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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Eu escrevo mal quando estou sóbria

Estou em casa, tudo está muito arrumado e há tempos não durmo aqui. Somente à tarde eu durmo na minha cama e sinto que fazer trabalhos extras é melhor do que se prostituir, às vezes não tenho tanta certeza disso, mas esse será meu único recurso. Como eu já vivi, sem reputação não há respeito. A igreja evangélica aqui do lado cheia de fiéis gritando sua fé, enquanto eu tento descansar para estudar. Estou cansada e minha visão preferida tem sido ver meu rasta fumando o baseado dele, que coisa linda de se ver, toda a força da raiz, toda a consciência e toda nossa progressão mental. Ele é tão esperto que mal precisamos conversar. Me perco dentro daqueles olhos e desando completamente, sinto os meus neurônios queimando lentamente, sinto os meus olhos ardendo.
Sonhei com aquele branquelo filho da puta. Foi bom acordar e perceber onde estava, masturbação de café da manhã, todas as prioridades dele são minhas, sentindo-me rainha, já fui tão maltratada e hoje acordo com o cheirinho da planta n…

National anthem

Já estou excelente em fechar baseados, perder empregos e surpreender as pessoas ao meu redor.
Vivendo na zona leste, tragando a rotina, sem muito tempo para escrever, zonza do submundo, bebendo cerveja todo dia, dormindo tarde, querendo só produto bom,
não consigo largar a mão dele. Minhas ideias estão desconexas, mas está tudo em mim, em cada poro.
O calor fodendo completamente nossa vontade de viver, a vontade que só a planta traz de volta.
O jeito dele de espalhar-se rápido, lançando mão de todas as coisas boas. A minha mania de sonhar sem parar e achar que posso fazer o que quiser,
consertar algumas coisas que não tem jeito e pertencer aos lugares que quiser se opõem ao mundo, e talvez eu não sobreviva.
Eu e o rasta subimos todo o morro de moto, tive certeza de que o rasta branquinho morava naquela rua das Dores e segui, pensando que talvez ele tivesse um chimarrão
e um base para me oferecer. A visão era plena, o sol alto, a fumaça subindo e a cidade inteira pulsando.
Pretinho…

apego aos pequenos detalhes

Esperando o pretinho num domingo de tarde, expondo as minhas pernas horríveis. Com um nó na garganta, ele anda tão por perto agora, eu ando ganhando maconha, ninguém pode estar tão confusa quanto eu. Quero esperar, só pra ele cantar no meu ouvido e eu me sentir muito culpada.
O que vou fazer com meu rasta à noite? Está tudo tão diferente, os lugares em que acordo e olho em volta só vejo garrafas e latas vazias, cinzeiros cheios, nossos olhos sempre baixos, fazendo tanto sexo como antes.
Quem vai me levar para jantar hoje? Quero almoço de família amanhã, não importa onde.
Por que ele me larga e volta dois dias depois? Ele não tem cheiro de maconha, então eu não aguento ficar muito perto dele, não dá pra se sentir segura perto de quem não tem bons fornecedores, ou quem não fode bem. Tomara que um dia tua música dê dinheiro e qualquer puta pegue, porque eu já não me importo muito com isso. Eu tenho as minhas coisas, ninguém vai me deixar na mão e teus dezenove anos não vão durar pra semp…

Camarão de café da manhã

Quase todas as minhas coisas tomadas pelo teu cheiro, acordei na fartura, fumando camarões da colheita caseira, deus existe! Sufocada pela fumaça dos milhões de cigarros, do churrasco. Lá no alto do morro, a neblina ofuscando nossa visão, o carro do branquelinho da minha menina com cheiro de sexo. As maravilhosas mãos do meu rasta. Quatro de nós em uma cama e eu caminhado na lua milhões de vezes seguidas, cada base um orgasmo múltiplo. Ele também acha que tudo fica mais fácil quando eu não uso sutiã.
Fzi um dreadzinho em uma menininha de dez anos que me adora, se eu tivesse uma filha que queria que fosse que nem ela, o sonho dela é ser rasta.
Ontem eu beijei minha leãozinha de novo, como ela é linda!
Eu sou boa em todas as coisas em que estou envolvida e eu não costumo desperdiçar tempo.
Todos nós fumando, bebendo e gritando. Depois dele, eu não tive mais tempo para me deprimir. 
Se precisar de uma tragada, sempre estará na minha mão, é tudo o que eu possuo, é o que ele me passa sem…

Quando você parte é chegada a parte ruim.

