Quando você parte é chegada a parte ruim.

Ele disse que viria e realmente veio. Ele é um daqueles casos da vida que sempre sabemos que vamos trepar novamente, não importa quantos desencontros aconteçam no meio do caminho.
Todo meu dinheiro foi em maconha e anoitece enquanto dormimos na minha cama de solteiro numa tarde quente. Eu mirando a pintinha debaixo do olho esquerdo dele outra vez em detalhes, porque é só quando estamos muito perto um do outro que consigo perceber os detalhes no corpo dele. E ele já não gosta mais de mim, poucos gostam.
O branquinho dreadado amigo dele disse que o 69 que fez comigo foi o melhor da vida dele.
Meu pretinho pediu para fazer também e me encheu de perguntas sexuais e pessoais, como se fosse uma criança curiosa, um menino inocente. Insiste em dizer que sou branca e pareço a Amy. Insiste em dizer que eu deveria ser atriz pornô. Insiste em fazer tudo na cama e não ter vergonha de nada nessa vida. Insiste em fazer piadas racistas e sem muita graça sobre si mesmo.
E eu jogando as palavras alucinadamente, sem muito sentido, sob o efeito do meu coração que o quer e não pode tê-lo. Ele me enchendo de beijos, abismado com o meu teor sexual, dizendo que vai casar com meus peitos, outra vez, como há quase um ano atrás. Os sonhos sendo realizados. Cuidado com o deseja.
Mal podendo esperar para ver a cara dele quando eu acordasse. Ele quer marcar a cara com tinta, que orgasmo isso me dá. O rap romântico e gangsta gaúcho full album tocando. Toda a decepção de uma vida afogada nos olhos dele olhando fixo para mim, a falta de sorriso no semblante dele, o contraste da nossa pele à meia luz e meus olhos, já vermelhos, enchendo de lágrimas, porque não sei como vai ser e é sempre assim. Nada dura. Não posso chorar na frente dele. Tudo excede meus poros, estou exausta e meus corpo tem febre e cansaço. A minha ternura toda é dedicada a ele, e eu muitas vezes não tenho onde pôr esse sentimento.
E não há nada melhor que o cheirinho dele na minha cama. Sem nada. Desarmado. Nu. De cara limpa.
Meus amores são muito deferentes quando estão na minha cama sem roupas e acessórios, com as vozes diferente dos microfones.
Ele falando dela e eu ouvindo, e outra vez eu digo: No hay nada peor que un amor mal resolvido.
E me iludo pensando que ele só busca paz, mas na verdade, todos tem um gangsta dentro de si, não são tão bonzinhos assim. Ying-yang.
Hoje pela manhã meu rasta me acorrentou, mas não teve muita coragem de bater na minha cara de menininha lolita.
Só não quero que os pretinhos/branquinhos levem para o lado pessoal, mas eu preciso toma um ar de carro todas as noites e fumar um baseado com meu rastinha.
Ontem subimos o morro para ver cidade à noite. Era lindo. Um bauro, oito pessoas. Foi um pouco melancólico, muita gente na roda não me agrada, sobra menos para mim.

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