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Mostrando postagens de Novembro, 2016

Emergência

Meu ritmo está perdido. Não tenho tempo de escrever de verdade, sangrando sem pena, sem pressa, no descaso da minha própria solidão e ainda sim sóbria. Todos os meus problemas se tornam pequenos quando vislumbro meu rosto na noite, desbotado e contente, falante e prepotente, fingindo uma extrema alegria, mas morto por dentro, de saudade, de medo, de arrependimento e de confessa loucura.
Sou ansiosa, minha angústia não se limita apenas a mim, eu esbravejo e todos me encaram, estou encenando a peça da minha vida, ele costumava me dizer que eu achava que estava vivendo em um filme.
Muito bem, eu sei que seria uma ótima atriz, porque me convenço e também porque fiz um teste vocacional e artes cênicas venceu, até porque escrever não é considerado profissão no mercado de trabalho vigente.
Entre todas essa merdas escritas nenhuma frase compete com a ficção, pois as mentiras e estórias sempre valem mais dinheiro, porque a minha verdade dói, ainda que seja dita a conta gotas, nunca desmedida, …

Ultraviolência

Você me deixa suspensa e quando acordo já não lembro se sonhei, mas vi teu rosto tão de perto, depois de anos sempre acordo assim quando te sonho, você me violenta e meu coração não se acalma, é como um jazz triste que arrebata meus ossos. Você me odeia, mas nos sonhos posso ficar perto do teu rosto e ver dentro dos teus olhos toda minha loucura refletida. Tenho medo por mim, sei que tudo mudará ainda mais, nunca quis deixar ninguém triste ou decepcionado, mas decepcionar é comum em mim.
Tenho pensado em todas aquelas coisas que doeram mas me fizeram ser quem sou, nenhuma delas me libertou verdadeiramente. Apenas as palavras me mantêm firme e avante, como um prelúdio da felicidade ou um samba tocando ao longe.
Nenhuma parte de mim é inteiramente solitária e todas as minhas lembranças se misturam com sonhos, e já não sei o que realizei na vida ou idealizei demais pra no fim ficar sem nada.

Leveza...

Eu sou a única culpada por você não me amar, e entre tantas outras coisas, admito que te amei como ninguém. Como uma chaminé vim tentando expressar o meu jeito único, para que ninguém confunda, para que todos tenham certeza quando me vejam de que sou assim por poder sê-lo. Todos os meus desejos se realizando e meu contrato quase acabando, meu dinheiro também. Enquanto eu puder comprar livros, serei feliz e repleta das pequenas alegrias da vida como abrir um livro ou sentir o cheiro da chuva. Quero em breve sentir as ondas do mar beijando meu corpo. A liberdade sempre tem um preço caro e uma imensidão tempestuosa, não consigo chegar até ela sem me machucar completamente e sem dizer as palavras certas. Não tenho tempo para entender porque eles se comportam assim, nem mesmo de me fazer observações sérias. Parece que me protejo demais. Minha voz alta é reflexo das minhas loucuras dissimuladas, mas que são muito reais e contraditórias, por vezes entendo que ninguém me entenderá. É exatame…

O invasor

Eles cheiravam sem canudo e acharam que eu ficaria contente com tudo isso. Sou uma vertente inocente no turbilhão que me destina o ócio de ser quem sou, sem que nada dê certo e o vinho me abale profundamente enquanto não suporto nenhuma voz perto de mim.
Não há pistas, apenas um desentendimento interno e infundado no qual eu me meti, reavaliei a situação e permaneço ciente de que estou certa e minha parcela de culpa segue incalculável.
Sobre as coisas que aconteceram eu realmente pouco me lembro, apenas o ladrão da noite de novo furtando teu carro na distração de estar no lugar certo. Mesmo com eles pegando aquele homem ele não era o certo, ele apenas catava lixo. Chutes não ferem inocentes, mas a culpa daquele cara é racional.
Meus sonhos sobre minha liberdade me acalmam, estou extremamente abalada com a minha desgraça para estar em luto com minhas lutas que eu perdi.
Ele me dilacera por dentro como se eu tivesse culpa e como se meu corpo pudesse aguentar. Aguentar a demora para cheg…

Lápide

As velhas músicas de mala rodriguez tocando e minha cabeça desacostumada, minhas mãos inadvertidas, meus receios, todos desapropriados de mim, porque eu me desenvolvo muito bem, conforme você dê abertura para isso.
Mas minha amiga arco-íris, eu confesso que também tenho sonhado com ele e é muito fácil perceber pelo meu olhar cansado que sonho porque é a única maneira de senti-lo, cada pedaço como se fosse a primeira vez, mas foi a última. Sonhos voam, como pássaros. Não busquei a melancolia, ela que veio até meu encontro, e me descobriu desassistida, embora ágil para me depredar, até meus pensamentos me soam muito mal de vez em quando.
Já mencionei o quanto sinto falta dele e não digo? Depois de noites pequenas sempre vêm noites grandes. Mas depois da morte, não vem nenhuma noite.
O parque anda pequeno pra tanta desgraça e eu confundo teu nome com saudade. De onde tirei tanta loucura?
Pintei ainda mais meu corpo, a mulher perfeita, muerta y mía. A morte dela me doeu muito, mas toda a …

Guerra de Independência

Olhar dentro dos olhos dele assim de longe, sabendo que ele foi embora por minha causa, me causa tédio. Porém quando lembro que vou ficar longe dessa loucura que está meu país, desse meu Brasil lindo que eu amo, onde tem palmeiras, não há luz sem imensidão na minha rotina, por isso preciso quebrá-la. Estava destinada a fazê-lo. Quero estudar línguas, quero prepara-me para a educação.
Onde estive e andei, tentei decifrar essas expressões especiais que notei em você, não sei muito bem como eu me detenho fora da completa imaginação que teus lábios podem causar em minha boca, queimaduras intensas. Meu próprio perfume reconhece todas aquelas épocas, eu estou fadada a mim mesma, meu discurso está parcialmente mutilado, estou com vontade de voar para muy lejos.