Ele disse que viria e realmente veio. Ele é um daqueles casos da vida que sempre sabemos que vamos trepar novamente, não importa quantos desencontros aconteçam no meio do caminho.
Todo meu dinheiro foi em maconha e anoitece enquanto dormimos na minha cama de solteiro numa tarde quente. Eu mirando a pintinha debaixo do olho esquerdo dele outra vez em detalhes, porque é só quando estamos muito perto um do outro que consigo perceber os detalhes no corpo dele. E ele já não gosta mais de mim, poucos gostam.
O branquinho dreadado amigo dele disse que o 69 que fez comigo foi o melhor da vida dele.
Meu pretinho pediu para fazer também e me encheu de perguntas sexuais e pessoais, como se fosse uma criança curiosa, um menino inocente. Insiste em dizer que sou branca e pareço a Amy. Insiste em dizer que eu deveria ser atriz pornô. Insiste em fazer tudo na cama e não ter vergonha de nada nessa vida. Insiste em fazer piadas racistas e sem muita graça sobre si mesmo.
E eu jogando as palavras alucin…

Declaração de amor é pra quem pode.

"Quem diria que depois de todo sofrimento, todas as promessas de nunca mais amar, pois já paguei o preço por amar errado e sei que não vale a pena, mas a vida muda em um segundo, você surgiu em minha vida e causou a maior bagunça, como uma luz a me iluminar, um anjo com cabelos e olhos negros, perfeita, uma rosa que tive vontade de colher para mim, mas confesso que tive medo e resolvi me calar. Você conquistou seu espaço, chegou de mansinho e roubou a cena, tornou-se a protogonista do meu martírio, a minha diva inspiradora. Cigana, obliqua e dissimulada, essa célebre frase de Dom Casmurro, nunca fez tanto sentido na minha vida como agora, depois que te encontrei. Portadora de uma beleza sobrenatural,Afrodite ou Pérsefone, diferente de tudo que um dia eu cheguei a imaginar. Sabe provocar,tem meiguice e malícia, mistura de menina e mulher, mas tem medo de amar e finge ser quem não é, usa uma máscara para se proteger da dura realidade de uma sociedade que julga e massa…

Clandestinos e ciganos

Dormindo bem e comendo uma refeição decente todos os dias. Com arroz, feijão, saladinha. Enfim, casa de família é ouro. A mesma mania do outro rasta de passar na frente da igreja e fazer o sinal da cruz. Eu acordando imersa em sangue e sabendo das coisas que eu era capaz de fazer em troca de outras. E de dinheiro. A faca naquela bolsa e enrolando com papel de livro best-seller inútil meu base antes de dormir. Eu pude ver quantos filmes eu quis, porque havia uma TV à cabo. Eu estava bem com a brisa da janela e a fumaça o tempo inteiro. Ele saindo pra tomar banho e me deixando com o base inteiro. As crianças gritando, a música da rua, as casa amontoadas, e uma voz na minha cabeça me dizendo repetidamente "vai passar"...
Ele me levou pra um lugar onde havia um senzala e agora está tudo um lixo, em que eu pude ver toda a cidade, fumando um dentro do carro e eu até coloquei meus óculos para enxergar melhor, a luz do sol trazendo paz e meu corpo transcendendo a realidade de quem r…

