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Mostrando postagens de Fevereiro, 2016

Alta tensão

Tentando transformar lágrimas em poesia, como é difícil contemplar minha alma vazia... Que triste é estar tão longe da família, cigana perdida no mundo, cosmopolita por natureza, minha beleza não faz caso nesse mundo, transcende os estereótipos impostos, não existem manuais de instrução.
Como gostaria de poder estar longe também, mas infelizmente não fui longe em alguma metrópole despertencida, fiquei nessa merda de cidade sem razão.
Estou altamente decepcionada. Estou completamente perdida. Saldo bancário zero. Sem recursos próprios de ervas para te oferecer numa tarde de ócio, não estou ignorando ninguém além de mim mesma.
Onde fomos parar naquelas noites cheias dos teus sorrisos plenos iluminando as ruas da cidade, pretinho? Quantas meninas te tomando de mim sem pudor algum, te conquistando assim, sem muita luta. Dessa vez não há ninguém para segurar minhas lágrimas insensatas.
Suo frio, me tapo, me destapo, Carolina na cabeça, misturei-a com Eni Orlandi, Pêcheux, Bakhtin e Foucaul…

Fora do padrão capa de revista

O hospital estava como sempre foi, cheio de gente, camas nos corredores, estupidez no atendimento, quantas vezes fui barrada e não pude vê-lo, guardinhas vagabundos, mas de que importa se não chamaste ela para ficar contigo por horas esperando pela cirurgia, porque afinal adora quando ela frequenta essa merda de bar, não me interessa mais nada sobre o que aquela vagabunda desperta em vocês.
Enfermeiras ridículas me xingando, por que elas mesmas não fazem o próprio trabalho caladas?
Estou sempre fora do padrão capa de revista. Difícil de conquistar, facilmente irritante, altamente decepcionante, constantemente inspirada pela erva, todos os dias esperando a disposição surgir de repente em mim, mas não encontrando nada de bom em meu âmago. Em que canto desse quarto perdi meu pincel para poder pintar meu cabelo, em que lugar está a lembrança do meu reflexo dentro dos teus olhos? Estou ansiosa para me libertar. Opressiva, um tanto expressiva, porém nada nada inofensiva. Ofendo bem no ponto…

Frívolas palavras de uma quinta-feira

Não há nenhum cigarro para fumar, mas quem disse que preciso fumar cigarros e impregnar o cheiro deles em mim? Não encontrei nenhuma casa.
A necessidade do silêncio me faz terminantemente adorar Florbela Espanca, com seus trejeitos semelhantes aos meus, passionais e efêmeros.
Haverá saída para o meu isolamento semipermanente ou estarei exclusa de mim mesma?
Chacoalhando no ônibus todos os dias, tento fazer com que a cama se mexa dez vezes mais, quando haverá alguém melhor que eu nesses trabalhos? Quantas vezes terei que juntar tanto dinheiro? Todos os dias vou ter que bater em alguém e esse alguém será você e para foder mais de uma vez por dia, porque quantas vezes serei tão boa nisso? Para no fim nunca olhar os preços, porque se é o dinheiro que ganhei, então gasto do jeito que quero.
Dias ininterruptos, caminho para qualquer lugar no sol escaldante, difícil encontrar algo bom nessa cidade derretida, sonhando com a praia, sedenta demais para ter alguma reação além de fumar tanto verd…

Boa de briga

Destituí a mim mesma em meio ao caos.
Tomei um doce à tarde e à noite e bebi umas 15 latinhas de cerveja aromatizada: tangerina e limão.
Fumei uns quinze baseados.
Lá do alto do prédio não vi nada além de outros prédios atravancados. Fiquei sem ar e tive que ir até o parque, como posso ficar em um bar de esquina em que desrespeitam as mulheres?
Aquele macaquinho de pelúcia me olhando injuriado e eu, sem ter culpa de nada, tento te desvendar e não obtenho sucesso.
Ele colocou as mãos sobre mim sem muita vontade e eu segui dizendo a ele o quanto estava cansada e ele segui defendendo os maiores machistas e as maiores putas da cidade como se eles fosse homens de verdade, mas são homens de mentira, bonecos sistematicamente programados para serem assim, não há mérito em suas lutas hipócritas.
Dizem que eu estou errada, que estou tendo um ataque, mas não. Estou completamente ébria de sobriedade, eternamente reflexiva àquilo que me desagrada.
Não me contradiga, gosto de acreditar que estou se…

