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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Dias quentes e curtos

Andei procurando um lugar onde eu pudesse escrever em paz e encontrar paciência comigo mesma. Muitas vezes resolvi não guardar mais rancores, foi como seu eu tivesse colocado minhas agruras escondidas em uma caixa e largado em algum canto escuro do meu quarto.
Minha máquina de escrever continua escondida, não tenho espaço para deixa-la à mostra. Fumo um l.a. de cereja enquanto observo o anoitecer de um domingo quente em que acordei com o estômago embrulhado com soluço e ânsia de vômito por beber muitos tipos de cerveja na noite anterior. Me sinto tranquila sem tomar aqueles remédio horríveis. Queria trocar alguns livros meus em um sebo.
Estou lendo casa de alvenaria, da Carolina Maria de Jesus, e amando minha escritora preferida e suas sábias palavras vou aprendendo e enchendo os olhos de lágrimas. Ando estudando bastante e arrumando os dreads do rastinha. Nada é como costumava ser, muita coisa fiz errado, mas estou tentando perdoar a mim mesma e ser melhor, ainda que devagar e ainda…

Distúrbio sem preocupação

Perdida em um sobe e desce de caixas, sacolas, móveis. Mudei-me novamente pra um lado da cidade que eu não gosto, saí do lado onde nasce o sol, odeio aquelas ruas intransitáveis de cheias, odeio acordar cedo, mas hoje ganhei um beijo na testa de uma boca que já me ofendeu, eu não sei se acredito no amor. Leio os escritos em prosa da garota arco-íris em um caderno pequeno com uma letra miúda.
Vi a dupla de vagabundas mais baixo nível que conheço, vi a girafa e sua amiguinha arrombada e não tremi de raiva, apenas olhei de longe, estava com muita pressa e não quis perder tempo com duas velhas putas. Pagadores de pau chegam perto sem medo das dsts.
Ele parou o carro, falou com os rimadores e eu os reconheci pela voz, perguntou se tinham visto aquele filho da puta ladrão, disseram que não. Entramos na leste, ele perguntou novamente ao outro rimador que disse não e mais algumas coisas inúteis. Eles beijaram meu corpo e ninguém saberá das linhas percorridas por mim. Faça sua pesquisa sobre a…

substância perigosa e vidros quebrados

O lado leste me fodeu no cu. Como sempre. Tive de ir até aquela vila leste de novo, sabendo o nome um filho da puta que havia roubado o som onde passo e aumento o volume, ele quebrou o vidro enquanto dormíamos, nenhum deles nunca gostou de mim, a zona que só quer me comer, mas sigo gostando dela, mesmo ela fazendo de tudo para que eu vá embora, estou sempre de volta e que nenhum pense que meus pés não tem força para dar pontapés, pedrada na cara, quero ver mijar de medo de mim. A polícia enquadrou uns manos na esquina, eu amo esse bairro. Nenhum deles me ajudou, seguiram com suas fardas dizendo que não poderiam fazer nada. Claro, só me enchem o saco por um baseadinho. Não interessa, tenho mãos para a justiça fazer sozinha, soldadinhos do sistema não irão me ajudar, tudo é ilusão. Tenho tanta fome que não chego até amanhã. Chamem quando encontrá-lo, estarei disposta, não pensem que porque são homens têm mais força do que eu, alguns já viram a força que tenho. Minha boca permanece fecha…

As palavras que escorrem de mim não tem preço

Desço as escadas e vejo a linda lua invadindo uma noite quente de agosto. Que inusitado, nada da minha cabeça fazia mais sentido, todos os dias olhando as noites caírem na janela e dormindo depois para mais tarde acordar nesse meu intervalo chamado férias, que merda, dez dias não podem se chamar assim. Enfim, entrei no carro e ele me levou para o Itararé, na parte mais linda da norte, bem no alto da rua, mesmo lugar em que me pediu em namoro há cerca de um ano atrás. Todos os prédios com suas luzes vistos de longe não pareciam nos engolir, estávamos fugindo da babilônia e era tão bom estar longe da cidade e então tira a minha roupa e me confunde, ninguém poderá nos ouvir, minha boca sempre foi capaz de coisas incríveis, eu me deito de costas com o banco abaixado e todos eles se perderam em vários cantos da cidade, mas não havia ninguém ali, eu podia gritar a vontade, deixo de ser atriz quando está escuro e os vidros embaçam dificultando minha visão da cidade, por isso passo meu pé par…

sobre a liberdade que me mantém desperta

Eu poderia dizer que sinto muito, se isso fizesse ele mudar de ideia. Mas não pode.
Levei minha mãe até a rodoviária, organizei todo o quarto e comi tudo que tinha nele. Li um livro inteiro da Anaïs Nin. Pensei, que merda, poderia ficar sozinha na cidade e não haveria como afetar ninguém com a pessoa ruim que sou. Meu vírus passou para o rastinha, como isso soa ruim para mim.
Dei remédio para ele, bebi, mas fumei tanto que meu corpo tremeu, pois todos os músculos estavam em contração. Facas arrastando nas ruas, um pretinho se fodeu com a polícia, e tanto eu quanto ele continuaremos incomodando os outros e fazendo com que todas as coisas deem errado. Pensamos que o efeito foi bom, porque tudo pulsava mais forte e as vagabundas deixando tudo melhor, pois todos acreditavam nas palavras delas.
Segunda-feira tenho uma entrevista de estágio em uma escola de idiomas.
Pensei em como a cidade estava lotada, vi muitas pessoas, mas estava absorta em mim.
Avistei-o do outro lado da rua. Não quer…