47 gramas

Cof. Cof. Cof. Dreadei a noite toda, ganhei cinquenta reais e uns vinte e cinco gramas -e mais algumas cervejas- porque trabalhei a noite toda. De todas as formas, deitei em todas as posições na zona norte. Eu não tenho mais tanto dinheiro assim, mas eu ainda como comida em casa de família, porque tenho um rostinho angelical e uma bunda bonita. Não há nada mais difícil do que conservar os dois intactos, e é por isso que eles não estão intocados.
Dessa vez nenhum deles vai me abandonar em lugar nenhum, porque de qualquer maneira eu sempre estou sozinha.
Comprei mais vinte e fiquei com 47g, cores diferentes e nenhum emprego.
A manhã no fim e o sol forte na janela. Eu sei que vai dar tudo certo. Meus dedos estão machucados por causa da agulha e meus olhos sempre baixos. Lendo um livro por dia. Bebendo cafeína. Fumando poucos cigarros.
Como ele fica bonitinho assim... Leaõzinho...
Bairro Menino Jesus tomado pelos pixos da maffia leste e eu fumando um dentro do carro no meio da tarde.
Não…

Tropeços

O dia cinza. Oito da manhã de um domingo nublado e a igreja evangélica ao lado da minha janela acordando a vizinhança com esses microfones e essas promessas de esperança.
Devorando Averbuck, fumando umas pontas e vendo-o ofuscado diante de mim. Me olhe nos olhos para pedir desculpa. Deita na minha cama e sente todo o erotismo que eu desperto, se confessa entregue. Lembra daquele colchão no chão frio? Arrumei tudo por aqui já...
Já não consigo dormir sem travesseiros altos por causa da azia e das dores musculares.
Às vezes quando acordo, tudo parece um pesadelo, parece que joguei muitas coisas fora pelo simples desdém. Sem emprego, fumando às custas de todos, mas ainda sim sendo muito livre, ainda assim fazendo o que eu quero e não perdendo mais tempo. Ainda assim comprando livros baratos e tendo orgasmos lendo.
Nariz empinado não sabe onde pisa.
E não, eu não faço grandes revisões gramaticais nos meus textos.

No pidas perdón.

Acordei perturbada. O vento da chuva, a manhã nublada, o dia todo de temporal anunciado. Perfeito para G. que ama dias chuvosos. Toda a nossa vontade de morrer dentro de uma garrafa de whiskey e tua mensagem na madrugada, que eu só vi pela manhã, em que te sonhei. Não há o que desculpar. Eu admito: Sou uma chata mesmo, não tenho coragem de ter consideração por ninguém. Nem por mim mesma. Mas isso não quer dizer que não gosto de ti. Isso é tudo que eu tenho. Tudo que eu sou. Nós éramos para andar na chuva nus, na floresta, com os animais selvagens. Não falamos essa língua humana... Estamos conectados por sonhos.

Três linhas são demais por você

Não aguento mais as lembranças que o cheiro do meu shampoo me traz. Todas relacionadas ao verão, quando ele vivia sob o meu teto e achávamos que nunca sairíamos de lá.
Confesso a recaída de escrever sobre esse assunto novamente. Se te tira o sono, tem algo errado. Prefiro ignorar. Isso já foi repetido demais, como se fosse uma oração.
Levo cantadas na rua cada vez que saio. Egos inflados geram almas vazias na mesma proporção.

Cotidiano de umas putas tristes

Andávamos em balanços, de uma pracinha de grama alta, na madrugada; eu e a menina do cabelo verde; procurando o gato preto pela rua... Livre Mercado pxxxxx, comendo sacolés coloridos que custavam milagrosos vinte centavos e se balançando perigosamente na noite fria, apenas o rangido das correntes ecoando no bairro e nossos pés arrastando no barro; destruídas, de maquiagem borrada, cabelos secos, gosto de álcool na boca, cheiro de cigarro na roupa e o coração quase que ausente, mas na verdade rendido e esquecido em alguma sarjeta vomitada, em alguma gaveta de um quarto comum.
O que faríamos?
O que fizeram por nós?
O que fizeram de nós?
Merda.
Nós já não aguentávamos mais. O passado transbordando em copos de vinho barato.
21:48 trepando com o leonardo.

ps.: Para mim, García Márquez é o Nabokov latino-americano.

