Postagens

Mostrando postagens de Dezembro, 2012

A barata alpinista

Eu precisava distrair-me porque era ano-novo e eu não queria passá-lo sozinha chorando de depressão, fumando e bebendo vodca. mas foi assim que eu passei e relembrei de todas as merdas que fizeram 2012 serem foda, e havia uma barata gigantesca no meu quarto subindo pelas paredes e caindo repetidamente. Não gostava de matar baratas. E só precisava encontrar um jeito de fazer algo útil sem prejudicara a mim mesma, porque minha própria sombra já era suficiente para uma revolução desnecessária e explosiva da minha parte. Embora fosse imatura, sabia que aquela cidade, aquelas luzes, aquelas pessoas pertenciam àquele mundo, mas eu não. Considerava-me diferente, ainda que não superior. Já não aguentava mais ficar presa aos mesmos movimentos repetitivos da rotina incansável do meu tédio de desempregada de férias. Meu corpo já não podia suportar as regras da sociedade barata e ignorante da qual eu fazia parte ativamente e consentia o efeito marionete sobre as pessoas, q…

Calada na noite

Desliguei a televisão, embora um filme inglês estivesse passando na madrugada. Esse tipo de filme só os solitários assistem, e eu passo madrugadas a fio com a televisão ligada tentando dormir com a dublagem mal feita dos filmes antigos.                 Peguei um cigarro e meu isqueiro amarelo e decidi sair lá fora, olhar as estrelas, sei lá, fugir do cubículo do meu quarto quente e bagunçado. Meus pés faziam barulho no piso gelado. Abri a porta dos fundos devagar, com cuidado, como se estivesse cometendo um crime. É estranho como a noite faz os barulhos mais sutis se tornarem verdadeiros estrondos, mas estrondos que são sutis à sua maneira. Enquanto girava a chave na fechadura ou barulho até então inexistente surgiu rápido e alto ecoou na escuridão. Desci o degrau e senti o frescor da noite, a porta se fechou atrás de mim e eu acendi o cigarro. O barulho do fogo foi alto e pareceu iluminar o lugar. Traguei e dei uns cinco passos.                 Sentei num degrau e o…

A fera adormecida

Já não faz mais parte de mim esse vazio incógnito e solitário que vinha me corrompendo há tempos. Vejo a saída de uma caverna, por onde a luz dá os primeiros sinais, e apesar de eu saber que ainda há escuridão pela frente e que eu devo enfrentar a minha relutância em comprar uma vela para iluminar o caminho, sinto como se estivesse no brinquedo de um parque de diversões qualquer onde existem vários fantasmas que sabemos que não são reais, mas mesmo assim nos assustamos.                 Espero recordar do passado como me lembro dos sonhos bons que tive. Meu despertar está próximo, e eu temo pelo desconhecido, mas é somente a partir dele que posso continuar vivendo como se vive há anos: perturbado e insatisfeito com a própria insatisfação humana. É uma questão de selvageria, buscamos sempre mudar o que não está bom.                 Eu vinha nadando contra corrente há anos, buscando me salvar, mas não há maneira de concretizar algo com essa minha falta de tato com a reali…