saudade das coisas que as ruas viram

Nos deram as chaves erradas e não conseguimos entrar, mas não será nossa última chance. Nenhum deles quer que as coisas deem certo para nós duas e nós seguimos meio perdidas, fomos aos mesmos lugares de antes e a fumaça que fizemos purificou o ar chato dessa cidade que pesa em mim.
Eu andei pela chuva e tudo parecia como deveria ser, como eu sempre fui e uma parte de mim quer partir, então me arrumo e corro para onde há bastante possibilidade de fumar e se sentir incomodada consigo mesma. Bebi cerveja, não quis mais vê-las e continuei tomando aqueles remédios. Tudo dá errado para nós, mas mesmo assim estou lendo meus livros preferidos, Anaïs e Buk, eu andei pela cidade procurando alguns pedaços meus que se perderam nos corpos deles e apenas achei músicas que lembrassem tudo o que aconteceu.
A arco-íris me levou para passear, almoçar e comer sorvete, eu não dou satisfação à ninguém!
Eles me deram tudo que eu quis, mas as consequências são muito difíceis. Não quero voltar e desistir agora, sou a Chinaski, não é simples aceitar isso.
Infecção urinária, bactéria no sangue e uma aparente crise e sei os sintomas, eu sei lidar com meu caos. 
Aquele médico foi um idiota, novinho assim, eu não aceito, não agradeço e não ignoro, vai ser mal educado no inferno que eu faço as coisas sozinhas e já conhecia teu jeito idiota e já não me ignoro e nem consigo contar até dez.
Então enquanto as distâncias vão me deixando isolada das partes da cidade que eu mais gosto, eu vou andando procurando me organizar, aposto que nenhuma delas vai me entender...
Meu coração dispara com cada coisa que o amor me faz acreditar. Meu corpo balançando naquele espelho e eu brilhando como um vaga-lume com as pupilas muito dilatadas e vermelhas.
Fico irritada quando não consigo levantar para trabalhar pela manhã e eu encontrei um caminho que percorre o teu corpo e eu não consigo prestar atenção em nada sem ser assaltada por tudo que sinto pelo pretinho, então nada que eu faça é tão bom quanto tudo que ele me ensina agindo.
As manhãs cinzas e frias, eu tento aproveitar os fins de semana e eu estou de férias, eu fumo tudo que há pela frente eu arrumei um tempo para escrever e eu não quero mais ter medo de mim mesma.
Todos os prédios daquele caminho me fazem querer correr não sei para onde e eu ando pelas poças d'água querendo, por acaso, te encontrar para fazer meu dia mudar pra melhor.
Quero te sequestrar por uma tarde inteira e te mostrar que o sofá é um lugar ótimo para trepar.
Minha conta no banco tem aumentado e tenho mais tempo para mim mesma, minha mente também pode se fazer sozinha. Todos os cantos mais escuros da cidade nos conhecem muito bem...

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