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Mostrando postagens de Julho, 2015

vento de chuva

Assistindo ao entardecer pela janela de um novo quarto no quinto andar, nas Dores, olhando o sol se esconder em meio aos prédios e pintando as unhas de rosa. Todos nos apinhávamos para viver, uma portinha para cada um, um sobre o outro, espaços milimetricamente calculados, metros quadrados exatos.
O vento dava uma brisa leve àquele dia de inverno com cara de verão, eu vestindo camiseta, meninas com saias, vestidos e uma sensação boa percorreu meu corpo, de repente já não me senti tão lixo, já não precisei de nada, já passou o efeito da forte de miligramas misturado com verdinho.
O vento na minha cara, indo até a rodoviária, sentindo-me muito cansada de tanto subir e descer escadas com mil caixas e sacolas e malas e livros lindos.
A noite caindo e meu coração apertando. Tocava O cheiro dela não sai da minha cabeça... Eu me balançando no carro, eu adoro essas ruas, eu quase não digo uma palavra, apenas sorrio e faço todas as coisas que devem ser feitas, duvido que alguém aguente todos o…

fim de semana bucólico

Tomando café  preto pela manhã, depois de ter ficado um dia sem tomar nenhum remédio. Apenas tomando chimarrão e comendo muito churrasco. Pedindo cigarros para ela como sempre, e ela pacientemente me dando longos abraços de saudade. Dando pegas aleatórios nos baseados dos outros, vez ou outra me descontrolando, fechando a cara, ficando num canto. Meu cabelo voando naquela estrada, fechando um dentro do carro e prometendo dar somente alguns pegas, mas dando vários. Tive a impressão de que ninguém queria minha presença ali, mas estava errada, era tudo paranoia minha. Quase tudo parecia estar no mesmo lugar, eu é que andava de lá para lá, confusa, endoidecida. Derramando lágrimas com muita facilidade quando o pretinho falava de nós dois. Sou chata quando cruzamos a mesma trilha e eu não quis chegar até a cachoeira. Sabia que não deveria ter fumado tanto, sabia que cairia, que não estava afim, que sou uma vaca. Por isso, não fui, ficamos emburrados olhando os morros tão belos que me sent…

Espuma e ódio

Fechei a porta e examinei meu redor. Ele começou a bater. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. Porra! Não há mais privacidade comprada por quatrocentos e cinquenta reais? Qual a sensação de ser meu único amigo agora?
Abri já irada, ele não sabe do que sou capaz. Perguntou por ele, tom de voz aumentando, meus batimentos também, cega de raiva, disse que ia embora. Ele disse para que ele cuidasse como falava comigo. Combinamos com teus pais assim. Vá se foder! Sou velha já para todos me tratarem como criança. Tu é grande, mas está na minha casa. Porra, onde está o amor à própria vida? A faca sobre a mesa e quatro mil reais na carteira. Branquelinho levantando a voz para mim não se cria, mas as minhas coisas estavam ali, então contei até dez como a psiquiatra ensinou-me. Saí, bati a porta. Quis matar. Quis morrer. Não, matar era melhor. Matar todos eles. Torturar. A mãe dele apareceu e disse que não queria bagunça no prédio.
Entrei no táxi, suíte 16, mesmo número do prédio do centro de educação…

Destoada

Chorei e sufoquei, timidamente minhas lágrimas foram caindo, agarrada às barras do ônibus, balançando, em meio as patricinhas que não cedem seus nobres lugares na frente para idosos de muletas e bengalas nem para pais com seus filhos no colo, em meio à músicas que me emocionam e me tocam bem no fundo da alma, das lembranças. Nenhuma dor dura para sempre, mas quando existe é devastação. Não há palavras, apenas fome. Pessoas idiotas me ligam e perguntas sobre suas burocracias idiotas às quais não sei resolver, me xingam. Professores me dizem o que fazer e sabem que sou um péssimo projeto de secretária, porque nunca pergunto quem é no telefone.
Não sabia mais o que fazer com meu vazio, indisposta para tudo, comendo muito mal e não vendo onde estava a graça nesse frio tudo e em toda essa miséria.
Rendi-me. Sentamos na calçada daquela rua em que os carros só sobem em frente ao prédio que estou morando e fiquei de pijama no colo e emudeci, fiquei séria, faz tempo que não sei o que é um sorr…

