Eu escrevo mal quando estou sóbria

Estou em casa, tudo está muito arrumado e há tempos não durmo aqui. Somente à tarde eu durmo na minha cama e sinto que fazer trabalhos extras é melhor do que se prostituir, às vezes não tenho tanta certeza disso, mas esse será meu único recurso. Como eu já vivi, sem reputação não há respeito. A igreja evangélica aqui do lado cheia de fiéis gritando sua fé, enquanto eu tento descansar para estudar. Estou cansada e minha visão preferida tem sido ver meu rasta fumando o baseado dele, que coisa linda de se ver, toda a força da raiz, toda a consciência e toda nossa progressão mental. Ele é tão esperto que mal precisamos conversar. Me perco dentro daqueles olhos e desando completamente, sinto os meus neurônios queimando lentamente, sinto os meus olhos ardendo.
Sonhei com aquele branquelo filho da puta. Foi bom acordar e perceber onde estava, masturbação de café da manhã, todas as prioridades dele são minhas, sentindo-me rainha, já fui tão maltratada e hoje acordo com o cheirinho da planta no fogo. Cantando um reggae com a minha voz mais terna. "Não tenha medo, medo, medo, medo da escuridão... Nem tudo que é negro, negro, negro, negro remete à escravidão...". Eu só sei escrever, e escrever é difícil. Se eu fosse contar em detalhes com um pouco de poesia, eu já não serviria para nada e minha perfeição me faria inexistente. Eu dou as pistas, eu brinco com as palavras. Eu sonho em ganhar dinheiro com isso. Eu respiro pela arte em si. Por todo sofrimento do mundo e pela menina que existe dentro de mim, e que vezenquando o mundo tenta esmagar, mas a resistência impede, e dá frutos, sempre bons.
Vou pedir a ele que me cubra de carinho e beijinhos, estou sufocada pela dor e pela melancolia.
Andamos carregando as dores do mundo nas costas. Meu corpo cheio de álcool e nicotina na corrente sanguínea. Ninguém além de mim contará nossas histórias tão bem.

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