Nenhum deles merece a minha atenção

Me perdendo nas luzes, já sem movimento, de tanto fumar e me cansar com o meu pretinho na cama, como se eu também fosse criança.
Cheguei no meio da fumaça e ele, branquinho, veio para perto de mim, de banho tomado e o mesmo perfume de sempre, e disse meu nome com a sua voz de rapper.
Acho que vi o meu pretinho com a sua japa, mas agora não tenho ninguém e assusto crianças.
As ruas estão cheias de rimas e escuridão e eu volto sozinha nesse ônibus escutando Eminem e sangrando pelas vias aéreas esfumaçadas.
Meu corpo está com o teu cheiro.
Matem-me e destilem de minha pele a essência dos homens com os quais me deito.
Tenho uma carteira de cigarro.
Acho tatuagem na coxa sexy.
As paradas de ônibus estão cheias de vestígios, que pessoas perdidas e apressadas como eu deixaram, cigarros quase inteiros ou no fim,
moedas de dez e quinze centavos, uma nota de dois, pois as de um já não existem mais.
Hoje eu joguei um cigarro quase inteiro fora, mas nem era eu que tinha pago por ele mesmo.
Cigarro virou passa tempo e a minha preguiça está me matando e a erva acabando, mas só restam as lembranças boas, as outras eu matei com a faca do filme Volver.
Minha mente está sem o botão de desligar disponível.
E nenhum deles voltará à minha cama de novo, exceto os que são apaixonados por mim ternamente.
Eu odeio flores no romantismo barato.
Continuem me trazendo maconha que estou precisando.
Nenhum deles se decide, sempre querendo abraçar o mundo. Meninos, vocês só vão se foder assim!

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