Labirinto-furacão


     E chegou o ponto em que eu já não tenho certeza de nada. Em que minha vida virou um furacão. Porque eu já fui trocada milhões de vezes, sou sempre a segunda opção. E eu não vou aguentar isso de novo, e de novo, e de novo, e de novo. Procurarei outros meios de encontrar alguém, sem amarras nem desesperos, mas ainda sim quero alguém só pra mim. Não vou negar, amar é um ato egoísta, simplesmente porque amar é uma espécie de doença. Lúcio Cardoso em Crônica da casa assassinada escreveu bem no finalzinho do livro: “Condenamos tudo o quê amamos, primeiro à agonia de nossa admiração, depois à insânia de nossos desejos.” Tive de anotar a frase, como tantas outras mil que tenho em folhas perdidas em minhas. Embora eu não as entenda muito bem (cada vez entendo de uma maneira), gosto de tê-las no papel, pois isso impede com que se percam na memória e eu tenha que tentar juntar palavras que eu suponho que sejam  as da frase, e não são. Pra não ficar naquela história de "é-mais-ou-menos-assim". A minha obsessão faz com que eu me atire em abismos completamente desconhecidos e mortais. E então minha vida vai mal. E eu caio no mesmo erro milhares de vezes. Mas do que importa? Vocês que me largaram não são culpados. Minha amiga leu nas cartas que haveria traição no meu caminho, e pelo jeito eu mesma me traio. Mas a partir de agora vou pensar só em mim, e largar de ser altruísta enquanto ninguém se importa com a minha inocente capacidade de me entregar por inteira esperando muito em troca, mas infelizmente sabendo disfarçar isso muito bem.
     E já não sei mais se vou ou não. Não reconheço mais o que é bom pra mim. Não me reconheço mais. A minha liberdade me aprisiona, é o que me dizem. E é verdade, no meio de tantas possibilidades eu me perco, me confundo. E culpo as fases da lua, minha educação, minha cidade, minhas influências, as pessoas que são responsáveis por certos acontecimentos e "coincidências", ao horóscopo, ao clima. E isso é fingir, mentir pra si mesmo. E aí, eu fumo e bebo e machuco pessoas que eu amo. E culpo meu signo. E na segunda-feira tá tudo bem, começo de novo, faço tudo errado de novo, me fodo de novo, e tudo bem, meu consolo é o futuro, lá vou ser feliz... Que futuro é esse? Eu não sei. Mas eu quero alcançar. But I can't speed up the time. 
     Ninguém tem culpa, eu tenho. Admitir é difícil, mas agora vejo que só eu mesma posso mudar isso e começar a planejar tudo devagar, pensar nas consequências, refletir se vale mesmo a pena, se não fará feridas. mas olhando assim, eu até que acho as minhas cicatrizes bem bonitas...


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