Um mês de tempestade

     Hoje saí à noite pra comprar cigarros. Não te vi. Na verdade nem esperava ver, apenas queria um pouco de ar, um pouco das luzes dos postes e um pouco da luz da lua entre as nuvens. Está tudo bem, apenas senti uma agonia, uma vontade de subir pelas paredes, e descobri que é porque hoje faz um mês que eu vivo numa tempestade. E nesse mês de junho fiz muitas coisas que nunca tinha feito antes...
     Passei pela tua casa como sempre faço, esperando que você saísse de repente e dissesse: "- Oi, como vai? Pode entrar se quiser..." Mas não, óbvio que não. Era só pra comemorar esse um mês que mudou a minha vida. Pra melhor. na verdade, tu fez tudo certo, fui eu que me iludi pensando que poderia ir mais além, que (admito, estou chorando agora, não posso evitar).
     Que ingenuidade a minha, pensar que seria feliz logo agora quando eu mais tenho que sofrer, logo agora em que eu preciso de tempo só pra mim... Está tão claro que eu não posso tê-lo, porque eu simplesmente não preciso, tenho mais o que fazer, tenho um futuro inteiro de alegrias só pra mim, tenho só 16 anos. Não preciso de você. Esse esperar passar me fará bem. Preciso de um tempo sozinha, preciso me situar, preciso de ar. Tenho que trabalhar, minha arte não espera. E além de tudo esse mundo dá muitas, muuuuuuuuuuitas voltas e isso é o que eu tenho aprendido com o passar dos dias. 

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