paus maiores que o teu, porque afinal, tu pode até comer a outra ex dele também, ela é mais fáci…

A linha tênue do amor

Eu estava na tênue linha de fogo do meu coração e tudo estava incendiando. Meu quarto, as ruas, os prédios. O amor estava entrando nos meus poros e me sufocando, ardendo. Meu pretinho preferido deitado na minha cama dormindo. Saí no meio da noite e disse a ele que iria vender uns bagulhos. Eu não sabia o que fazer, ele não pode me acompanhar na vida, é muito bom e inocente para mim. Parecia uma criança indefesa, não consegui dizer a ele que os sonhos nem sempre se realizam e eu não cumpro minhas promessas e trato minha mãe muito mal. Deixei-o sozinho e dessa vez ele não bagunçou nada. Tenho orgulho dele, mesmo que continue sempre bebendo. Não sei que horas ele foi embora, mas ele me perdoou. Me senti culpada e chorei. Não sou boa nem para mim mesma.
Desci e meu rastinha estava com cara de choro, disse a ele que só devolveria aquela balança e dormiria em casa. Ele quis me levar para fumar um. Eu fui e tive que ficar com ele, tomei uns remédios por causa daquele cachorro filho da puta d…

Buscando inspiração nos teus olhos selvagens

Fumando tulipas e degustando ervas. Ele nos acordou de madrugada para levar todo o dinheiro do pó e não há outro jeito, só o dinheiro sujo nos salvará. Comprovamos todo o poder do tarot e sempre que ele vai para o banho eu peço um cigarro para a mãe dele. Sinal verde na cama, ele é bom nisso e eu sou melhor ainda. Estou tentando escrever um conto pornô para outro blog, mas eu não tenho tempo de escrevê-lo, porque estou mais ocupada fazendo. Eu só fecho bomba de graça. Preto e branco junto é sempre perfeito. Todo aquele dinheiro nas mãos dele, eu sempre sem calcinha. Eu me lesando na janela do meu vizinho mais otário que está narrando o grenal e ao lado de uma igreja onde não param de cantar. Que selva. Não tenho vontade nem de ir no parque, nunca mais precisei comprar comida.
Nunca sei o que fazer quando olho fundo nos olhos dele, parece que me afogo.

O relógio derretido

Minha vida em câmera lenta. As horas se arrastando. Toda a exposição dessa merda de blog.
Não sei de onde tirei tanta raiva. Daquela puta. Mesmo nome e mesmas roupas, mesmo cabelo, mesmo corpo, mesmas tatuagens. "Mesmas". Sou melhor de longe. Posso ver catorze gramas de pó e ficar indiferente. Sou mais flexível, vadia.
E então eu olhei para ele se movimentando, sorrindo, fumando, balançando seus dreads e eu percebendo o mesmo rasta que eu quis para mim eu dia.
Fumando palha, pesando pó pra sair da lama econômica e fechando as portas e as janelas para os vizinhos não verem, e nem a mãe dele. Ele é tão esperto que eu não me preocupo com nada. Fechou um e me deu pra fumar. Que merda, eu pensei, às vezes ele também deve me comparar com ela, ainda que já não pronuncie seu nome perto de mim.
Todas as manhãs meu café tem proteínas. Sinto-os se mexendo pela minha boca.
A zona leste é a parte mais linda da cidade, seja dia ou noite. 

Zona vermelha

Onde nós estamos há fumaça. E o azar está todo dia tentando nos abater, mas não adianta, pois só estamos esperando pela segunda-feira,pelo sol, pela água, enquanto nosso dinheiro escorre descarga abaixo.
Estou utilizando a aula de psicologia para trabalhar e o deixando feliz por nunca ter colocado farinha dentro do meu nariz.
Alguma coisa está corroendo o meu útero, me lembra um filme horrível.
Ainda faltam dois dias para que ele possa me recompensar, como disse que faria em dobro e sei que tudo que ele diz é verdade e todas suas promessas são cumpridas, na rua é assim. Dois dias para chegar uma grande quantidade do bom. Estou esperando o momento certo para permitir a escolha entre morrer, porque meu nego não perdoa, ou me dar mais uns gramas. Eu não perdoo branquinhos. Eu não consigo acreditar que aquele pretinho ainda me procura depois de tudo e eu aceito sempre, sem hesitar.
Pedi para que a mãe dele me adotasse, pois ela não tem nenhuma filha e minha família não me aceita como sou.

Quem não me conhece que me coma

Eu sei quando é hora de escrever. Algo em mim transborda e já não dá pra guardar, intoxica minha mente e enlouquece.
Sinto os espíritos cada vez mais intensamente, consigo entender as mensagens deles muito melhor do que há anos atrás. Minha sensibilidade ardente. Meus olhos baixos.
Só escrevo bem quando consumo a erva que o rasta me dá, porque as outras colheitas estão ruins e nosso destino é provar um pouco de todas as plantações e se possível lucrar com isso e ser egoísta.
É tão difícil escrever sabendo quem é seu leitor que meus textos se tornaram ruins e eu não digo o que quero dizer nem usando minha forma indireta barata, pois qualquer um que quiser chegar perto de uma maneira estranha ficará abaixo de nós, só assim poderão nos respeitar. Vi a Bruna Vieira na TV e me senti uma escritora miserável. Ela escreve merdas e está rica e eu estou fodida. Daqui uns dias vai ter cadeira na Academia Brasileira de Letras... Que porra ser beat. Tenho contas para pagar também... Não sou irresp…

