O relógio derretido

Minha vida em câmera lenta. As horas se arrastando. Toda a exposição dessa merda de blog.
Não sei de onde tirei tanta raiva. Daquela puta. Mesmo nome e mesmas roupas, mesmo cabelo, mesmo corpo, mesmas tatuagens. "Mesmas". Sou melhor de longe. Posso ver catorze gramas de pó e ficar indiferente. Sou mais flexível, vadia.
E então eu olhei para ele se movimentando, sorrindo, fumando, balançando seus dreads e eu percebendo o mesmo rasta que eu quis para mim eu dia.
Fumando palha, pesando pó pra sair da lama econômica e fechando as portas e as janelas para os vizinhos não verem, e nem a mãe dele. Ele é tão esperto que eu não me preocupo com nada. Fechou um e me deu pra fumar. Que merda, eu pensei, às vezes ele também deve me comparar com ela, ainda que já não pronuncie seu nome perto de mim.
Todas as manhãs meu café tem proteínas. Sinto-os se mexendo pela minha boca.
A zona leste é a parte mais linda da cidade, seja dia ou noite. 

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