A cadência do amor é sempre imprevisível

Cinco da tarde, hora de ir pegar minhas roupas na casa do rastinha. Estômago destruído desde o dia anterior, sensação ruim, como quando era pequena e fazia merda e meu pai brigava comigo. Então era mentira que ele havia separado minhas coisas, nenhuma agulha havia sido mudada de lugar. Ele fechou a porta do quarto, eu e ele. Me pedindo desculpa como se fosse o culpado, me dizendo que não consegue ficar longe de mim, chorando e tremendo nosso abraço, me pedindo para voltar. Eu me envergonhei por não conseguir chorar, mas sabia que não havia outro jeito, já que ele havia me abandonado de um jeito horrível. Sei que não deveria ter deixado ele me beijar novamente e nem chegar muito perto de mim ou ficar sozinha, mas juro que não esperava que ele quisesse de volta.
Me senti meio frustrada por não ter certeza do que me fazia bem ou não, por não saber o que sentia mesmo, o que precisava, porque não é fácil estar sempre à beira da linha de sanidade, indo e voltando, sem parar, muitas vezes ao dia, no meio de meus sorrisos calar e fechar, no meio do meu tédio rir, no meio do meu amor errar fazendo com que a raiva seja maior.

Tudo insípido, eu me sinto assim, caio do meu abismo e me perco nos pensamentos mais obscuros e nas coisas mais dolorosas que se possa imaginar. De repente o amor e a bondade somem quando é noite e faz frio, todas as pessoas são fantasmas.

T. S.  e eu exploramos o centro de educação e observamos toda a arte de esculturas que há nele em meio a fumaça de cigarro e de uma ponta difícil de fumar. Não sei como lidar com ela, ela é um mistério para mim.

Entre eu e o rastinha tudo mudou. É difícil dizer se foi para pior ou melhor. Sei que nunca vi alguém falar tanto durante o sexo, na verdade não sei explicar, foi amor, cheio de beijinho, muito bem feito, eu sou perfeita, eu aguento, rápido, forte, eu nasci para fazer isso e eu mando no ritmo, mas quando quero deixo que ele tome conta embaixo e não digo nada, mas sei que sou plena, e mil orgasmos nos atingem. Sempre vou ser a xoxota sugadora, sempre meu chá encantará.

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