Ressaca e perigo
O mar bravio estava de ressaca e nós também. As águas haviam avançado e inundado todos os quiosques da pequena praia perto de Porto Alegre. A casa muito próxima das dunas e em frente ao mar era pequena e aconchegante. A sensação era de que poderíamos viver ali para sempre, porque a tranquilidade de tomar mate na areia era uma brisa calma que penetrava nossas almas jovens. Depois a maré recuou tanto e deu medo, como sempre o mar causa mudanças de humor, a lua é responsável por nossos encontros e partidas. Ao entardecer, os surfistas avançam na água violenta da zona gaúcha do mapa, bandeira normalmente amarela, vez em quando vermelha. As longas caminhadas me proporcionaram conversas íntimas comigo mesmo, eu refleti, eu ponderei, eu meditei e Iemanjá sabia de tudo, dos meus sentimentos, possibilidades e principalmente da minha realidade que apontava para um destino incerto, porém bárbaro. Quando eu olhava para o lado já estava bem longe, aos poucos as ondas me engoliam. Pediram para q...