Sem competição
Existe algo caótico que me consome e me faz escrever. Deixo esses blocos de textos sem parágrafos, porque as palavras arrebentam sem controle, mesmo no colapso do planeta e com todas essas tarefas aparecendo, elas escorrem pelos dedos. Ele se converteu em um esporte muito perigoso, em um jogo de apostas arriscado, porque sabe que sente mais falta de mim no arrastar das horas do que eu dele, porque o meu tempo só não está preenchido quando estou com ele. O que eu sinto é presença continuada da ausência, é cotidiano da novela, do filme e do futebol, da música como alimento, um cotidiano calmo e submisso com seus e nossos momentos de revolta. Esse beijo fica colado em mim, porque quem não sabe se apaixonar é ele, não eu. Quando me grava em êxtase, confessa que ela não fazia certas coisas na cama, sabe que também tenho vocação para as artes da linguagem que não necessita palavra para simbolizar, mas tem consciência depois não pode visualizar o material em quem é o diretor, para não correr o risco de cansar de ver o mesmo filme, tantas vezes no replay. Essa pose de gangster não impressiona quem não conhece a mente dele. Nossa revolta se intensifica na insanidade marcada pelo inconformismo de não poder mais aguentar o mundo. Nada disso impede seu humor leve e romantizado. Está de acordo com todos os meus princípios básicos de convivência, está convicto no amor e cuidar cotidiano e invicto no silêncio do dizer, bem quando o álcool o consome. A verdade é que somos ótimos amigos e formamos um complicado casal, de difíceis acordos. Eu consigo dar pause em todos, deixá-los em hold por vontade deles próprios, numa conquista eterna de todos os momentos, conquista minha essa, sem conseguir jamais romper permanentemente, mesmo que por um longo tempo. Uma aquariana sempre ensina capricornianos a quebrarem as regras quadradas adotadas por eles, em uma exclusividade moderada e desinteressadamente manipuladora, porque nada pode ser tão errado, ele só quer ser bem como o ensinaram, ele só é exatamente como o esperado e já bem conhecido na cultura da década de noventa, nas mesmas condições e mesmas variações sociais. Atrás de bebida, andamos tarde da noite pelos bairros e ruas onde todos os que odiamos por já haver amado demais estão. Poucas vezes andei por essas ruas caminhando, ele me mostra e me explica tudo. Gosta de me pressionar para ser dele quando bebe, me diz que não tem nada para oferecer materialmente e eu me calo, nada importa se estamos fascinados por ir longe em projetos que o sol engole sem piedade de nossas mentes idealizadoras sobre a sociedade e o amor. Ele quer causar confusão na exposição, mas sente medo de andar comigo na rua. Ele quer mesmo que eu conte a todos, especialmente a um, buscando um confronto de ego e corpo, com a desculpa de chamar seu amigo fiel, sem que eu nunca achasse possível que eles estivessem armados em uma briga boba, apesar de todas essas que deixaram cicatrizes em todos eles. Duvido realmente, mas eles gostam de fantasear sobre isso e principalmente sobre quem eu sou e onde eu estou, por onde ando, por onde minha mente flutua. Ele sabe bem que eu sou um antigo carma, não é possível impedir.
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