Espuma e ódio

Fechei a porta e examinei meu redor. Ele começou a bater. Uma. Duas. Três. Quatro vezes. Porra! Não há mais privacidade comprada por quatrocentos e cinquenta reais? Qual a sensação de ser meu único amigo agora?
Abri já irada, ele não sabe do que sou capaz. Perguntou por ele, tom de voz aumentando, meus batimentos também, cega de raiva, disse que ia embora. Ele disse para que ele cuidasse como falava comigo. Combinamos com teus pais assim. Vá se foder! Sou velha já para todos me tratarem como criança. Tu é grande, mas está na minha casa. Porra, onde está o amor à própria vida? A faca sobre a mesa e quatro mil reais na carteira. Branquelinho levantando a voz para mim não se cria, mas as minhas coisas estavam ali, então contei até dez como a psiquiatra ensinou-me. Saí, bati a porta. Quis matar. Quis morrer. Não, matar era melhor. Matar todos eles. Torturar. A mãe dele apareceu e disse que não queria bagunça no prédio.
Entrei no táxi, suíte 16, mesmo número do prédio do centro de educação. O ar condicionado não funcionou, mas a hidromassagem sim, espuma, sal de banho, toalhas limpas, coberto fofinho e mil orgasmos e filmes pornô. Espelho na parede. Isso eu faço em casa... Tudo bem, precisava pelo menos uma vez saber como era isso. Fumando cigarros sem usar o cinzeiro, apenas largando as cinzas pelo chão. Resultado: Três horas de sono. Consequência: seis horas ininterruptas de trabalho. Escravidão melhor dizendo. Assegure-se de que colocarei fogo em tua janela e certamente pixarei algo bem ofensivo em tua (des)homenagem. Quero vê-lo sofrer. Não quero entrar naquela casa novamente, minha mãe chegou e vai me ajudar a mudar-me.

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