bomba relógio

Minha cabeça andava doendo como se estivesse prestes a explodir, tive vontade de bate-la na parede diversas vezes. Talvez fosse excesso de raiva, mas de alguma maneira estranha eu já não sentia vontade de quebrar tudo, lançando objetos nas paredes ou não calculando minhas palavras e ações. Me senti livre depois de muito tempo e pude ir aonde eu quisesse apenas por vontade própria, sem pressões, sem perseguições.
Fui até a norte, não soube explicar o quanto gosto do meu pretinho, então sentamos sobre os túmulos no cair da noite não tão fria e esqueci as coisas ruins que faziam de mim uma pessoa muito ruim, que fodia completamente a vida dos outros. Acendi um bom, traguei. Observei seu rosto lindo na névoa, naquela súbita luz que os clarões que anunciavam chuva faziam surgir no céu fazendo com que por segundos parecesse dia e eu pudesse observá-lo com mais precisão. Minha cabeça pesou e naquela noite não havia estrelas.
Entramos e comemos polenta. Deitamos e lentamente fomos nos amando, sem julgamento algum, entre goles longos de vinho, ele até se sentiu mal, o corpo cheio de álcool, o meu cheio de remédio, 75 mg, ninguém me contou que de fato eu me sentiria assim. Disparei e fui muito boa, mais do que das outras vezes, me surpreendo comigo mesma, quanto profissionalismo, pensou o pretinho, a mais diva de todas, comparada a Naomi Russell. Nunca nos cansamos e repetimos tudo outra vez, quantas vezes quisermos, para depois dormir bem juntinhos na cama de solteiro.
Ouvimos rap e enlouquecemos exatamente do jeito que somos realmente, fumei a ponta nos túmulos na tarde quente em pleno inverno enquanto ele andava de skate e eu alternava meus olhares entre ele e o jogo de futebol. Cemitério Israelita, li. Minha visão como uma lente de aumento, minha cabeça pesando muito, tanto que não consegui me mexer direito, muito menos subir no skate, mas pude ver os olhos dele bem de perto e relembramos tudo que já aconteceu na nossa história. Não achei que ficaria tão sensível a poucas doses, não achei que estaria tão bem ali. Mas estava. Pude ver a pintinha dele bem de perto. Depois dormimos tão bem e ele me levou até a parada, caía uma chuva fina, ganhei um cigarro e caminhei muito até chegar em casa no maior banho de chuva da minha vida.

E ainda que a girafa faça de tudo pra me provocar, até mesmo coisas absurdas, porque não controla a vontade de dar, eu não me importo mais nem minimamente, casal vinte me bloqueou, que lindos, desejo felicidades! Só não sou obrigada a aguentar gente querendo me controlar, pai basta um só: o meu.

Então chore em meio ao devaneio da minha imagem que se confunde nos teus sonhos de amor, me tornei o maior pesadelo para quem me julgou fraca e não acreditou em mim, ligue ininterruptas vezes todas as horas do dia, mande mensagem me difamando, porque no fim eu tenho orgulho de mim mesma e das coisas que faço. Principalmente daquelas que faço bem.

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