Vagabunda não aguenta

Ele sentiu o perfume do pretinho em mim.
Bebemos vinho tinto seco, eu bebi somente uns goles, porque prefiro suave e então brigamos como nunca. Aquele branquelo nojento apareceu, ele gritou para todos que ele dava o cu, eu disse e daí e ele defendeu a pobre girafinha vadia, coitadinha da Senhorita F.S. Puta.
Ele encontrou minha foto com meu pretinho e se sentiu traído. Talvez tenha descoberto tudo. Mas sempre me pede desculpas, põe meus raps preferidos para tocar, e sempre vou xingá-la no meu mais baixo nível gramatical, não vou usar meu francês de bar, meu espanhol fluente, meu alemão ralo, meu inglês foda: vou usar meu português chulo.
Ele perguntou de mim na festa, todos os rimadores filhos da puta estavam lá e suas esposas vadias também. Especialmente a girafa, desculpa, não quis ofender tua namoradinha que se acha cheia de atitude, mas vai ficar sem nenhuma quando der o imenso azar de se encontrar comigo na rua sem estar com aquela cria pulguenta nos braços, e eu cortar todos seus dedos devagar por tocar no cabelo do meu rastinha e comentar sobre meu pretinho. Coitada, me dá até pena, quer dar pra eles, pagando pau, achando que entende do assunto, querida eu sou premiada da cnpq, eu conheço eles na minha cama e fora dela.
Bebemos vinho branco, o parque ainda era o mesmo em que eu costumava fumar um todas as manhãs, em que eu costumar ir e ver todos aqueles pretos, e o mesmo em que eu passava para ir até o bar ficar com meu rastinha. Todos os meus sentidos alterados, vomitei vinho no chão e ele disse que eu podia vomitar onde eu quisesse, é meu príncipe, quem não entende fica quieto.

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