De dentro da gaiola, o passarinho amarelo caiu e está machucado em recuperação. Me culpei pelos ventos fortes e ele tentou me consolar, foi quando se deparou com minha personalidade e quis fugir. Tenho sede de escrever. Minha mente flutua com a fumaça e meus dedos tentam acompanhar seu ritmo frenético na calmaria da rotina e no frenesi do fim de semana. Ele vai embora e leva minha marica. Tem saudade de um mate, de um chima, de uma maco. Minhas pretensões nunca são boas com os garotos, eles acabam fazendo por merecem em algum momento, mais cedo o mais tarde. Com as garotas, me assusto, porque não suporia machucá-las. Tenho pouco a perder sem ele e muito com ele. Para ele, é ao contrário. Mesmo assim, passa pela porta em direção à rua para que seu pai o apanhe o leve de volta à casa, onde seu primo está de férias do sistema outra vez. Sem que nada de álcool estivesse em seu sangue. Sujeita às intervenções do outro, arrasto suas mensagens para não respondê-las e acabo por sonhar com mens...
Todos eles, sem masculino genérico, se assustam quando ajo como os homens que compõem e cantam as músicas de reggaeton que escuto, até mesmo das de funk do Chicano. Preferiria que eles se impressionassem, mas isso funciona somente com as minhas habilidades, porque meninos antiquados sempre pensam na perspectiva do passado, muito mais fácil de aceitar e se conformar do que trends virais. Esse Chicano dança todas, já lhe disse para fazer teatro, já que representar é sua natureza. O contágio das redes também reveste nossas vidas, de uma forma bem diferente. Cada vez compro mais álcool para ele, mas esse Chicano não sabe parar, ou não precisa, porque não tem compromissos fora do lar, que belo e faz as tarefas domésticas. Isso é um problema que nós, duas personalidade limítrofes, entendemos, mas eu insisto em ir trabalhar, estou sempre bem comigo mesma, forte para vigiá-lo e para discussões filosóficas com meus alunes. Minha natureza são as palavras em jogo. Não consigo dizê-las sem que co...
N o carnaval de fevereiro, não havíamos nos reencontrado ainda. E eu sentia algo como tatear no escuro de quarto onde eu já havia estado antes, há muito tempo. Desta vez, com março chegando ao fim e depois de 12 anos sem carnaval de rua na cidade, andamos pela avenida, e ele estava como uma criança, cantando de cor a música da sua escola de samba e se encantando com as cores, a dança, as batidas dos instrumentos. E eu em êxtase com as beldades sambantes. Ele já havia desfilado nela antes, na bateria. O álcool corria em nosso sangue, mas para ele, fazia muito mais efeito. Ele me pergunta se pode me dar a mão. Eu digo não, mas logo cedo e estou só carinhos. Na rua, garotos enalteciam suas tatuagens. Prestes a amanhecer, um desses caras disse a ele que isso era atitude de quem tem muita personalidade, andar sem camisa, até porque ele estava usando a da seleção brasileira. Essa personalidade é transtornada e está no limite, é extremamente semelhante a minha. Mas está mais quebrada, ainda n...
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