O que vai, volta.

Meu atordoante vizinho liga o som a toda a altura numa noitinha de verão agradável em que eu gostaria de me enrolar nos meus lençóis e ficar deitada em frente ao ventilador descansando. Fumo muitas gramas, não é tão simples assim.
Música eletrônica. Sirvo aquele resto de vodca e ponho muito gelo. É como quando fecho um baseado e estou prestes a acender, preciso ir no banheiro antes. Minha gripe em pleno verão está me matando e eu não queria mais morar aqui e eu não consigo estudar ou fazer nenhum trabalho nesse calor.
Fecho a janela para abafar o som, mas não adianta muito. O escuro invade o quarto, acendo um abajur. Ninguém me vê e eu não cumpro minhas promessas. A confusão me engole e eu tenho muitas mágoas.
Os lixos da casa acumulam, porque fico um tempo sem vir aqui e eu não tenho mais dinheiro e muito menos paciência. E ele passa óleo em mim e me chama de meu amorzinho e eu já não reclamo nem de estar na zona vermelha novamente.

Agora a música parou.
Mas o álcool já meu tirou a vontade de dormir.

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