Superstição

As ondas quebravam violentamente, mas com a destreza majestosa que a natureza dispõe. Tu me conduzias até o alto-mar, enquanto eu tentava te explicar que: os conselhos que dei sobre vencer não tem nenhum valor, e supostamente são descartáveis. Depois de desconsiderar todos eles, tu compreenderás logo que tu e eu estamos longe da atmosfera em que deveríamos estar.
Tive vontade de gritar por um instante, mas avançávamos rapidamente, e faltavam apenas mais três ondas para completar sete. Sempre faço isso quando vou ao mar pela primeira vez no verão, acho que dá sorte fazer pedidos à Rainha do Mar sempre que nos reencontramos, não só no Ano-novo.
Lembro que não via nada mais além de névoa enquanto você esteve perto de mim com os pés na areia. Foi como poesia sussurrada, pois dispersou minha mente do mundo e de sua decadência, além de dispersar minha visão. Sua voz destoa em minha mente e nunca é desagradável. Queria estar sempre com você e pedi à Ela que eu pudesse ver refletir meus olhos dentro dos teus no momento em que o mar fizesse tudo parecer translúcido e belo.
A espuma salgada renova meu corpo, e eu renasço no verão. Palavras jamais bastariam, você sempre quer mais e mais de mim... incansável exatamente como as ondas, mas cansativo como o efeito delas. Não me preocupo em quantas vezes cairei arrebatada pela maré, estou acostumada com o mar, ele não me engole. Afogar-se é habitual. Dificilmente me canso, gosto da sensação do sal purificando meu corpo sob o sol. Você me envolve completamente em sua imensidão, bem como o oceano e sua infinidade. Finalmente percebi que funcionou.



Texto para publicação na 7ª edição do livro Infinitamente Mulher

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