Se não treinou pra isso, não consegue lutar

As luzes da cidade me deixaram brilhante também, quando cheguei e abri a janela, a altura dos prédios, a visão da metrópole nas alturas, janelas cercando e ninguém tinha interesse em me perturbar, parecia que todos estavam me compreendendo.
Todas as pocs bem alegres, dançando felizes, beijando muito, desfrutando de tudo ao máximo. Enquanto eu contemplo dois amanhecer seguidos na terra da garoa, as ruas cheias de vida, a minha não era nada por ali, eu a tinha plena, cinzas destoando meus movimentos. Havia muita música, a rua cheia de reggae e cheiro de ganja, polícia por toda parte, nenhum de nós estava seguro. Você gostaria desse lugar, tantos grafites gritando e tanta diversidade. É difícil explicar ver a bandeira gay pendurada na rodovia, para todos os carros pudessem ver de todos os eixos que estavam ali, sim!
Da janela do hotel contemplei tua imensidão, somente uma pequena parte dela. Centro, festa elite, minha lista no nome, estádio da portuguesa, onde já foi a favela do Canindé, desfavelização, foi o que fizeram quando tudo inundou, pena que ninguém ganhou emprego do governo, Carolina Maria morava ali. Naquelas noites que são tão vivas e pulsantes que eu jamais dormi, apenas fiquei acordada, a manhã foi feita para dormir. Moradores de rua por toda parte, prostitutas na madrugada, as ruas inundadas de pessoas com poder. O meu poder sempre foi a liberdade, para ver tudo que pudesse testemunhar sem julgar. Nome na lista e pop tocando, todas as bebidas com preços exorbitantes. Se você visse famosos não se surpreenderia, todos com quem conversei moravam bem longe de Bela Vista. Onde eu estava era pior, não era fino assim, havia a cracolândia, a Galeria do Rock, a Estação da Luz e o maior edifício da cidade.
A ordem das músicas nesse novo disco, distante de mim, aqueles lugares me lembraram muito você por tanto tempo, a chuva fria e fina, o banheiro sem gênero, contrariando o trabalho que escrevi onde a mulher está condicionada aquele banheiro feminino, onde todos os gêneros estão.
às vezes pareceu que ninguém estava interessado em nada além da viagem, mas o conhecimento, o interior do estado, a tranquilidade de pegar um ônibus e caminhar livremente e sem medo pela cidade, porque tudo era tão próximo e tranquilo, as pessoas eram tão cálidas e simpática, pessoas do norte e do sudeste. esses estados enormes que no Brasil são país, que eu me encanto e me apaixono fácil e quero ficar, que parece mais perto de mim do que de onde eu vim, como se fosse outro mundo para desvendar. As festas do interior tão íntimas, tão a cada daquele estado. Restaurantes diversos, apenas os caros são bons, embora a carne seja intragável.
Elas ficaram bêbadas facilmente e se desinibiram, gym com tônica, queriam falar espanhol insistentemente, as mais velhas bebendo cerveja, eu Stella Artois. Não eram exatamente como eu, o que estavam procurando no palco, clássicos do CBJ, ninguém sabe porque ela ganhou o CD e não o beijou. Eu apenas sigo dizendo não permanentemente, eu falo espanhol com quem quiser internacionalização. Todos estavam ruidosos, fumando, mas como sempre havias brigas, havia mais meninos gays do que meninas, todos estavam se divertindo, até mesmo as brigas, sem falar nos seguranças.
Rodoviárias, inclusive a segunda maior do mundo, do Tietê, aeroportos, poucas horas de sono cumpridas, explorando aquelas rodovias enormes, luzes por todas as partes no escuro. Nordestinos, mineiros, cordobenses, porto-riquenhos, colombianos, paulistas, paulistanos, gaúchos e quem mais pudesse caber. Não dá pra acreditar, mas eu até mesmo dancei, até que gastei muito dinheiro. Ninguém podia imaginar que tudo existia ali a qualquer hora, você só precisava procurar e se aventurar. Houve turbulências na volta. Experimente a vertigem da liberdade.








Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vespeiro

Ultraconectados no carnaval

Um estranho familiar