Is this Love that I’m feeling?
Sabe, já chorei pra caralho por um bando
de filho-da-puta. Mas na verdade eles não são tão filhos-da-puta assim, eu
também sou uma filha-da-puta pra algumas pessoas. Eu machuco pessoas que me
amam; e pior, elas me amam de verdade.
Então
hoje eu conversei com a lua e relembrei todas as noites malucas em que ela me
acompanhou. E eu não me arrependo de nenhuma merda que eu fiz, nenhuma loucura.
Talvez porque eu tenha aprendido que não posso esperar por nada nem ninguém
para ser feliz. Por isso, retomei meus trabalhos, minhas buscas espirituais.
(Caralho, preciso de um cigarro agora!)
Ou
talvez porque eu tenha encontrado alguém que me completa. Às vezes a paixão
queima forte demais e deixa marcas. Eu gosto dessa minha paixão pacífica, em
fogo brando. Ela me traz paz, porque eu escuto Bob Marley e sonho olhando para
lua, enquanto queimo um e sinto a paixão queimar devagar e baixinho em meu
coração, com poucas lágrimas e às vezes me pego sorrindo lindamente. E isso me
basta.
Vez
em quando eu sinto falta de uma paixão ardente sabe? Aquelas grudentas mesmo,
bem possessivas. Mas então eu lembro que elas têm veneno. E lembro que eu não
sou perfeita, nem ele. Lembro que nossos corpos falham e não são comuns, iguais
aos dos outros humanos. Lembro que somos menores de idade, moramos com nossos
pais, não temos emprego, não temos nosso próprio dinheiro, ainda não passamos
no vestibular, que nossos pais são chatos pra caralho, temos sonhos vagos, mas
temos um amor manso no coração, uma bondade, uma sensibilidade, e que em nossos
corações toca um reggae suave que nos faz viajar na erva. E esse é meu amor
perfeito, porque o universo me deu esse tipo de amor. E é o melhor que eu já
experimentei, porque é livre, vago, lento, doce. Eu não dependo dele para ser
feliz. Não preciso ver ele todos os dias. Porra, eu não lembro nem do rosto
dele! Isso é paixão mansa, e é o que eu preciso, assim, sem compromisso, ter
alguém para compartilhar de vez em quando meu dia, alguém que me liga uma vez
por semana, alguém que eu vejo de vez em quando, e que me desencontro sempre.
Alguém que é impossível de cruzar na rua. Alguém que não é filho-da-puta, que
não mente e que não faz a burrada de me amar de verdade, porque sabe que tudo
que é rápido demais desmorona facilmente, e que sabe também que sou um pacote
completo de coisas que se deve conhecer aos poucos, é como aquela música, Segredos, do Frejat “e eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo quando começar a
conhecer os meus segredos”.
Claro
que quando a gente ama, a gente quer estar 24 horas com a pessoa, mas isso
corrói, porque durante a semana eu sinto uma saudade tão dolorosa que eu choro
lágrimas doces em vez de salgadas, e me sinto bem mesmo assim, porque quando o
vejo novamente meu coração bate tão forte que eu não me importo em ser menor de
idade, morar com meus pais, não ter emprego, não ter meu próprio dinheiro, não
ter passado no vestibular ainda, ter pais chatos pra caralho, ter sonhos vagos,
porque eu vou dar um jeito e everything
will gonna be all right.
Que
lindo né? Até eu me impressiono de estar assim, eu sempre fui tão furacão sabe?
Nunca soube esperar, sempre pegando fogo. Me transformei nesse poço de paciência.
Pode ser resultado da ganja linda.
E
eu às vezes percebo que não sei o que quero, não sei se quero uma coisa séria.
O problema nos meus relacionamentos é que eu sou muito equivocada e estou
SEMPRE errada. Mas talvez assim, do jeito que está, seja perfeito... Enxerguei
hoje que tenho tudo que preciso para ser feliz. Só não sabia dar valor às
minhas ferramentas. Agora abri os olhos e seguirei os passos dele
cuidadosamente. Porque ele sempre tem razão, ele é sensato e eu sou furacão.
Ele é No Woman no cry e eu sou Waiting in vain (do Bob). E é claro que
isso me aterroriza um pouco, porque eu tenho medo que esse fio se rompa e eu me
machuque muito mais que ele. Tenho muito medo. Por isso educo meu coraçãozinho
involuntário e quando ele quer se entregar eu prendo ele de novo. É uma pena
que tantos filhos-da-puta tenham me transformando numa pessoa que confia menos
nos outros, mas pelo menos eu acredito no amor da mesma maneira. Vivendo e
aprendendo, amando e se fudendo. Não é assim?
O
mais interessante foi que eu soube da existência dele e coloquei uma fé leve na
possibilidade de estar com ele, justamente pra não me machucar. Eu já tinha
estado com ele na verdade, e ele já tinha se sentido atraído por mim, mas eu
estava ocupada com uns filhos-da-puta e nem sequer reparei na presença sutil
daquele lindo. Mas não tem problema, é tudo maktub.
Foi
então que eu passei duas semanas esperando para conhecê-lo, e nossos encontros
falharam várias vezes, mas o maktub fez com que nos encontrássemos. E foi
mágico. Muito mágico! É estranho, parece que o universo conspira a favor. Tá
bom assim, devagar... E de repente o telefone toca e meu mundo para por dois
minutos e acontecem algumas trocas atrapalhadas de palavras. E vocês leitores,
coitadinhos haha, não conhecem aquela risada lindaaaaaaaa dele! E aquele
sorriso é o que me faz sorrir. Tá, confesso, estou apaixonada. Mas isso é bom,
não é? O amor quando vem com paz sempre traz sorte.
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