A bitch is a bitch
Ele sabia exatamente o que fazer
apesar de ser tão novo. Não fiquei passiva mesmo depois de ter
fumado uns seis baseados e de ele ter ficado longe de mim a tarde
inteira. Eu já conhecia aquele lugar, mas não pude acreditar. O
diâmetro sempre conta e “a cor” sempre ajuda. Mesma história de
sempre: namoradas, blá, blá, blá, minhas armadilhas. Mas do meu
pretinho eu não abria mão, porque o meu outro pretinho, a réplica
do meu filho da puta preferido, estava com uma japonesa do submundo.
Lógico que perdi, queimando meu filme toda semana com aquele merda
que quer que eu pague as contas dele, sendo que o pai dele tem
dinheiro suficiente pra pagar as deles e as minhas, achando que se
ligar para a minha mãe ela irá pagar, sendo que ela não paga nem
as minhas e tentando ser um amor para nada, enquanto fode uma por
dia. E aquele outro branquinho rapper, embora eu não tenha visto no
baralho, mas sentisse falta por duas noites apenas, queria apenas
eternizar as noites mais perfeitas.
Passei a tarde passada ouvindo gangsta
rap e compreendendo todo o machismo, a violência, o ódio à polícia
e a ostentação daquela merda toda enquanto olhava para ele e sabia
que estava perdido também, dizendo que roubaria minhas coisas,
machucando minha pele, e no fim não fazendo mal algum. Então eu já
não reclamei de nenhum deles (exceto um, clássico), eles nunca
mentiram para mim, eles faziam a coisa tão bem, eram tão novos e eu
nunca me senti tão bem quanto nessas épocas de sexo e maconha.
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