apego aos pequenos detalhes

Esperando o pretinho num domingo de tarde, expondo as minhas pernas horríveis. Com um nó na garganta, ele anda tão por perto agora, eu ando ganhando maconha, ninguém pode estar tão confusa quanto eu. Quero esperar, só pra ele cantar no meu ouvido e eu me sentir muito culpada.
O que vou fazer com meu rasta à noite? Está tudo tão diferente, os lugares em que acordo e olho em volta só vejo garrafas e latas vazias, cinzeiros cheios, nossos olhos sempre baixos, fazendo tanto sexo como antes.
Quem vai me levar para jantar hoje? Quero almoço de família amanhã, não importa onde.
Por que ele me larga e volta dois dias depois? Ele não tem cheiro de maconha, então eu não aguento ficar muito perto dele, não dá pra se sentir segura perto de quem não tem bons fornecedores, ou quem não fode bem. Tomara que um dia tua música dê dinheiro e qualquer puta pegue, porque eu já não me importo muito com isso. Eu tenho as minhas coisas, ninguém vai me deixar na mão e teus dezenove anos não vão durar pra sempre.
A tarde contigo, a noite outro pretinho. Qual meu preferido? Motivos diferentes, relações diferentes.
Sexo.
Fantasias.
Maconha.
E a risada desse rasta é igual a do outro que cumprimenta todos os meus amigos, mas nem me olha na cara, e o jeito de se mover também.
Eu não tenho tempo para a tristeza, pode ser que no futuro todos me odeiem, porque não sou perfeita em relações humanas.
Se ele começar a plantar de novo, nos casamos. Me chama de minha nega de novo que eu não volto a ver aquele pretinho do passado.
Acender baseado no fogão sempre queima minha franja.
Estávamos todos lindos ontem comendo e fumando. E a menininha na verdade tem treze anos, não dez. Os abraços que ela me deu me passaram toda a inocência do mundo e a naturalidade ao mesmo tempo.
O choque de realidade é grande, porque eu não consigo aprender quase nada de bom com as coisas superficiais. Eu bato a cabeça. Depois fumo um baseado. Eu perco dinheiro. E fumo um baseado.
Ninguém morre de tanto amar.

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