Remake de um filme ruim

A chuva lavando a selva de concreto
O racismo ainda pesando o ambiente
Poucos meses duraram nossos amores
Todas as nossas obrigações
nos impedindo de ficar a vida inteira deitados
queimando um green
Meu interfone não para de tocar,
mas eu não vou atender,
porque não é o greenman,
e eu não preciso de mais ninguém.
Tu me faz engordar e me emagrece na cama
Nem meu pai fez tudo isso por mim
Queria fazer coisas normais
Comprar lingerie e uma calça nova
Atordoados pela nossa inocência
Nascemos com ela
Nos roubaram
Todas as vezes ele quer brigar com alguém que lhe olha diferente
Eu não tenho dinheiro nem para comprar um livro
Minhas mãos tremendo de sativa
Olhando fundo nos teus olhos negros que nada invadem sem a minha permissão
Pretendendo te levar para cima
Todos os manos me pedindo atenção, e eu só quero meu pretinho
Minha boca é a melhor de todas, me afogo, me encho de proteínas
As mesmas famílias, as mesmas perguntas e no fim tudo acaba mal
O mesmo ponto fatídico que me faz perder a c…

Exclamações

Escuto das janela meu vizinho de baixo gritar: "-Todo dia esse cheiro de maconha!"
Para de reclamar filho da puta, tu não paga as minhas contas e não conhece meu valor, eu tenho Virginia Woolf em espanhol na minha cabeceira!
Tudo dá errado para mim, que vida de merda!
Não há mais dinheiro, que vontade de morrer. Não há outro jeito, eu não gosto de trabalhar, eu não tenho ânimo, eu não quero pensar nisso, eu odeio todos eles, parem de me mostrar suas músicas, eu não vou ouvir, nenhum consegue me responder claramente, não os escuto bem, só quando sussurram perto de mim.
O meu trabalho é escrever, que culpa eu tenho se isso não dá dinheiro?!
Dinheiro.
Din-hei-ro.
Quero ficar trancada aqui por um mês sem que ninguém me chame de louca.
Ninguém nunca gostou de mim como eu sou, isso é impossível, porque ninguém é perfeito.
Acho que querem me despejar daqui também, eu odeio essa cidade ridícula e suas vielas esburacadas e seu prefeitinho de merda.
E hoje em dia encho a boca para di…

Efeitos de um furacão

Estava me sentindo irritada porque eram quase cinco da tarde e eu não tinha fumado nenhum baseado ainda. Cheguei em casa, peguei uma página de uma gramática francesa minha e enrolei. Que confusão, eu já não sentia nada por nenhum deles, ainda que todos me procurassem, eu estava fora do círculo do amor cego. Eu sei de tudo agora, sobre mim e sobre os outros. Sei até que ponto ir, o que fazer. Eles só me trazem melancolia, nada além disso.
Ontem fomos nadar, como nos purificamos e ficamos felizes.Tenho mais o que fazer e ao mesmo tempo não faço nada.
Letra F, de foder, de fumar. Pouca fartura.
Como sou boa nisso.
Poderia trabalhar com isso.
Na outra noite, bebi muito vinho e alternei com a maconha. Pouco efeito fez. Estou precisando de doses maiores de tudo.
Meus orgasmos aumentaram consideravelmente nas últimas semanas e eu parei completamente de morar em casa à noite.

Sintomas de desordem

Ele prova seu amor me dando maconha e o sexo é o melhor de todos, incansável e preciso. Todos os seus atos são bons no meu conceito e ele quer me levar.
Andei enfrentando meus fantasmas de frente e me desligando da afetação que o mundo me traz. Estou aprendendo isso. Estou aproveitando todas as oportunidades para ser boa. Não consigo viver feliz de jeito nenhum, eu tenho o pássaro preso, não posso escapar. Tenho evitar as coisas que me destroem, porque posso não aguentar muitas quedas. Não antes de o ano acabar, pelo menos. Minhas rivais sempre vencem no final. Vagabundas. Esmagando meu estereótipo de beleza e me entregando a mim mesma e amando isso. Eu nunca estrago coisas que não amo, porque não toco nelas. A coisa mais linda é ele deitando na cama acendendo um fino pela manhã. Não sei como alguém pode estar tão tranquilo. Do meu corpo derrete incerteza e poesia amarga. Ele tem sido um pai para mim.

O fracasso é delicioso.

Sinto-me vazia. Parece que todas as coisas que fiz foram sem medo, mas fracassaram. Não me culpo muito por isso, vejo a naturalidade de todas as coisas, através de todos os lados, através de todos os vidros translúcidos, apesar de a maconha estar no fim, apesar de todas a poluição que há no mundo e de todas as músicas tristes de amor que eu já sei de cor, e de toda a vontade que sinto de fumar um cigarro depois do almoço na casa de família todos os dias.
Meus textos ficam lindos quando falam de amor, mas sangro escrevendo. Eu não tenho coragem nem de pensar no que sou capaz de descrever usando as palavras, porque não aguentaria ler novamente. É necessário ter coragem para escrever sem rasurar o próprio pensamento perfeito, que se guarda como uma certeza infalível.
Eu fujo da minha própria mente sempre que olho para a minha máquina de escrever. Eu imagino os travessões nas falas deles exatamente como eles disseram. Não preciso nem gravar, as músicas psicodélicas entram na minha mente e…