insistência sem futuro

Peguei umas taquaras do chão para fazer maricas.
Olhei bem dentro dos teus olhos enquanto estivemos fodendo. Não é assim que gosta de dizer, desse jeito horrível e sujo? Quase um impropério...
Procurei o silêncio para escrever alguma página, para tentar decifrar-me em vão anos a fio, sem jamais parar, mas muitas vezes perdendo o equilíbrio fatalmente nas quebradas insanas, vinte anos, então.
Não encontrei nada no silêncio além de vazio e pequenos ruídos idiotas.
Nunca procure descobrir o porquê de minhas palavras soltas e completamente mal interpretadas.
Não queira saber porque gosto de quebrar regras ou porque quero dar aula de literatura.
Pense no meu sujeito em análise de discurso.
Quantas facetas podem existir de apenas um ser?

Inevitavelmente...

Sente perto de mim e perceba que meu perfume não é especial como deveria ser. Perceba o quanto estou suando, perceba o quanto estou estimulada, não muito para viver, mas muito para entender devagar, mas querendo velocidade, perceba comigo que: a base deles é a melhor de toda cidade, as outras só imitam e rimam em vão. Ficaram para trás em alguma daquelas esquinas, imitando também os lugares em que eu costumava ir e ainda dizem que sou nova... Anos de corpos sem rostos.
Em quantos anos a Dilma quer que eu me forme, por acaso quer que seja em 2020, sendo que deveria ser em 2018? A vagabunda não me pagou.
Inevitavelmente, estou invadida de indecisão, confusão e insanidade. Inevitavelmente, faço de mim apologia e apogiatura. Inevitavelmente, fumo um cigarro ou outro...
Me explique quanto tempo devo esperar para flutuar esta noite com você.
Young rich nigga smoking weed when i wanna...
Jamais me pergunte o quanto sinto saudade de foder com outros quinze, sexo indiferente, para não se surpr…

beije meu corpo lentamente

Deixe-me que eu diga o que você parece fazendo todas as coisas certas de um jeito que eu nunca imaginei que alguém faria, te ensinando, te protegendo, eu sempre faço o possível para explicar quem sou para quem eu amo, mas com você não consigo, talvez você fugisse de mim desesperadamente, ou talvez jamais me deixasse partir, como na maioria das vezes é o que acontece e eu me surpreendendo, lendo Bukowski no meio de uma tarde de sábado, legalizando os ambientes, onde estávamos quando paramos na sala nessa tarde quente?
Feche as janelas, tire minha roupa primeiro, olhe-me de costas, fique sem saber o que te atrai em mim a não ser a minha bunda, olhe dentro dos meus olhos, nunca tive solução para o desejo a não ser deixar que as tentações se realizem de uma vez.
Desvio o olhar, tenho feito o possível para não enlouquecer amadurecendo como uma fruta pendendo em um galho.
Buscando cartela de doces pela manhã para vendermos e tomarmos a metade. Com um Jimmy Hendrix de um lado e outra merda n…

Mente derretida pelo calor dessa cidade sem graça

Um enxaqueca terrível me atingiu nessa última noite, de modo que não consegui dormir, fiquei apenas suando frio durante a noite e vomitando de hora em hora tudo que eu comia ou qualquer remédio que eu tomava. Extremamente tonta, vomitei até a bílis verde, meu estômago se esvaziou e fumei um para aliviar. Dormi feito pedra e tive sonhos escatológicos. Que dor no meu nariz por causa do soco que ele me deu sem querer no meio de uma de minhas brincadeiras eufóricas em que tenho um ataque e me balanço com violência para testar a paciência dele e a força, provando que a minha é maior.
Acordei querendo água, fomos de moto até Itaara, tudo intransitável, trancada, nenhuma água, tudo seco, tudo vazio. Fumamos um na pracinha onde já não havia lago. Balancei-me no balanço e fiquei descansando com esse verde bom que compramos hoje.