Do amanhã ninguém sabe

Parei. Olhei, através do vidro translúcido, meu reflexo. Trêmulo e vago. Foi como se eu estivesse redescobrindo o mundo em um momento pequeno do dia em que não estou acompanhada da ganjah e percebendo a realidade crua a devorar meus sonhos pequeninos, minhas palavras desconexas e minhas atitudes impensadas. Erros. Milhões. Não há como consertar nada e ele aparece na minha vida como um velho fantasma e eu já não escrevo sobre isso, porque já não faz parte de mim. Te vejo vendado sem rumo, completo injustiçado, mero romântico patético. Nunca sou boa o suficiente.
Todos me dizendo o quanto estou errada e tudo doendo em mim, meu corpo padecendo, aborto hemorrágico, filhos da puta, vagabundos, tudo tão i-na-cre-di-tá-vel. Traindo a mim mesma com minha auto-destruição... Drummond já disse que o amor hoje é e amanhã ninguém sabe.

walking on the moon

Prevendo o futuro como sempre e acumulando fodas com isso. Estava com pouco dinheiro, então não falei nada sobre os trinta gramas secos que haviam no meu quarto. Diário de usuários: Fumamos tudo. E aquele refrão do Wiz Khalifa não saiu da minha cabeça nos estados de vigília da minha noite, acordava e dormia de novo e o via na minha cama de solteiro sem entender muito bem. "Gangsta, real nigga at, real gangsta, bitch you're looking at a real taylor...".
E ela olhando tudo de baixo, outro cachorro, nada de diferente. Branquinhos sempre são problema... Mas trepam inacreditavelmente bem, além de nunca se cansarem. Meus peitos no café da manhã e o peso do primeiro baseado do dia, todas as posições, kama sutra.
E ele nos dizendo como deveríamos deixar de prestar tanta atenção nos que cantam, nos dizendo o quanto eles são ridículos e populares e se vestem mal. Todos cachorros, para todos eu dei. Só eu sei a qualidade desses paus. Ninguém pode me julgar por isso. Ainda faltam do…

tenho certeza de que consegues interpretar-me

Às vezes, quando fica noite, entardece, eu fico pensando que é verdade o que a menina de cabelos verdes me disse, no sentido de que escolher o lado contrário da sociedade faz a gente ter que enfrentar essas coisas. E eu não nego, meu drama é forte e eu só trabalhava para comprar minha erva. Cada um com seus problemas. E eu já não tinha forças para subir escadas novamente com todas aquelas coisas, eu preciso de ajuda urgente...
Eu fiquei sem nada, pois desfiz o que era predestinado à mim. Eu fiz uma recusa e isso é negligente. Mas vou vendendo daqui e dali pra sobreviver. 

Sem re(puta)ção não há res(peito)

Tossindo sem parar. Só há um remédio para todo o estresse que me consome desde a manhã. Todos eles querem me censurar. "Teus peitos não podem estar na internet."
Levantando cedo, sem almoço, pegando o ônibus, correndo para lá, querendo ajudá-los, sem ter poder algum de fazê-lo, ninguém sequer escuta. A educação decadente. Sin dinero. Todas mis influencias son fallas según la sociedad y ninguna creencia mía es real. Querem processar o quê? Minha liberdade de expressão? Da justiça já estou cheia. O machismo, a homofobia, o racismo em todas essas paredes de ouro. Respiro o mesmo ar que vocês. Seus filhos inconsequentes, minha experiência com a justiça me faz perceber o que faz bem e o que faz mal e o que realmente vale a pena. Quem procura acha e quem pede é atendido, já ouvi isso em algum lugar. Minha cabeça pesa e eu cansei de ter meu tempo roubado por quem me julga mal, hipócritas. Sempre amei a literatura mesmo...
Quem nasceu assim não mudará, aprendam. Terão de me aguentar…