Ressaca e perigo

O mar bravio estava de ressaca e nós também. As águas haviam avançado e inundado todos os quiosques da pequena praia perto de Porto Alegre. A casa muito próxima das dunas e em frente ao mar era pequena e aconchegante. A sensação era de que poderíamos viver ali para sempre, porque a tranquilidade de tomar mate na areia era uma brisa calma que penetrava nossas almas jovens.
Depois a maré recuou tanto e deu medo, como sempre o mar causa mudanças de humor, a lua é responsável por nossos encontros e partidas. Ao entardecer, os surfistas avançam na água violenta da zona gaúcha do mapa, bandeira normalmente amarela, vez em quando vermelha.
As longas caminhadas me proporcionaram conversas íntimas comigo mesmo, eu refleti, eu ponderei, eu meditei e Iemanjá sabia de tudo, dos meus sentimentos, possibilidades e principalmente da minha realidade que apontava para um destino incerto, porém bárbaro.
Quando eu olhava para o lado já estava bem longe, aos poucos as ondas me engoliam.
Pediram para que parássemos de fumar perto das crianças. Mais uma palavra para seu dicionário. Você diz: "Eu sou uma criança." Soa como de fora do país, como americana, como algo que não lhe é próprio, mas lhe seduz, pois quer aprender o idioma desta bela, exuberante e enorme colônia de Portugal.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A árvore verde e boa

Um estranho familiar

Sobrevindo colorido