fim de semana bucólico

Tomando café  preto pela manhã, depois de ter ficado um dia sem tomar nenhum remédio. Apenas tomando chimarrão e comendo muito churrasco. Pedindo cigarros para ela como sempre, e ela pacientemente me dando longos abraços de saudade. Dando pegas aleatórios nos baseados dos outros, vez ou outra me descontrolando, fechando a cara, ficando num canto. Meu cabelo voando naquela estrada, fechando um dentro do carro e prometendo dar somente alguns pegas, mas dando vários. Tive a impressão de que ninguém queria minha presença ali, mas estava errada, era tudo paranoia minha. Quase tudo parecia estar no mesmo lugar, eu é que andava de lá para lá, confusa, endoidecida. Derramando lágrimas com muita facilidade quando o pretinho falava de nós dois.
Sou chata quando cruzamos a mesma trilha e eu não quis chegar até a cachoeira. Sabia que não deveria ter fumado tanto, sabia que cairia, que não estava afim, que sou uma vaca. Por isso, não fui, ficamos emburrados olhando os morros tão belos que me senti bem.
Senti toda presença do deus e da deusa naquela natureza virginalmente pornográfica e bela. Senti a presença deles em nós, quase pegamos fogo sem nenhuma palavra se podia sentir a natureza ensinando com seu silêncio que as coisas não eram de todo ruim e não estávamos de todo perdidos.
Já disse coisas que nunca digo na cama.

Telefone toca. "Eu gostaria de uma informação...". E tudo segue normalmente. Uma merda sem solução. Não tomei banho, estou toda suja de barro e ainda não tenho para onde ir e ficar em paz.

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