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Mostrando postagens de Maio, 2013

Das coisas que eu não escolhi

Fiquei perto da casa das baratas e me senti no lugar certo. Minha miséria é luxuosa. Não saí do submundo. Nova York e onde nunca pisarei. São Paulo é o meu destino.  Montevideo vou visitar e Barcelona quero amar. A marginalidade não é nata em mim e eu sou um produto-classe-média. Não há o que reclamar além de um corpo invadido por vírus que deixei entrar inconscientemente. Enfrento meus medos de frente e as culpas são minhas. (?) Não, as responsabilidades são minhas e apenas uma parcela da culpa me pertence. Há coisas que não escolhi, mas me submeti calada, ainda que com traços sutis de revolta. Não me nomeie rebelde. Rebeldes não são fortes. Eu sou.                 Qualquer frase impensada que me digas me cortará como uma faca. eu também tenho uma faca de cabo branco que carrego nas madrugadas escuras quando ando sem rumo e bêbada às seis da manhã, mas acho que está sem fio e continuo beijando meus inimigos. Já fui estuprada muitas vezes. Tenho mania de agradar quem …

Minhas imperfeições são originais

Tudo que eu faço busca repor algum defeito, esconder minhas falhas. Hoje posso ser do jeito que eu quiser. Será mesmo? Tudo parece moderno e egoísta, mas todos me olhariam diferente se vissem algumas coisas em mim. As coisas que eu escondo.                 Dizem que é rebeldia, mas no meu caso é obrigação, porque não há nada que eu possa fazer. Nasci assim, meu corpo é 80% ridículo e existem coisas que não posso consertar, então eu estrupio ainda mais e foda-se, não sou nem um pouco perfeitinha. Não sou boneca, não acredito que gostem de mim assim. Só gosta de mim quem não me conhece. Se eu julgo pelas aparências então sou fútil. Será a mídia a culpada? Acho que não, só sou fodida e não sei de quem é a culpa. Preciso parecer indiferente, mas não consigo, preciso repor e demonstrar meu grau de indiferença.                 Então meninas lindas: Tomem no cu.

Desvio ao precipício

Assombro minha sombra Com meu sopro inofensivo No meu mundo de sonhos sem cor Desafio a gravidade do meu corpo A coragem é permanente Porque não há mais espaço para medos Ser livre é muito caro O preço da imprudência é a responsabilidade Consequências trazem dor Meus passos ininterruptos Silenciosos na escuridão Entro em atalhos Erro a direção Engulo o lixo do mundo E reciclo toda confusão

O peso do mundo e o peso do meu corpo

Eu estava realmente precisando soltar algumas lágrimas de dor. Tenho dormido melhor que nos últimos meses e me arrependido de tudo que fiz na vida, queria vivê-la novamente e fazer tudo diferente, ser uma pessoa melhor, mas sei que não posso e por isso terei que conviver com meu passado ruim, meu presente melhor que o passado e com a consolação de poder ser uma pessoa melhor a partir de agora.             De repente me olho no espelho e vejo uma cara feia, um cabelo feio, um corpo inaceitável. Lembro-me das roupas sujas que tenho que lavar, do passado doloroso, dos grandes erros, das dores, das palavras que disse hoje de maneira errada e percebo que não gosto de ser quem eu sou. Posso parecer fútil, mas não sou, porém minhas imperfeições fazem de mim uma pessoa infeliz. Inclusive, essas confissões contradizem minhas crenças espirituais, mas tem horas que a religião não basta porque a realidade nos abate de uma maneira que nos derruba. Fim de linha.             Tem vezes que…