Tarde demais para sorrir

Fechei as janelas para ficar a sós com a morte, conversar com ela por alguns minutos. Ela nunca diz nada, ela apenas nos engana o tempo inteiro. Semana passada me visitou, eu não pude fazer nada, apenas percebi o barulho do carro, disse em voz alta que não queria ver. Mas vi. Pobre Cannabis, com sangue saindo pela boca. Já perdi tantos animais e hoje acordei chorando, pois sonhei com minha gatinha, ela estava tão próxima, eu podia abraçá-la, mas agora ela está longe, bem longe, pode ser que eu nunca mais a veja. Acendi um cigarro longo para observar a chuva caindo e todas as minhas respostas escorrendo pelos boeiros. Esse mês não vou receber.

Três passos para a loucura

Me leve pelas luzes da cidade, raramente segurarei sua mão, não gosto de exposição quando você me desvenda e devolve o reflexo em meus olhos, ando meio triste, não me confunda com ninguém quando eu quebrar o ventilador e jogar copos na parede, eu sempre fui furacão.
Espero que todos eles consigam viver bem com minha ausência, se eu morresse agora, morreria feliz, meu amor. Em todos os lugares vejo teu rosto, com meus olhos momentaneamente pequenos e confusos. A noite sempre nos faz parecer selvagens e jovens, como crianças inocentes. Nos ilude com suas luzes ofuscantes e eu olho através da janela do ônibus sem saber porque acabei ficando aqui, mas sabendo exatamente o por quê.
Arrepie meu corpo com promessas falsas, porque o tempo levará tudo de nós e todas as lágrimas escorrem de meus olhos quando fico sozinha entre quatro paredes, mas não tenho chave caso alguém me pegue tão triste. Minha doença sempre será essa, com os mesmos passos repentinos: estranheza, raiva e arrependimento. M…

Não quero ser teleguiada

Nos últimos dias, tenho estudado muito a nega Carolina, sinto uma identificação com essa mulher tão instigante, pelo seu fascínio pelos livros, pela sua grafomania, pela sua dificuldade de encarar a vida e principalmente pela sua vontade de lutar contra o poder, mas também fazer parte dele. Vidas atabalhoadas, não é, estrela Carolina?
Despedi-me de meu pai e de minha mãe com lágrimas nos olhos que se transformaram em soluços longos e solitários, aos quais até mesmo o Rastinha não resistiu e acabou deixando cair uma lágrima também. Queria ir para Curitiba com eles, conhecer pessoas diferentes dispostas a ouvir meu discurso de revolta, uma universidade nova que quisesse talvez me guiar. Mas não pude. Precisei ficar, precisei enaltecer minhas raízes, por que eu haveria de mudar-me se meu lugar eu quem escolhi e acabei construindo a mim mesma, meus objetivos não tão claros se formam por si só, atrás de uma cortina, não consigo vê-los direito, mas sei que se trata de mudanças. Agora que ap…

Turistas de olhos calmos

Iniciamos a viagem rumo ao litoral, o vento entrava pelas janelas do carro branco e eu ia no banco da frente fechando vários para fumarmos. Chegamos em Porto Alegre, adeus freeway, paramos, tec tec tec, fundiu o motor do carro.
Descemos, nós quatro, e aguardamos um táxi que nos tirasse da estrada, levasse embora. Tomamos um ônibus e seguimos até outra cidade, de lá, para outra, corremos muito, o calor logo diminuiu quando chegamos a Tramandaí. Siri, camarão, cervejas, perfeito. Estávamos feitos ciganos. Adquiri intimidade com rodoviárias. Voltamos, tomamos outro ônibus, enfim chegamos em Floripa. Por que tanta demora, por que tuas luzes não me iludem, tua magia não me corrompe, cidade de praias lindas? Vários branquelos chatos, sotaque lembrando o português de Portugal, rudeza em tratar os outros e invisibilidade minha, a não ser quando atravesso a rua na faixa de segurança e me sinto segura ao menos, pois todos param sem que eu precise olhar para o lado. Também sou invisível quando f…