A Morta-viva que me tornei.

Às vezes fico assim. Nesse vazio sem importância, afinal, me senti assim a vida toda e nunca pude fazer nada, essa é minha conclusão. Não que eu não tenha tentado, porque fiz de tudo para encontrar uma razão, qualquer uma, de me manter viva.
Não que eu esteja planejando suicídio, aqui, agora, nesse post. O problema é que tem alguma coisa faltando, e eu não sei o quê é. Deixando toda essa problemática adolescente, eu grito: todos estamos perdidos. Sim, porque nós não sabemos nem se nossos objetivos valem mesmo à pena. E tem outra: são mesmo objetivos tangíveis? Podemos pensar que sim e no outro instante já estarmos perdidos novamente, nadando. E nadando sempre contra a correnteza. E talvez seja isso que nos faça os animais tão (in) significantes que nos tornamos depois que a história começou a correr, a tecnologia avançou e a maquiagem surgiu.
                Somos sujos. E o pior de tudo é que não admitimos que estamos na lama. Somos uma raça imunda que não se encontra. Não sabe porque está chorando ou rindo, não sente a chuva. Ficamos intactos ao tempo e cada vez mais jovens estamos piores. Sim, piores porque já não sabem falar direito, ter respeito, se importar com o próximo. TV, Playstation, internet, já bastam. E isso tudo me dá medo. Até mesmo de ter um filho que seja nesse caos que está o planeta Terra. Onde mentimos para todos e somos hipócritas. Onde chega um momento em que paramos para pensar que a vida já não é mais a mesma. Caçar para viver? Compramos no supermercado. Ajudar os outros? Prefiro ficar em casa assistindo a Sessão da Tarde. De que importa se poderíamos estar ajudando alguém, se eu posso apenas permanecer no meu mundinho sem crescer e vivendo “feliz” meu pouco tempo de existência.
Eu não estou vendo o lado cético das coisas. Só estou alertando que alguma coisa está errada. Como naquela música do Phantom Planet: “Everybody knows that’s something’s wrong, but nobody knows what’s going on”. (Lonely Day)
Claro que já pensei em tudo, já pensei em milhares de coisas: au pair, um ano ensinando inglês para crianças na África, American Way of Living, seguir a rota de de Jack Kerouac ou então nada. Sentar a bunda no sofá e assistir TV o dia inteiro sem se preocupar que com a chuva algumas pessoas ficarão desabrigadas.
Agora vou confessar o pior: também sou podre. Viver numa comunidade hippie seria uma maravilha. O problema é que eu cheguei à conclusão que eu gosto de comer carne, gosto de ganhar dinheiro e comprar tudo que quero (não necessariamente tudo que preciso), gosto de ser egoísta e não dar a mínima para o mundo e para os miseráveis do Brasil, gosto de votar nulo e gosto de sentar a bunda no sofá e assistir os filmes de Almodóvar. O que eu posso fazer? Sei que não nasci assim, mas me criei assim, a culpa não é minha, a culpa é de uma tal de Eva... Brincadeira. Só acho que eu não vivo assim por obrigação, mas também não tenho companheiros nessa jornada e é isso que faz mal para nossa vida, nos intoxica totalmente. A solidão. Ela faz o estrago por si só. Ela fez de mim uma inútil morta-viva. Não consigo salvar o mundo sem ter tantos fãs ou seguidores quanto a Ivete Sangalo tem no twitter.

Comentários

  1. Está certa. Mas, no meio de tanta lixo, ainda assim encontramos beleza nas coisas. Então por que desistir?

    Se todos fôssemos realmente nos importar com os defeitos e imundícies a qual estamos sujeitos, ficaríamos estagnados e pronto, aí sim que o mundo pararia de vez.

    Se for pensar nessas coisas, tem que pensar pouco. Porque é muita coisa para se pensar, e as vezes pouco tempo para se fazer.

    (Obs.: gostei do template *-*)

    ResponderExcluir
  2. Obrigada Marina, troquei ele essa semana, muito fofo né #)

    Poisé né, esse teu comentário me deu um incentivo, porque sinceramente, esse foi o post mais revoltado que escrevi até hoje!
    usahsuahushuahsa

    Camilla Cruz.

    ResponderExcluir
  3. Já passei por isso muitas vezes. Faz parte do aprendizado. Não se preocupe, é como dor de dente. Só sente quem tem.

    ResponderExcluir
  4. Poise... Parece que e um sentimento eterno e corrosivo. Dificil de engolir...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Argumente.

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraviolência

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Arco-íris e Tristessa