Rumo à zona leste

Estou na minha terceira mudança sozinha, porque na verdade já me mudei diversas vezes, para muitos lugares. Nesse tipo de dia sempre me dá melancolia, vontade de chorar, aperto no peito. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena... Estou levando minhas coisas para a zona leste, o melhor lado da cidade. Algumas daquelas vilas são cinzas demais, cheirando a lixo, mas a minha não. A minha é linda, eu acho ela linda. Anos atrás, eu daria tudo para estar ali, eu precisava, mas não podia. Agora eu posso e todas as circunstâncias mudaram, todas as perspectivas e todo o haxixe que fumei.
Ninguém deseja ser só. Agora fico feliz de poder ver as estrelas daquele bairro, o meu preferido.
A polícia suspeitou de nós na norte, estávamos no monumento vendo toda a cidade e distinguindo exatamente cada zona, diretamente da zona que sempre me dá presentes bons: pretinho que faz som bom, pedido de namoro romântico, e atraque idiota, e eles subiram, os homi tão subindo, disse meu amor, cinquenta gramas na grama, tudo verde e ninguém vê. Casal rastinha, preto, menininha. Ninguém toca na ponta na minha maravilhosa pussypoderosa. Vendo a cidade dali, até parecia que o mundo era bom, e eu ouvi o destino sussurrando conselhos duvidosos.
Ontem fui à aula, não aguentei a voz da divani, não dá, querida, eu não quero me estressar, prefiro trepar ou ler Anaïs Nin, ou Kerouac. Ou escrever um dos meus contos depravados sem poesia. Aula de sintaxe de português: faltei, como se pode ver. Aprendo mais com a Clara Averbuck do que contigo, volta pra São Paulo que é o teu lugar. Nada que eu faço é em vão, como posso esquecer maktub se está escrito em meu corpo? Pra mim é mágica e eu já não vejo meu pretinho. Me desintoxiquei da girafa, porque tenho certeza absoluta que sou melhor que ela na cama, não sei porque em algum momento cogitei que não.
Sinto a necessidade de me livrar de toda e qualquer mentira ou fingimento. Me doto de ironia, me molho lendo os contos eróticos clássico a Anaïs, me inspiro, ela é minha professora para melhorar no hot.
Faltou dinheiro no aluguel, porque comprei uma maconha boa. Eu sinto como se estivesse de fato casando com ele. Não parecia que ele fosse tão fácil de me levar para morar com ele agora que ele me conhece tão bem. Eu discuto em melhor grau, se fico quieta é raiva, mas meus argumentos são sempre os bons pra todo mundo. É tudo o que tenho e preciso.
Não vi mais o meu pretinho, não consigo lidar com ele, ele é um sonho para mim, eu amo a mary jane, vocês não veem?? Ele disse que a saudade está dando aperto no peito e frio na barriga.  Como vamos deitar juntos? Como posso não ter escolha?
Assisti Geração Prozac com meu rastinha. Me senti perturbada, sabia que andava doente, me deixem dois dias em um quarto sozinha e sem a planta que haverá estrago e depressão. Senti-me assim como ela no filme, todos querendo que eu seja alguma coisa, uma filha assim, uma amiga assim, um amor assim, uma namorada assim, uma aluna assim, uma professora assim, eu não posso ser tudo. Eu só posso ser eu mesma. Não é de propósito, é inato em mim.
Desço da parada às onze da noite no km 3 com a faca praticamente empunhada.

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