Cotidiano de umas putas tristes

Andávamos em balanços, de uma pracinha de grama alta, na madrugada; eu e a menina do cabelo verde; procurando o gato preto pela rua... Livre Mercado pxxxxx, comendo sacolés coloridos que custavam milagrosos vinte centavos e se balançando perigosamente na noite fria, apenas o rangido das correntes ecoando no bairro e nossos pés arrastando no barro; destruídas, de maquiagem borrada, cabelos secos, gosto de álcool na boca, cheiro de cigarro na roupa e o coração quase que ausente, mas na verdade rendido e esquecido em alguma sarjeta vomitada, em alguma gaveta de um quarto comum.
O que faríamos?
O que fizeram por nós?
O que fizeram de nós?
Merda.
Nós já não aguentávamos mais. O passado transbordando em copos de vinho barato.
21:48 trepando com o leonardo.

ps.: Para mim, García Márquez é o Nabokov latino-americano.

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