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Mostrando postagens de Janeiro, 2018

Mobília

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Preparei um café doce demais e me senti pronta para escrever. Quero me movimentar através da arte das palavras, gosto de lidar com elas sem ter nenhum compromisso estético, sequer existe uma escola literária para mim. Cansei de observar a cidade pulsar e apenas ter a consciência de que meu coração segue batendo. As coisas seguem acontecendo, sem interrupção. Existem travas em mim que dificultam uma publicação, mas seria bom assumir-me escritora completamente e ter um livro de autoria minha, comigo sendo a estrela principal. O ônibus com o letreiro vilaleste passa em frente de casa e sei exatamente que horas são. Meus objetos se misturaram com os seus por mais que eu tenha relutado, simplesmente levei alguns embora, mas existem tantos – destruídos também. Há momentos em que somente estar alimentado não basta. O limite da selvageria indômita é ilimitado. Eu sigo aqui, eu pertenço a esta mobília. Você me diz que eu deveria escrever um livro. Que tipo de literatura o mercado editorial ace…

Bem me quer, mal me quer

Não quero lembranças suas, minha pulsação hesita. Você me excita, cala a boca e prende minha respiração como se fôssemos realmente temporários, e não apenas corpos que acreditam ser eternos. Quero esquecer você, minha cabeça pede músicas instrumentais para que a letra não lembre você e minha escrita flua tranquila. Não quero vestígios seus, busco ficar longe do espelho para esquecer de mim também, quem sabe nesse meio tempo minhas assinaturas não sejam tão importantes assim, e eu não seja testemunha de nada. Você me alimenta, é meu suplemento. Não quero pensar em você, quero pensar em mim.
Não experimente me desconcentrar novamente como se fosse uma pequena nuvem de chuva se aproximando, o baseado queimando e o fato complacido de que você nunca voltará. Algumas coisas são definitivas.

Libação

Derramo vodka na pia propositalmente para tentar cessar meu círculo que, verdadeiramente, me detém como mera diversão. Eu não aguento mais perder o controle. Perdeu a graça andar tão trôpega...
Prefiro ver o pôr do sol do seu lado, ou ver um filmes do Walter Salles, ou sei lá, quem sabe Fernando Meirelles para variar um pouco a linha.
Gosto de ver as linhas do teu rosto e fumar contigo, acompanhados de uma cerveja boa.
Resolvo muitos problemas e coisas que dão errado na vida: contas, compras, necessidades, sonhos, gastos, saudades, vazios, insanidades, cano furado, boletos vencidos, consultas e outras coisas do gênero.
Eu acabo adorando e rogando ajuda.

Superstição

As ondas quebravam violentamente, mas com a destreza majestosa que a natureza dispõe. Tu me conduzias até o alto-mar, enquanto eu tentava te explicar que: os conselhos que dei sobre vencer não tem nenhum valor, e supostamente são descartáveis. Depois de desconsiderar todos eles, tu compreenderás logo que tu e eu estamos longe da atmosfera em que deveríamos estar. Tive vontade de gritar por um instante, mas avançávamos rapidamente, e faltavam apenas mais três ondas para completar sete. Sempre faço isso quando vou ao mar pela primeira vez no verão, acho que dá sorte fazer pedidos à Rainha do Mar sempre que nos reencontramos, não só no Ano-novo. Lembro que não via nada mais além de névoa enquanto você esteve perto de mim com os pés na areia. Foi como poesia sussurrada, pois dispersou minha mente do mundo e de sua decadência, além de dispersar minha visão. Sua voz destoa em minha mente e nunca é desagradável. Queria estar sempre com você e pedi à Ela que eu pudesse ver refletir meus olhos…

Escrevendo como Narciso

Boa música é uma tentativa de inspiração para minha escrita que normalmente funciona. Estou escrevendo para o infinitamente mulher 7. Um conto, e não poesia, pois eu me relato melhor na ficção.
Me inspiro em buk e kerouac, meus amores de verão. É chato quando a inspiração se recusa a chegar, e no fim acabo escrevendo repetidamente sobre mim. Não sobra absolutamente nada nesse vazio que me preenche. Que fastidioso é escrever sem musas, apenas observando o próprio reflexo no espelho.
Posso sonhar com a canção white mustang, mas o seu carro é tão retrô como um mustang, e é branco.
É tão difícil escrever sóbria, ainda bem que a vodka me acompanha, e faz a morte do meu passarinho parecer surreal outra vez.
Vamos para o litoral norte para celebrar a vida e a morte ao mesmo tempo, você me desconecta do real, e lentamente escorrego nas minhas lembranças cordobesas, de ruas com café e tabaco, pessoas tranquilas em meio ao meu caos interior. Você compactuou com minha loucura, está parecido a mi…