Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2013

Rebobinando

E a luz apagou, foi quando o inferno despencou sobre mim. Claro que estava feliz por estar bem, enquanto o mundo sofria com suas próprias doenças, eu viva no meu luxo classe média sem me importar muito com a dor alheia. Mas não era egoísta, era solitária. Queria dormir, precisava dormir. Mas sabe quando os fantasmas do passado vêm e lhe mostram o quanto você foi idiota esse tempo todo? Eles te jogam na cara que a loucura está em você, sendo destilada por todos os poros da sua pele. E você já não pode escapar da solidão de nunca ser correspondida por mais que se esforce para isso. Muito menos da maldade de não corresponder quem um dia zelou por ti, ou demonstrou estar disposto a aturar tua mesquinhez estúpida.                 Então seus pensamentos ecoam no quarto frio e vazio e você precisa de um cigarro, mas está com o travesseiro molhado demais e tem vergonha de levantar e perceber seu desespero insensato. E essas meninas lindas e saudáveis sendo felizes e encontran…

Qualquer negócio é uma merda sem você

Estava acostumada com essa capacidade hipócrita de desdobrar os outros para conseguir o que se quer. Manipulação acabava em escravismo. Os dias já andavam se arrastando há meses e como se não houvesse outra opção a não ser fugir, Ísis resolveu sair de fininho. Talvez sumir assim fosse uma espécie de suicídio, mas a maneira como era capaz de fazer as coisas sempre foi independente, e isso as pessoas já sabiam que fazia parte dela. Aquelas milhares de decepções nunca mais precisariam ser lembradas, porque os fantasmas retumbantes já não fariam parte de sua realidade repleta de sonhos e sono causado pelo cansaço de ser uma andarilha errante e cigana. Queria mar. Queria sol. Queria chuva. Queria lugares distantes, onde ela saberia que não toparia com ninguém com quem já conhecia. Não queria mais ouvir aquelas músicas que a faziam lembrar dele e assaltavam seus olhos nas madrugadas quentes de verão e faziam as lágrimas rolarem repetitivamente no silêncio da noite quando a …

Tempestade de verão

Ela gostava de ver a fumaça do cigarro subindo, devagar no vento, voando livre até o céu, dançando até desaparecer por completo. Infelizmente ela não podia fazer o mesmo, não havia maneira de fugir. As responsabilidades estavam ali, ela já não era mais uma criança que brinca sem precisar pensar no amanhã, sem planejar nada além da brincadeira seguinte. Sentia-se como uma mosca presa em um armário, esperando que pelo mesmo descuido pelo qual a colocaram ali, tirassem-na sem perceber.         É estranho como as crianças eram relutantes em perder a inocência mesmo estando contaminadas pela sociedade. Eram tratadas como adultas e gostavam disso sem nem mesmo perceber que estavam lutando por dentro para serem crianças e sem saber que quando adultas dariam tudo para que não tivessem crescido nunca. Como Peter Pan na Terra do Nunca.         Todos esses anos ela tinha se comportado com uma criança, mesmo tendo vinte e poucos anos. Ela nunca tinha se importado realmente com os sentimentos das o…

Noites plenas perdidas no tempo e no espaço

Eu tinha jurado para mim mesma que nunca mais choraria por isso de novo. E com a minha simplicidade de escrita e mediocridade sentimental, acabei sendo personagem de um filme daqueles que ninguém sabe o nome e nem nunca ouviu falar, porque não passa de um drama barato feito pelos estudantes miseráveis de uma faculdade de cinema desconhecida.                 Não há nada mais que eu pudesse fazer, pois a culpa não foi minha e eu já perdoei, e já não te chamo mais de filho da puta. O lado bom é que eu sempre vou lembrar os momentos maravilhosos que eu passei contigo. Mas foi tanta baixaria, que acredito que você já me viu beijando pelo menos uns três caras na tua frente, ou mais; até garotas, quem sabe. E nesses três caras, teu melhor amigo está incluído. E a culpa é toda tua, porque eu fiz de tudo para que nós tivéssemos algum futuro. Eu juro que eu largaria tudo só pra ficar do teu lado nas ruas por essas madrugadas infindas. Mas agora estou novamente afogada no mar de…