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Mostrando postagens de Maio, 2015

Monólogo interrogatório

Eu estava tentando não machucar ninguém. O tempo todo. Não pude evitar meu fracasso e sucumbi, cortei todos eles, amando de mais, transbordando através dos olhos escorrendo a dor de me sentir má, mesmo quando todos me digam que não sou, que sou normal. A verdade é que eu não sou, meu transtorno me dissolve em dor e tédio. Eu traio a mim mesma toda vez que renuncio meu próprio coração gritando e sempre a beira da loucura, no fim da linha, em cima do muro. Eu gosto quando estou dormindo e não faço mal a ninguém, e minha mãe não sabe que me sinto doente em minha cabeça, e leio virgínia woolf e não me arrependo de nada, porque é por isso que sou quem sou.
Tenho medo de ler as cartas para mim e não sei o que dizer a eles. Todos os outros se tornaram casais ridículos. Queria que os balões dessa cidade levasse algumas pessoas para o inferno. Onde encontrarei as palavras que preciso? Gramáticas e livros e músicas não podem me ajudar e parece que estou pulando de um penhasco, como se faz para …

A teoria do contágio

Me peguei fumando um de pontas e pensando no fato de que se tivesse escolhido a cidade certa, teria ido para lá, mas escolhi essa e não aquela perto da praia. Talvez eu não tivesse influenciado tantos e virado problema sem solução. Mas também não teria construído bons textos e relações que agradeço. Enalteço-os, ensino-os em todos os lugares, falo mal de quem eu quero e pode vir que eu não pago pau pra vagabunda que não dá lucro, pego me mesmo, que nem troféu, disse a ele que ela não aguenta, e é verdade mesmo. Mas chega, podem todos falarem mal de mim também, sei que falam, falam sem saber, sem ter estado lá, nem saber das pretensões do meu coração, tudo que eu mereço e que todas as ruas me deram, eu não tenho como agradecer a não ser brindando assim, fazendo tudo que eu mais gosto na maior dose possível, e de nariz limpo, eu sempre serei assim, nunca fiz mal à ninguém, eu não pratico crime nenhum, eu gosto das coisas boas e simples.
Desculpem, eu sou assim, se estou ofendendo talvez…

A cadência do amor é sempre imprevisível

Cinco da tarde, hora de ir pegar minhas roupas na casa do rastinha. Estômago destruído desde o dia anterior, sensação ruim, como quando era pequena e fazia merda e meu pai brigava comigo. Então era mentira que ele havia separado minhas coisas, nenhuma agulha havia sido mudada de lugar. Ele fechou a porta do quarto, eu e ele. Me pedindo desculpa como se fosse o culpado, me dizendo que não consegue ficar longe de mim, chorando e tremendo nosso abraço, me pedindo para voltar. Eu me envergonhei por não conseguir chorar, mas sabia que não havia outro jeito, já que ele havia me abandonado de um jeito horrível. Sei que não deveria ter deixado ele me beijar novamente e nem chegar muito perto de mim ou ficar sozinha, mas juro que não esperava que ele quisesse de volta.
Me senti meio frustrada por não ter certeza do que me fazia bem ou não, por não saber o que sentia mesmo, o que precisava, porque não é fácil estar sempre à beira da linha de sanidade, indo e voltando, sem parar, muitas vezes ao…

O fabuloso destino de Chinaski

Corri do bairro, saí porta afora sem nenhuma palavra mencionar, permaneci com a mesma roupa por dois dias, caminhei muito. Encontrei minha mãe e soube que sempre continuaríamos tendo o mesmo tipo de relação, eu reclamando do mundo e falando sobre o quanto ele é injusto sem antes resolver os meus próprios problemas, que no momento o principal -porém jamais o único- era não ter um lugar para morar, e correndo para o colo dela quando tudo estava mais do que fodido. Repensei sobre mim mesma, se queria permanecer pelas ruas ou voltar para casa dos pais, quentinha, alimentada, plena. Plena de quê? Já não sabia mais de nada. Me arrependi por algum tempo, me senti uma pessoa muito ruim, uma cadela destruidora, mas não sou não.
Fui para a casa da minha anjinha e me refugiei em meio a todas as lágrimas, músicas, vários baseados e cigarros. Ela disse que tinha assistido O fabuloso destino de Amélie Poulain e que a vida dela era fodida igual a nossa. Estava sem fome, mas fomos ao mercado. Meu pre…

adeus, rastinha inocente

Todo o meu tédio descapacitando minha capacidade de decisão. Então ele olha nos meus olhos e diz quem é meu pretinho lindo e cheirosinho. Sabia que seria assim, ele descobriria tudo, que ridículo achar que estaria para sempre com alguém que não é meu sonho. Talvez ele nunca saiba nada verdadeiro sobre mim, mas com certeza saberá que eu sou a pior de todas. Serei sempre a pior que alguém poderá lembrar ainda que ninguém entenda como isso pode ser possível. Meus relacionamentos nunca são duradouros, mas é porque eu não sei administrá-los. Quase nunca falava dele assim, mas ele continuará a mesma pessoa, um pouquinho mais amargo, mas eu não me incomodo, porque geralmente quem pouco ocupa minhas linhas, pouco ocupa minha vida.
Espero que não seja tarde para ir atrás dos meus pais, porque agora novamente não tenho onde morar. Nunca tive de verdade. Mas tudo bem, pelo menos nenhuma vagabunda me afeta mais. Acabou o pesadelo. Novamente terei de comprar meus cigarros e maconha. Admitindo o fa…