Todo o clichê de um final infeliz


     Molhando a gata amarela com os pingos das minhas lágrimas, deixando assim todo o teu veneno sair de dentro de mim, pois estou num estágio de reabilitação. Fiquei sem cigarros num domingo, fiz uns então. Estou com o resto do teu chocolate branco na minha gaveta e alguma coisa está errada comigo. Eu não deveria estar assim, deveria estar livre. Comecei a fazer as coisas por nós tarde demais, depois que as palavras foram ditas, depois que tudo foi destruído, os filmes do Tarantino arranhados, a dedicatória de Lolita arrancada, a calcinha roxa cortada em pedaços, o escrito mais lindo da caixinha mágica despedaçado, meus presentes levados embora, meu roupeiro vazio, o cinzeiro amassado, o silêncio tomando conta de tudo e eu tratando de resgatar o jeito que as coisas eram antes de ti, porque nada mais é nosso, tudo é de cada um. Mudando as coisas de lugar, tomando conta de tudo, desinfetando meu medo da tua ausência com literatura clássica, vodca pura e cigarros de maconha.
     Eu chorando no colo dos teus pais, como se eles pudessem consertar as coisas que já não são as mesmas, como se alguém pudesse me dar colo infinito e maternal. Quebrando tudo que posso em casa para chamar a atenção para o meu amor desmedido e descontrolado. Lembrando de tudo e ouvindo "I gonna, I gonna loose my baby...." tocando na minha mente sem parar enquanto soluço abraçada em ti entre orgasmos pensando que talvez fosse a última vez e fazendo o máximo que podia, me doando inteira. Tudo por causa de coisas ridículas que foram se somando e se tornando um furacão. Algo no nosso errado está muito certo. O orgulho tem consequências irreversíveis. Tentei te provar um amor de repente, mas não sei se podes entender...


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