coisas mortas por mim

Ainda não são nem duas da tarde e meu corpo não aguenta esses dias nublados e vazios. Eu devoro livros inteiros para preencher algo em mim, meu tempo passa devagar e sigo fumando uns cigarros tentando não umedecer meus olhos jamais calmos. Quero rasgar todas aquelas coisas, eu jamais vou ser objeto de ninguém, não sou uma fantasia sexual, vou colocar todas aqueles brinquedos sexuais idiotas no lixo despedaçados, como daquela vez que quebrei tudo e rasguei as coisas daquele branquelo, isso dá prazer em mim.
Tudo se arrastando a minha volta e não há volta.
Ouço o caminhão do lixo passando no meio da noite, fétido, levando tudo que restou de nós, rasgado por mim, destruído por nós, levado por eles.

bomba relógio

Minha cabeça andava doendo como se estivesse prestes a explodir, tive vontade de bate-la na parede diversas vezes. Talvez fosse excesso de raiva, mas de alguma maneira estranha eu já não sentia vontade de quebrar tudo, lançando objetos nas paredes ou não calculando minhas palavras e ações. Me senti livre depois de muito tempo e pude ir aonde eu quisesse apenas por vontade própria, sem pressões, sem perseguições.
Fui até a norte, não soube explicar o quanto gosto do meu pretinho, então sentamos sobre os túmulos no cair da noite não tão fria e esqueci as coisas ruins que faziam de mim uma pessoa muito ruim, que fodia completamente a vida dos outros. Acendi um bom, traguei. Observei seu rosto lindo na névoa, naquela súbita luz que os clarões que anunciavam chuva faziam surgir no céu fazendo com que por segundos parecesse dia e eu pudesse observá-lo com mais precisão. Minha cabeça pesou e naquela noite não havia estrelas.
Entramos e comemos polenta. Deitamos e lentamente fomos nos amando,…

saudade das coisas que as ruas viram

Nos deram as chaves erradas e não conseguimos entrar, mas não será nossa última chance. Nenhum deles quer que as coisas deem certo para nós duas e nós seguimos meio perdidas, fomos aos mesmos lugares de antes e a fumaça que fizemos purificou o ar chato dessa cidade que pesa em mim.
Eu andei pela chuva e tudo parecia como deveria ser, como eu sempre fui e uma parte de mim quer partir, então me arrumo e corro para onde há bastante possibilidade de fumar e se sentir incomodada consigo mesma. Bebi cerveja, não quis mais vê-las e continuei tomando aqueles remédios. Tudo dá errado para nós, mas mesmo assim estou lendo meus livros preferidos, Anaïs e Buk, eu andei pela cidade procurando alguns pedaços meus que se perderam nos corpos deles e apenas achei músicas que lembrassem tudo o que aconteceu. A arco-íris me levou para passear, almoçar e comer sorvete, eu não dou satisfação à ninguém! Eles me deram tudo que eu quis, mas as consequências são muito difíceis. Não quero voltar e desistir ago…

Chinaski no país do espelho

continuo sentada aqui às oito da manhã, tonta de sono e fumaças. Voltando aos mesmos lugares e percebendo os vazios dos móveis da casa e aquelas ruas sempre são as mesmas e eu corro com baseados nas mãos e demoro para te encontrar e também já não sei o que dizer.
Comprei livros e viajei, li um texto que publiquei, gostei do peso. Acabou o café. É um dia de inverno de verdade e eu não tomei aquele remédio hoje. Eu não me equilibro apenas através dele.
É íncrivel o efeito que o verde e o remédio branco causam em mim, e eu entro no espelho, minhas lentes não funcionam mais. Entro no espelho, sou uma ninfa nua, a melhor de toda, causo incêndio em todos os bairro, quebro janelas e não me dou razão.
Não importa quantas promessas sejam feitas, eu direi adeus sem saber ao certo o que isso significa.