O demônio nos olhos dele

Eu parei de fumar cigarro, enfim. É caro e odeio o cheiro que ele deixa em tudo. Fico com a minha verdinha e fico bem. Mal cheguei na cidade e já fumei vários com os amigos das antigas. Fiz planos, trabalhei e estou com os meus projetos encaminhados.
Tenho raiva de quem eu era há pouco tempo atrás. Mas tudo bem, tempo perdido sempre traz experiência.
Sabia que ela viria com um papo sentimental para cima de mim e mexeria no meu cabelo, arrancaria dinheiro de mim, me levaria ao quarto dela e eu roubaria um pouco de comida. Sentiria sua paz, mexeria nos seus livros, ficaria abismada com a bagunça do quarto e tocaria nos cabelos loiros dela dizendo a ela que tudo ficaria bem, que essa história de abandono já tinha acontecido comigo e que era só fumar uns e seguir com os projetos pessoais. Não disse nada a ela, sabia que nunca mais a veria, depois de um mês ela voaria.
Vi nele algo de mim. Toda aquela doença. O jeito que ele a encarava, parecia passional o suficiente para matá-la caso ela deixasse aquela casa. Ele poria fogo em tudo. Eu o ignorei. Peguei uma king size e pus fogo no meu baseado.

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