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Mostrando postagens de Abril, 2017

Algumas palavras sim

Divago devagar sobre minha pressa de chegar, esbarro novamente sobre minhas atitudes e não as enfrento bem quando vejo tanta bagunça. Os detalhes nem contam nesse e em outros casos que existem. Só mesmo fumando um porro em meio aos restos da festa anterior, da qual mal participei. Porque fiquei longe de todos. As verdades que publicam não são tão mentirosas assim. Depois de me sentir mal por ver vômito, os outros detalhes prometo não dizer, por mínimos que são. Eu quase não falo com ninguém, mas sei quem são, interculturalmente falando eu gosto de vocês. Mas faltam pedaços dentro de mim, para resumir eu diria que é assim mesmo e nem todas as palavras quiseram expressar algo ruim.
O ônibus parou com o motor estragado, e eu pensei estar na autoestrada do sul, de Cortázar. Trancada para sempre naquele extrato de tempo, observando jovens com mochilas de acampamento bebendo fernet enquanto esperávamos resgate. O distúrbio muitas vezes é permanente, mas os efeitos da natureza e da química jama…

Jornada perigosa

Te sinto como um vento de tormenta, como uma onda violenta que me derruba numa praia deserta. Em meio à chuva fina e ao frio, eu caminho com pressa, pressa de te encontrar em algum lugar. As ruas da cidade sempre movimentadas, cheias de protestos e bombas, querendo espaço verde ou relembrando a ditadura, o clima é sempre de tensão e confusão, mas no fim eles conseguem o que querem nessa luta sem fim. Nossas lutas brasileiras não são reconhecidas e apesar de tantos guerreiros não há avanço rumo à vitória. Nosso canto é ensurdecido pela escolta e ninguém consegue salvar seus filhos da imposição de um governo de ideias retrógradas. A minha intenção é sempre boa, porque eu gosto de existir nas margens, ainda que os argentinos sejam bastante mal educados, achando que podem mexer em tudo que não é deles, falar qualquer pavada, dizer um chamuyo qualquer, passar no sinal vermelho e buzinar para quem está na faixa de insegurança. O canto dos cordobeses é involuntário, assim como minha irritaç…

Inofensiva

Comendo folhas de coca bolivianas e discutindo a política de línguas brasileira. Minha língua adormece.
Os colonizados serão oprimidos até quando? O sonho da oprimido é ser opressor, por que razão?
Me perco entre minhas memórias de amor, e me detenho em nós, porque todo o resto se afastou de mim, me deixou estar em paz contigo, todos os pecados desapareceram. De alguma forma, aprendo a ser livre nesse mundo externo que criei, os astros me fazem única e brutal.
Durmo mal e acabo tendo aquela sensação que todos conhecemos: quando desejamos intensamente dormir na aula, naquela atmosfera em que parece um sonífero, a voz da professora.
Queria guardar o cheiro dessas ruas em um potinho para nunca esquecer-me dele. Acredito que andar distraída não é necessariamente sinônimo de cegueira.


Desvanescer

Para arco-íris, que se sobrepõe após as tempestades.
Sinto-me insuportável para mim mesma, quero destruir tudo que está a minha volta, quero destruir a mim mesma, porque no fim, eu sou o problema de tudo, eu não merecia ser quem sou. Desmedida e poluída, esta sou eu, minha boca só serve para coisas sujas, pois mente e desmente, jamais diz o que quer e sempre se submete a tudo.  Queria poder dizer o quanto não quero, mas minha boca insiste em dizer sim, porque não sabe dizer nada que deveria, o certo seria expressar vontade, a desvantagem é a pobreza de meu espírito, meu descaso comigo, pelo meu interior empobrecido. Eu sinto o caos em mim causado por mim mesma, eu sinto a dor das paredes frias e o conceito de felicidade morreu, desapareceu minha vontade de viver. Tudo é triste, desconcertantemente gris, abalavelmente inconsistente, consciente deprimido em meio a dor de não se ser o que se quer ser, pois todos os sentidos estão bombardeados, toda a inocência perdida. todos os sonhos nu…

Ilimitada

Não me limite, eu não tenho destino certo, quando me ver de novo duvido aguentar não me tocar, na minha história toda ninguém resistiu, onde eu vou estou cercada de olhares, uns ousam dizer o que sentem, outros não.
Não me limite, eu posso causar grandes confusões quando estou sozinha, pesquise mais para perceber o quanto não sabe nada sobre machismo, e agora perceba que todas as minhas doenças são reflexo da minha coragem, querem só me comer? Também quero só dar. Fiz vídeo e foi viral em toda leste? Foto das minhas amigas peladas vazaram por toda vila? Repete que eu acho bonito, acho mesmo, não é crime nenhum aparecer, meu corpo todo de musa, eles e elas querem ver, anonimato eu não enfrento, eu simplesmente cumpro a pena de ser eu mesma. Não me surpreende que você não saiba o quão machista é, sem vontade alguma de vencer o sistema.
Não me limite. Você não pode falar de minhas dst, porque não tem proceder, eu na juventude caí na conversa de vários, eu bebi várias garrafas com líquido…

Arco-íris e Tristessa

Eu terminantemente pude ver que apesar da névoa dos anos nós nos amamos muito, e a amizade construída jamais morrerá, pois é verdadeira, até o amor conturbado superou. Era realmente amor? Ou uma paixão fugaz? Talvez nunca tenhamos certas respostas, mas não importa, pois a tempestade passou, e ela se comportou como um verdadeiro arco-íris que vem depois da tormenta. As nuvens negras sumiram, e minha arco-íris se transportou para mim, mesmo tão longe trocamos palavras verdadeiras, as quais jamais poderíamos dizer frente a frente, e eu sei que muita gente falou de nós, até docentes, quiseram nos dar conselhos furados, nos limitar e conceituar, mas nada disso está nos livros, queridos, eu sinto muito em informá-los, ainda que tarde demais, mas vocês somente atrapalharam, não ajudaram em nada, nós mesmas resolvemos nossos problemas juntas, e não sozinhas como vocês desejaram que estivéssemos.
Ela falou de minhas semelhanças com tristessa, a índia-prostituída-junkie-decadente, eu adorei a c…

Lacras marginales

Uma garrafa de vodca com suco de pomelo rosado descendo garganta abaixo e todas as mágoas engolidas. Estivemos por las calles na chuva fina, e e a uruguaya novamente, procurando no parque de las heras alguns antros ou boliches, encontramos clubes de metal, de quarteto, eletrônica e de hip-hop, queríamos entrar no babylon, mas não tínhamos nem cem pesos, então ficamos por aí, até que dois filhos da puta vierem silenciosamente e arrancaram e rasgaram a bolsa dela sem nenhuma palavra sequer, covardes idiotas, correram rapidamente e ela gritou, fiquei com pena, pois ela perdeu seu celular e alguns documentos, cigarros e também a confiança nessa cidade, mas a rua é assim, ela sempre te ensina algo. Estivemos nervosas e esse relato expressa o quanto as mulheres são vulneráveis, ainda que seja cedo da noite, mas por estarem sozinhas são as escolhidas para todo o mal do mundo.
Ele me manda ouvir o álbum I want you, do Marvin Gaye, com aquela capa lindíssima e bastante expressiva, e eu me derr…