A barata alpinista
Eu precisava distrair-me porque era ano-novo e eu não queria passá-lo sozinha chorando de depressão, fumando e bebendo vodca. mas foi assim que eu passei e relembrei de todas as merdas que fizeram 2012 serem foda, e havia uma barata gigantesca no meu quarto subindo pelas paredes e caindo repetidamente. Não gostava de matar baratas. E só precisava encontrar um jeito de fazer algo útil sem prejudicara a mim mesma, porque minha própria sombra já era suficiente para uma revolução desnecessária e explosiva da minha parte. Embora fosse imatura, sabia que aquela cidade, aquelas luzes, aquelas pessoas pertenciam àquele mundo, mas eu não. Considerava-me diferente, ainda que não superior. Já não aguentava mais ficar presa aos mesmos movimentos repetitivos da rotina incansável do meu tédio de desempregada de férias. Meu corpo já não podia suportar as regras da sociedade barata e ignorante da qual eu fazia parte at...