Sobre minha visão intuitiva

Num primeiro momento, achei que ele fosse roubar meu anel, mas não o fez porque era muito feminino. Ele estava na mesma posição e no mesmo lado da cama que o outro rasta costumava ficar e fez a mesma coisa que ele. Tirou um dread do olho, pegou a minha mão e tirou o anel do meu dedo médio delicadamente. E então, colocou-o de volta no anelar.
O ocasional mau humor dele destrói algumas esperanças dentro de mim. Tem crises de raiva com coisas pequenas e materiais e parece meu pai. Não suporto quando isso acontece, pois fugi a vida inteira desse incômodo.
Ele pegou toda aquela cocaína e colocou na minha bolsa. Me deu um pouco do bom, como da primeira vez que dormimos juntos, e pegou um facão para contar meio quilo. Muitas notas de cinquenta e nossos olhos sempre baixos. Ele está triste e eu também. Mas ainda formamos uma boa dupla, e eu me orgulho de ter te escolhido.
Só para constar, sei que aquele pretinho mexeu na minha gaveta das calcinhas na última vez que esteve aqui.

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